SLC e Bom Futuro disputam compra de terras da Radar em Mato Grosso
Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial]
June 26, 2026
A venda de um conjunto de propriedades rurais do Grupo Radar - empresa que tem como acionista a Cosan -, está gerando uma competição inédita entre duas gigantes do agronegócio brasileiro. Tanto a SLC Agrícola quanto a Bom Futuro afirmaram exercer "direito de preferência" para adquirir o chamado Bloco Mato Grosso da Radar, composto por propriedades que somam 41.214 hectares de área física, dos quais cerca de 28,8 mil hectares são agricultáveis. A compra, no valor de R$ 1,85 bilhão, deve ser realizada na modalidade "porteira fechada", em caráter indivisível e em igualdade de condições com a proposta recebida pelas proprietárias dos ativos. A SLC Agrícola foi a primeira a divulgar que exerceu seu direito de preferência para a aquisição. Atualmente, a companhia já opera aproximadamente 17,6 mil hectares da área agricultável do bloco. Logo depois, a Bom Futuro, de Eraí Maggi, informou que, como arrendatária de terras da Radar, exerceu seu “legítimo” direito de preferência na aquisição da área. “O referido investimento tem sinergia com as demais propriedades da empresa e adere sua estratégia de crescimento em Mato Grosso, onde atua há mais de 44 anos”, disse a Bom Futuro, em nota. No caso da SLC, o pagamento seria dividido em duas parcelas: um sinal de R$ 700 milhões, que será depositado em conta vinculada em até cinco dias úteis, e o saldo de R$ 1,15 bilhão, previsto para a assinatura das escrituras públicas de compra e venda, até 30 de outubro de 2026. A operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes, entre elas eventual aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a assinatura das escrituras públicas de compra e venda. Em reunião realizada na quinta-feira (25/6), o Conselho de Administração da SLC Agrícola aprovou por unanimidade o exercício do direito de preferência e autorizou a diretoria a adotar todas as medidas necessárias para concluir a operação. Na mesma reunião, o conselho também autorizou a diretoria a iniciar negociações para uma eventual "desmobilização seletiva de determinados ativos imobiliários rurais". Segundo a empresa, a medida faz parte da estratégia de otimização do portfólio de ativos. Fluxo de caixa Em relatório, o Citi avalia que, no caso da SLC, a operação deve elevar a pressão sobre o fluxo de caixa da empresa, em meio a um cenário de altas taxas de juros no país. Na avaliação do banco, também haverá um impacto com o aumento na alavancagem - relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado - da SLC, que pode ficar em torno de 2,7 vezes. Além disso, a taxa de retorno das terras próprias é considerada pequena, e viria somente em cerca de dez anos. "Podemos ver números mais baixos no próximo ano, dado os prováveis impactos negativos do forte El Niño, enquanto as taxas de juros no país ainda podem estar em níveis altos", afirmou o analista do Citi Gabriel Barra no relatório. O benefício da aquisição, segundo o analista, está principalmente em pagamentos de arrendamentos mais baixos, mas o equilíbrio entre o custo de oportunidade, com a taxa básica de juros Selic em 14,25%, e o custo de arrendamento "não parece favorável (~5%)". Em contrapartida, a aquisição deve gerar um leve aumento no Ebitda. "Esperamos que a empresa aumente 3 mil hectares físicos na próxima temporada de safra e os 8 mil ha restantes na temporada 2028/29, observando a possibilidade de segunda safra nessa área", acrescentou Barra. Citando informações da imprensa, o Citi destacou que a SLC já arrenda 17,6 mil hectares, de um total de 28,8 mil hectares em áreas da operação. A compra das terras da Radar ainda depende do cumprimento de condições precedentes, entre elas eventual aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a assinatura das escrituras públicas de compra e venda. Initial plugin text
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