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Com perfil de consumo repaginado no país, Aurora amplia unidade de suínos

Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial] July 2, 2026
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Há mais de três anos, quando decidiu ampliar sua unidade de abate de suínos de São Gabriel do Oeste (MS), a Aurora Coop vislumbrava um quadro para a demanda mais positivo do que o atual. O consumo nacional per capita de carne suína, produto que gera 60% da receita da cooperativa, vinha crescendo consistentemente desde 2019, assim como as exportações brasileiras. A Aurora vai inaugurar hoje a ampliação da unidade, a segunda maior da cooperativa — só a planta de Chapecó (SC) é maior —, em um ambiente de consumo enfraquecido no mercado interno e oferta abundante de carne suína. “Quando iniciamos o projeto, não esperávamos que haveria essa lacuna de consumo. Teremos de nos adaptar, não ofertar grandes volumes, trabalhar com itens processados e ampliar exportação”, disse ao Valor o presidente da Aurora Coop, Neivor Canton. A Aurora, que congrega 14 cooperativas agropecuárias, como Frísia e Castrolanda, investiu R$ 350 milhões no frigorífico sul-mato-grossense. Com as obras, a capacidade de abate da planta cresceu 60%, passando de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, o que tornará possível aumentar a produção de itens de presuntaria, cozidos e defumados. Leia também Seara aposta em produtos de valor agregado para crescer em carne suína Abates de bovinos e suínos bateram recorde no primeiro trimestre de 2026 A Aurora é o terceiro maior grupo brasileiro de proteína animal. O aporte em São Gabriel do Oeste integra um pacote maior de investimentos, de R$ 2,4 bilhões, que a cooperativa desembolsou nos últimos três anos para modernizar e ampliar unidades e também para comprar novas plantas. Em dezembro, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade que representa exportadores de frango e suínos, projetou que o consumo per capita de carne suína cresceria até 2,6% em 2026, mas Canton diz observar que os volumes de consumo de carne, não apenas suína, têm tido ligeira redução. O diminuição da demanda, avalia o executivo, deveu-se a dois fatores sobre os quais pouco se comentava em 2023, quando as obras em São Gabriel do Oeste começaram: ascensão das canetas emagrecedoras e das apostas esportivas online, as bets. “Penso que (a redução do consumo) está ligada diretamente à capacidade financeira do consumidor. Os números mostram que há desvios de renda para jogos. E o percentual de pessoas usando canetas cresceu de tal forma que alcançou consumidores que não têm renda suficiente para utilizá-las e ampliar consumo da proteína. A primeira opção acaba sendo aquela (caneta) e não essa (carne)”, disse. Resultados Com exceção de 2023, quando sua receita operacional caiu 1,3%, a Aurora cresceu sucessivamente nos últimos 15 anos. No ano passado, o aumento foi de 8,3%, para a R$ 26,9 bilhões. O mercado interno respondeu por R$ 17,8 bilhões, ou 66,2% do total. A carne suína e produtos industrializados derivados são, de longe, o principal motor de faturamento, com cerca de 60%. Carnes de aves ficam com 20% a 25% e lácteos, em torno de 15%. Em 2026, a Aurora prevê que a receita crescerá, no máximo 5%, puxada pelas exportações. Os embarques devem ter um aumento de 15%, contrabalançando o desempenho no mercado local, onde as vendas deverão cair de 5% a 7%. Além disso, mesmo com os custos de grãos e de produção similares aos de 2025, as margens de lucro atuais da indústria estão “bem menores” do que há um ano, diz Canton, dada a oferta confortável no mercado interno de industrializados, que dificulta reajustes. A unidade de São Gabriel do Oeste reforçará a produção de industrializados que já estão no portfólio, mas há planos de incluir novos itens no futuro. No mercado externo, a Ásia, incluindo o maior importador da carne suína brasileira, Filipinas, e mercados menores como Japão e Cingapura, devem seguir liderando as compras nos próximos cinco anos. A Aurora exporta para mais de 80 países.

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