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"textContent": "\nCom o preço do mandioca em queda, os produtores precisa realizar estratégias para reduzir prejuízos. No Paraná,o segundo maior produtor nacional e líder no cultivo com finalidade industrial, a solução tem sido deixar a raiz por mais tempo no campo. A estratégia usa uma peculiaridade da mandiocultura, que é a possibilidade de deixar a planta na terra por mais de um ano, sem a necessidade expressa de colheita como ocorre em culturas anuais. “É uma situação que foi incentivada pela manutenção dos preços em patamares mais baixos”, afirma Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral). O sistema de produção da mandioca no ciclo longo consiste em manter a lavoura no campo por 18 a 24 meses. É o método focado na produção industrial de farinha e fécula, pois costuma maximizar o acúmulo de amido e o peso das raízes. Já a produção de primeiro ciclo tema colheita realizada entre 12 e 14 meses após o plantio, segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná). De acordo com o Deral, no primeiro trimestre de 2026, os preços da mandioca pagos aos produtores recuaram 21% em relação ao mesmo período de 2025. No ano passado, o preço médio recebido pelos agricultores foi de R$ 552,19 por tonelada, valor 5% superior ao registrado em 2024 (R$ 525,50), mas 31% menor que a média de R$ 797,49 por tonelada registrada em 2023. \"Essa dinâmica faz com que haja uma proporção cada vez maior de áreas de segundo ciclo em relação ao total, pois essas possuem produtividades maiores e pressionam ainda mais os preços”, avaliou Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Deral. A recondução das lavouras para o ciclo longo fez com que, mesmo sem aumentar o plantio em 2025, a previsão de área colhida de mandioca subisse 6% em 2026, para 148,6 mil hectares - em comparação aos 140,1 mil hectares do ano passado. Segundo o Deral, a diferença é causada porque raízes que seriam retiradas em 2025 foram deixadas no campo. Também há estimativa de alta na produção, que pode superar 4 milhões de toneladas, frente às 3,6 milhões de toneladas produzidas na safra do ano passado. “Não há perspectiva de novos plantios, no entanto há estimativa de uma área maior para a cultura, visto que lavouras não colhidas vão se acumulando”, comenta Godinho. O agrônomo alerta que essa dinâmica também dificulta as previsões de colheita e produção antes do fim da safra, uma vez que lavouras que seriam colhidas em 2026 também poderão ser deixadas para 2027. O Deral também observa que a retração dos valores pagos aos produtores começa a fazer com que menos áreas de pastagens sejam arrendadas para o cultivo de mandioca, visando ajustar a oferta. “Os altos preços do arrendamento, baseados no inflacionado preço do boi gordo, acentuam essa dinâmica”, completa Godinho. No campo O agricultor André Mataruco produz mandioca numa área de 200 hectares em Diamante do Norte, noroeste do Paraná. Ele conta que sempre optou pelo ciclo longo da cultura, mas observa que o padrão tem sido adotado por produtores da região que até então colhiam a raiz no primeiro ciclo. “Estão vendo que a conta não fecha e arriscando deixar para o segundo ciclo para ao menos tentar cobrir o custo de produção”, afirma Mataruco. Produtor André Mataruco Arquivo pessoal O mandiocultor enfatiza que o custo de produção subiu 100% nos últimos cinco anos. Além do óleo diesel e dos insumos, que tiveram alta atrelada aos conflitos internacionais, ele aponta a elevação do custo da mão de obra, amplamente utilizada para tratos culturais e colheita e que, adverte, corresponde a 50% dos gastos. Por outro lado, o preço pago - calculado com base no teor de amido da raiz - está desatualizado, acredita Mataruco. “O valor está equiparado ao de dez anos atrás, quando nosso poder de compra era maior. A rentabilidade caiu muito, o produtor de mandioca está praticamente pagando para trabalhar”, frisa. Com plantio e colheita escalonados, ele planta e colhe todos os anos. Neste ano, devido à praga do besouro migdolus, que atingiu a lavoura, Mataruco antecipou a colheita, que chegou a aproximadamente 5 mil toneladas. “O produtor de mandioca tem um pouco de esperança, não vai deixar de plantar apesar desse cenário. Deve reduzir a área de plantio em torno de 10% a 15%, a fim de voltar a pagar os custos de produção, o que pode resultar numa produção estadual menor nos próximos anos”, prevê. Produtor Marcos Aurélio Silva C. Vale/Divulgação Marcos Aurélio da Silva, que planta mandioca em uma área arrendada em Anahy, no oeste do Paraná, é um dos agricultores que pretende reduzir a área de plantio. Dos 21,7 hectares plantados atualmente, ele planeja uma diminuição de 40% da área no próximo ano: “se a cultura tivesse um bom rendimento, eu até manteria, mas hoje o produtor de mandioca não tira o dinheiro aplicado na lavoura”. Considerando que o ciclo longo costuma intensificar a produção e já prevendo uma alta oferta de mandioca no próximo ano, Silva manteve o sistema de produção de primeiro ciclo e está com a colheita em andamento. Ele pretende colher em torno de 26,8 toneladas por hectare. O agricultor também comenta que atrasou a colheita por estar esperando liberação de entrega na fecularia, que atua com 100% da operação na região. “Tem bastante oferta, mas minha intenção é completar a colheita de toda a área”, reforça. Para ele, além do alto custo de produção, a cultura da mandioca tem na pouca oferta de mão de obra um dos gargalos. Hoje, na propriedade dele, 80% dos trabalhadores são aposentados, uma vez que, de acordo com Silva, os mais jovens não têm interesse na atividade. Initial plugin text",
"title": "Preço baixo faz produtor de mandioca deixar a planta mais tempo na lavoura"
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