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Importação de ureia desaba, e volume é o menor em dez anos

Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial] June 24, 2026
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Mesmo com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã, o conflito no Oriente Médio continua influenciado o mercado global de fertilizantes. Entre janeiro e maio, cerca de 1,5 milhão de toneladas de ureia chegaram ao Brasil, segundo relatório do Rabobank. Trata-se do menor volume dos últimos dez anos. Em maio de 2026, chegaram ao país 116 mil toneladas de ureia, cerca de 64% abaixo do registrado em igual período do ano passado, conforme o relatório. “Ainda existe tempo para compensar esse atraso, mas a cada dia fica mais difícil observar uma importação de ureia acima do volume importado em 2025”, observou o Rabobank. A demanda retraída por ureia reflete a trajetória recente de preços semelhante à observada nas primeiras semanas da guerra na Ucrânia em 2022. De acordo com o relatório, naquela ocasião o preço levou cerca de seis semanas para atingir o pico, e outras dez semanas para retornar ao nível anterior ao conflito. Leia também Preços de bioinsumos podem variar até 77% no mesmo produto, diz estudo Setor de fertilizantes especiais faturou menos em 2025, mas confia em retomada Já as importações totais de fósforo entre janeiro e maio estão 3% acima do mesmo período do ano passado. A queda nas importações de MAP está sendo compensada de certa forma por mais compras de supersimples (SSP) e supertriplo (TSP), segundo o Rabobank. O cenário leva à projeção de uma retração na demanda por fertilizantes em geral 2026. O RaboResearch, braço de pesquisa e inteligência de mercado do Rabobank, calcula que a entrega de fertilizantes no país deve ficar ao redor de 45,1 milhões de toneladas até o fim do ano, o que representa queda anual de 8,2%. Por ora, no entanto, a redução da importação de fertilizantes não impactou a perspectiva de safras recorde de soja em 2026/27. O RaboResearch estimou que a colheita de soja na próxima safra deve alcançar 182 milhões de toneladas. Dentro desse contexto, a divisão de pesquisa do Rabobank também projeta novos recordes para o consumo da oleaginosa brasileira. Entre janeiro e maio de 2026, conforme dados da Cargonave, houve um crescimento de 8% nas exportações de soja. Para a conclusão do ano, a estimativa é de que os embarques alcancem 113 milhões de toneladas, um acréscimo de 5 milhões de toneladas em relação à safra passada. A instituição destacou que as exportações brasileiras permaneceram aquecidas mesmo diante da elevação dos fretes internos, dos sinais de enfraquecimento da demanda chinesa e da apreciação do real frente ao dólar. O relatório do banco holandês apontou ainda que, no primeiro semestre do ano, os preços da soja foram fortemente influenciados pelo cenário geopolítico. Nas últimas semanas, porém, com o avanço da safra americana, as cotações voltaram a ser guiadas pelos fundamentos do mercado. O RaboResearch ainda revisou para cima a estimativa para a safra brasileira de milho de 2025/26. O volume de produção agora é estimado em 138 milhões de toneladas, 1 milhão a mais em relação ao último relatório. A revisão deve-se principalmente às condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras de milho “safrinha” em Mato Grosso. Já a concorrência com os Estados Unidos e a Argentina deve restringir o ritmo das exportações de milho em 2026. O banco reduziu sua projeção para os embarques de 2026 em 3 milhões de toneladas, para 39 milhões de toneladas.

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