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"textContent": "\nA safra de gengibre do Espírito Santo, Estado que lidera a produção nacional e a exportação dessa raiz tuberosa, deve ter um aumento de 5% neste ano, em relação às 83 mil toneladas colhidas no ano passado, segundo estimativa do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O Estado, que planta cerca de 1.170 hectares, responde por 75% da produção nacional e por 59% das exportações. Depois de abastecer o mercado americano nos primeiros meses do ano com o gengibre baby, colhido precocemente e enviado de avião, os produtores capixabas iniciaram neste mês a colheita e os embarques por navio do gengibre maduro para a Europa, com estimativa também de aumento no volume, mas os negócios estão mais lentos neste ano. O engenheiro agrônomo Galderes Magalhães, extensionista do Incaper, afirma que mais de 90% da produção do Espírito Santo, dominada pela agricultura familiar e 100% irrigada, vai para exportação, mas boa parte sai por outros Estados. Segundo ele, a produtividade média de 60 toneladas por hectare deve subir com a entrada de uma nova cultivar no mercado, desenvolvida no Estado, mas o que está incomodando o produtor neste ano é o preço baixo, cerca de R$ 35 a caixa de 14 quilos no campo (no início do ano era pelo menos o dobro). A queda no preço se deve ao aumento da produção global. O mercado europeu, principal destino do produto brasileiro, ainda está abastecido de gengibre da China, maior produtor e país que determina o preço da raiz tuberosa usada na gastronomia e nas indústrias alimentícia e farmacêutica. Além disso, a safra do Peru, que exporta apenas o produto orgânico, mas concorre na mesma janela de embarques do Brasil, também cresceu. Leia também Produtor capixaba desenvolve primeira cultivar de gengibre registrada no país 'Capital do Gengibre' no interior de SP tenta retomar o cultivo da raiz Produtores Regiano Foeger, de Santa Maria de Jetibá, trabalha com gengibre há 20 anos. Antes, ele plantava e vendia para terceiros, que faziam a exportação. Há três anos, passou a embarcar o produto diretamente, com a criação da empresa Mar Agronegócios Exportação Agrícola. Ele cultiva geralmente de 10 a 20 hectares, mas nesta safra reduziu a área para seis hectares porque o preço já vinha baixo em 2025. Atualmente está exportando para a Argentina, mas espera fechar em breve novos embarques para a Europa, que compra mais após o fim do verão. Sua empresa exporta de um a três contêineres de 21 toneladas por semana, dependendo da demanda. Desse volume, dois terços são de produção própria e o restante ele compra de outros agricultores. “O preço de R$ 35 por caixa não paga o custo de produção da maioria. Eu tenho um custo bem menor porque planto sempre em área nova, uso menos adubo químico e mais matéria orgânica de cama de aviário. Além disso, tenho a renda da exportação”, diz Foeger, que possui quatro propriedades com cerca de 50 hectares e começou a investir também no plantio de café arábica. Família Foeger, de Santa Maria de Jetibá (ES), exporta um a três contêineres de 21 toneladas de gengibre por semana Arquivo pessoal O capixaba Alexandre Lemke Belz, maior produtor no Estado de gengibre orgânico, com cinco hectares, exporta com o próprio CPF cerca de 10 a 12 contêineres por ano e recebe US$ 3 dólares a mais pelo produto certificado cultivado em Santa Maria de Jetibá e na vizinha Santa Leopoldina. Mesmo com uma produtividade bem acima da média, de 80 a 100 toneladas por hectare, ele também não está satisfeito com o preço pago pelos importadores europeus. O agricultor atribui a queda ao aumento da produção global do gengibre, puxado pelos bons preços praticados dois anos atrás no mercado internacional. Alexandre pretende deixar parte da produção na terra neste ano e esperar o mercado demandar o produto novamente. Ele não teme perda de qualidade porque diz que no manejo orgânico a vegetação cresce e garante sombreamento ao gengibre, com sobrevida de até um ano. Leomar Schaeffer, de Santa Leopoldina, trocou as verduras e o café pelo plantio de gengibre há 20 anos e atualmente a raiz é o principal sustento da sua família e de mais 16 parceiros agrícolas. Toda a produção dele e dos parceiros vai para exportação. Neste ano, Leomar manteve os mesmos 20 hectares do ano passado, mas vai aumentar para 35 hectares na próxima safra, que começa a ser plantada em agosto, confiando que muita gente vai deixar a cultura por conta do baixo preço deste ano. A previsão é colher nesta safra 400 toneladas de gengibre orgânico e 1.400 toneladas do tipo convencional. Leomar conta que o ritmo das exportações está lento, pior do que o ano passado, mas ele segue aumentando o volume exportado e espera por uma recuperação de preços a partir de agosto. Comercialização em ritmo lento Mirian Gonoring, de Santa Maria de Jetibá, cresceu na cultura do gengibre. O pai, Erildes, era produtor e comprava gengibre de parceiros. Ela fez administração no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e decidiu voltar para roça para ajudar o pai. Em 2019, comprou seu pedaço de terra e também começou a plantar gengibre. “Colhi a safra e comprei meu primeiro carro.” Ela, o pai e o irmão cultivavam 3,5 hectares, mas reduziram neste ano para dois hectares por conta da escassez de mão-de-obra para a lavoura, que é praticamente 100% manual. Nesta safra, ela investiu muito em adubo para colher uma raiz de qualidade, mas não aplicou muito defensivo. A previsão era colher de 9 mil a 10 mil caixas, mas uma das roças foi atacada por lagartas e não rendeu quase nada. Mirian Gonoring, de Santa Maria de Jetibá (ES) Arquivo pessoal Além de produtora, Mirian trabalha para a Cola Foods, exportadora de gengibre, que também cultiva 6 hectares da raiz. Ela cuida das roças da empresa e de algumas plantações das 700 famílias que vendem o gengibre para a exportadora. “A comercialização neste ano está muito devagar. Eu nunca tinha pegado o gengibre a R$ 35. Começamos o ano exportando o gengibre baby a R$ 100 e o preço foi caindo. O preço está horrível, mas o pessoal está colhendo porque está muito endividado ou porque tem doença na lavoura. A tendência é melhorar depois de agosto. Nessas condições, o produtor tem que rezar para pagar as contas ou não consegue voltar a plantar.” Outro capixaba que começou a plantar gengibre em 2019 atraído pela alta lucratividade da cultura foi Siliano Lahasse, também de Santa Maria de Jetibá, que vende para exportadores. Antes, ele era produtor de verduras, mas agora só mantém o gengibre e o inhame. Siliano conta que ainda não começou a colher o gengibre maduro porque o preço está muito ruim. “Os insumos subiram de 15% a 20% para o novo plantio. Para valer a pena colher, então, eu preciso receber pelo menos R$ 50 pela caixa. Acho que dá para esperar até janeiro ou fevereiro com o gengibre na terra”, diz o produtor, que está equilibrando as contas com a renda do inhame no mercado interno e com a prestação de serviços em seu armazém para vizinhos que não podem esperar e não têm onde lavar, separar os toletes e embalar o gengibre para a exportação. Para driblar a falta de mão-deobra, Siliano adaptou uma máquina de arrancar inhame para a colheita do gengibre. Antes, usando enxadão, ele tirava 100 caixas por dia. Com a máquina consegue colher 300 caixas por hora. Siliano Lahasse adaptou uma máquina de arrancar inhame para a colheita do gengibre Arquivo pessoal Bactéria Galderes, do Incaper, diz que a partir de 15 de outubro, o exportador de gengibre orgânico e convencional para o Mercado Comum Europeu precisará apresentar uma certificação fitossanitária atestando que seu produto está livre da Ralstonia pseudosolacearum. Essa bactéria de solo é proibida na Europa, mas foi identificada nos últimos dois anos em algumas amostras de gengibre importado e causou surtos em viveiros de lá. Segundo o pesquisador, a bactéria vem impactando a produção do concorrente brasileiro nas Américas, o Peru, que planta o gengibre depois da batata, que é mais suscetível, mas não há registro dela na região produtora do Espírito Santo. Para auxiliar os produtores, o governo capixaba liberou recursos para o Incaper fazer pesquisa de monitoramento da Ralstonia nas áreas de produção do Estado. A bactéria causa a doença da murcha, típica de clima tropical, que tem alto poder destrutivo.",
"title": "Safra de gengibre no ES deve aumentar neste ano, mas preço preocupa"
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