{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreidglajdwkunusmb3acwzghf3kukfzx57setp43x62nstlzcsckbhi",
    "uri": "at://did:plc:fi6ft2rjjxnr5a5bbljvn7of/app.bsky.feed.post/3mprydssu4ly2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreie4blwq2inomhnnp3ok2fj2mn24mtgftlbw446dq4u467t4zfvaqe"
    },
    "mimeType": "image/jpeg",
    "size": 71470
  },
  "path": "/conteudo-de-marca/pulse-brand/noticia/2026/07/divida-no-campo-o-agricultor-tem-o-direito-de-alongar-a-divida-mas-o-banco-nao-conta-isso-para-ele-1.ghtml",
  "publishedAt": "2026-07-03T20:12:25.000Z",
  "site": "https://globorural.globo.com",
  "tags": [
    "globorural"
  ],
  "textContent": "\nSe você é produtor e está com dívida apertando, presta atenção: existe um direito previsto em lei que pode dar fôlego ao seu caixa, e quase ninguém te conta sobre ele. Chama-se alongamento da dívida rural. Na prática, ele permite empurrar o vencimento da dívida para frente, ganhar até 3 anos de carência para voltar a pagar e parcelar o saldo em até 10 anos, mantendo as condições do contrato original. O banco, porém, costuma oferecer outra coisa no balcão: uma renegociação que parece igual, mas que, no fim, sai bem mais cara. E o problema é grande. A inadimplência no agronegócio chegou a 8,1% no segundo trimestre de 2025, segundo a Serasa Experian, o maior índice já registrado. No mesmo ano, o agro liderou os pedidos de recuperação judicial no país, com 743 empresas, 30,1% do total nacional. Mesmo com safra forte e exportação aquecida, cada vez mais produtor está recorrendo à Justiça para reorganizar conta. A explicação não está na lavoura. Está no jeito como o campo se endividou e em como esses contratos vêm sendo renegociados sob pressão. Alongar a dívida e renegociar com o banco não são a mesma coisa Essa é a confusão que mais custa dinheiro ao produtor. Alongar a dívida é um direito do crédito rural: você estica o prazo, ganha carência e continua pagando com base nas condições que já tinha. A renegociação que o gerente oferece é outra história. Ali, na maioria das vezes, o banco monta um contrato novo, joga juros sobre juros do período atrasado, inclui multas e tarifas que poderiam ser questionadas, embute seguro que ninguém pediu e ainda faz o produtor abrir mão do direito de discutir os termos antigos. Para quem tem crédito rural subsidiado, como Pronaf, Pronamp ou linhas do Plano Safra, isso é ainda mais sério. Aceitar uma renegociação comum pode significar perder benefícios garantidos por lei: a taxa subsidiada, a carência e as condições amarradas ao ciclo da safra. Quando o contrato é \"reembrulhado\" desse jeito, esses direitos somem sem o produtor perceber. \"O produtor que está num momento difícil precisa entender uma coisa: o gerente do banco não é o consultor financeiro dele. O gerente é o vendedor do banco. Quando ele oferece uma renegociação, está batendo a meta dele, não defendendo a sua lavoura. Alongar a dívida do jeito certo é direito do agricultor. Aceitar qualquer proposta no balcão, sem olhar o contrato, é cair numa armadilha\", afirma Cassiane Rodrigues, advogada especialista em conflitos bancários e sócia do Rodrigues & Scola Advogados, escritório reconhecido em 2026 como Melhor Escritório de Direito do Consumidor do Brasil no Prêmio Law Summit, promovido pela ADVBOX em Gramado. O que é o alongamento da dívida rural, em palavras simples Imagine que a conta venceu e não tem como pagar agora. O alongamento rural permite, por lei, adiar esse vencimento, ganhar tempo antes de voltar a pagar e diluir o valor em parcelas mais longas. Em vez de fechar a torneira do produtor, ele dá tempo para a próxima safra entrar e o caixa respirar. Feito da forma certa, com apoio jurídico, o produtor pode conseguir até 3 anos de carência para só então recomeçar a pagar a dívida e parcelar o saldo em até 10 anos, preservando os valores do contrato original em vez de embutir juros e encargos novos. É o oposto da renegociação de balcão: o mesmo objetivo, ganhar prazo, mas sem virar mais uma camada de dívida em cima da dívida que já existe. A diferença, portanto, não está em alongar ou não alongar. Está em quem conduz esse alongamento e com base em quais direitos. Conduzido por quem entende de crédito rural, ele vira fôlego real. Feito às pressas no banco, vira cilada. A lei está do lado do produtor Esse direito não é favor nem manobra. É previsto em lei e cada vez mais reconhecido pela Justiça. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que contratos firmados em momentos de instabilidade fora do normal podem ser revistos quando se tornam pesados demais para uma das partes, com base em regras do Código Civil que existem há décadas. Em bom português: quando algo grave e imprevisível desequilibra o contrato, é possível corrigir. E no campo isso acontece o tempo todo. Quebra de safra, preço de commodity despencando de uma hora para outra, juros que dobraram em poucos meses, tudo isso pode pesar contra o produtor de forma injusta e abrir espaço para revisar ou alongar a dívida em condições mais justas. \"O produtor rural tem direitos que muitas vezes ele nem sabe que existem. O pior cenário é o agricultor sufocado aceitar qualquer proposta antes de descobrir o que ele já tem na mão. Isso é assunto de advogado especialista no tema, não de contador e muito menos de despachante\", explica Cassiane Rodrigues. O que fazer antes de assinar qualquer proposta do banco Antes de aceitar qualquer renegociação, o produtor pode seguir três passos simples. Primeiro, juntar todos os contratos dos últimos cinco anos: financiamentos, renegociações anteriores, seguro agrícola, cédulas de produto rural e qualquer papel do banco ligado à atividade. Segundo, levar tudo isso para um advogado que entenda de crédito rural e contrato bancário. Terceiro, só depois desse diagnóstico decidir o caminho: alongar a dívida, revisar o contrato ou, se for o caso, partir para a Justiça. Muitas vezes, o que aparece nessa análise surpreende o próprio produtor: juros cobrados em cima de juros, tarifas que nunca foram combinadas, encargos que não se sustentam e até valores pagos a mais que podem voltar para o bolso dele. Aquilo que o banco apresenta como \"a única saída\" costuma ser apenas uma das saídas, e quase nunca a melhor. A safra 2025/2026 vem num cenário de juro alto e custo de produção pressionado, com contratos antigos ainda em vigor. Para o produtor que se reconhece nesse aperto, o recado é direto: você não está sozinho, existe saída na lei, mas ela exige orientação certa. Sentar sozinho com o gerente, no momento da pressão, é trocar um problema de safra por um problema bem maior lá na frente. E, no campo, problema de longo prazo costuma custar caro.",
  "title": "Dívida no campo: o agricultor tem o direito de alongar a dívida, mas o banco não conta isso para ele"
}