Resistência política trava nomeação em nova diretoria da Embrapa
Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial]
June 13, 2026
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aguarda há mais de um mês o encaminhamento interno no governo federal da nomeação do pesquisador Alexandre Alonso para o comando da recém-criada Diretoria de Negócios da estatal. Atual chefe da Embrapa Agroenergia, ele teve o nome aprovado por unanimidade no fim de abril pelo Conselho de Administração (Consad), mas o seguimento do processo tem enfrentado resistências no Executivo, apurou a reportagem. O Ministério da Agricultura disse que ainda não houve definição de quem irá assumir o cargo na nova diretoria. Fontes a par do assunto afirmam que pressão política trava o prosseguimento do processo. A mudança de presidência no Consad gerou nova expectativa na estatal. Membros do conselho e do alto escalão da estatal esperam que o novo presidente, Guilherme Coelho, consiga destravar a nomeação de Alonso e fazer com que a nova diretoria efetivamente saia do papel. Próximo do ministro André de Paula, Coelho já foi demandado para tentar dar andamento ao processo. Procurado, ele não respondeu. Na estatal, a demora na nomeação tem gerado incômodo. Fontes dizem que a indefinição dificulta a coordenação de iniciativas que a empresa queria ver sair do papel rapidamente com a nova diretoria, como a modernização dos mecanismos de inovação, aprimoramento da gestão de receitas próprias, estruturação de novos instrumentos de financiamento e a ampliação do relacionamento. Uma pessoa relatou que há disputas internas e dificuldades de alinhamento no ambiente de indefinição. Há preocupação também com o recado ao mercado e aos parceiros com a demora na nomeação do diretor de uma área considerada estratégica e prioritária. Interlocutores apontam risco de perda de oportunidades. A criação da nova diretoria de Negócios foi aprovada na Assembleia-Geral Ordinária da Embrapa de abril deste ano após tramitação no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). A estruturação da área terá “ênfase em modelos inovadores de captação de recursos e na definição de fluxos e políticas de distribuição que fortaleçam a Embrapa como empresa única”, diz ata da reunião mais recente do Consad. O foco será no relacionamento com o setor privado e na geração de novas fontes de financiamento, para evitar a dependência exclusiva do orçamento público. Leia também Embrapa Soja e Promip fazem parceria para impulsionar manejo integrado de pragas ‘Embrapa é modelo global, mas tem de manter investimentos para não recuar’ Guilherme Coelho assume presidência do Conselho de Administração da Embrapa Três servidores se candidataram à vaga de diretor em processo interno de seleção: Alexandre Alonso, Carina Gomes Rufino (da Embrapa Soja) e Daniel Trento (da Assessoria de Projetos Especiais). Nessa sexta-feira (12/6), André de Paula conversou com os três candidatos, disse uma fonte. Consultado, o ministério não comentou. O nome de Alexandre Alonso foi aprovado por unanimidade pelo Consad no fim de abril e encaminhado ao Ministério da Agricultura, que tem segurado a indicação desde então, informaram fontes. A Pasta precisa encaminhar o nome do pesquisador para a Casa Civil, o que ainda não ocorreu. O Ministério da Agricultura disse, em nota enviada antes das reuniões da sexta-feira, que “o nome ainda não foi definido” e que “assim que a decisão for formalizada, a informação será divulgada oportunamente”. A Pasta já aprovou, para a fase inicial, a criação do cargo de diretor, de uma gerência-geral e de um assessor para a diretoria de Negócios. A criação dessa diretoria foi ideia do ex-presidente do Consad, Carlos Augustin, que queria dar “um pingo de capitalismo” para a empresa. A intenção é destravar novas parcerias e a arrecadação de recursos privados para o financiamento da pesquisa agropecuária pública. O conselho indicou que a nova diretoria precisa entregar “resultados diferenciados e disruptivos, com modelos inovadores de captação de recursos, a exemplo de fundos imobiliários, fundos soberanos e fundos internacionais”, diz a ata da reunião de 23 de abril, em Brasília. A criação da diretoria foi contestada pelo sindicato dos empregados da Embrapa (Sinpaf). A entidade defende maior transparência no processo, responsabilidade fiscal e preservação da “missão pública” da empresa. Procurada, a Embrapa informou que enviou para o Ministério da Agricultura, em 30 de abril, o resultado do processo seletivo realizado pelo Consad, que escolheu Alexandre Alonso para a vaga. “Cabe ao ministério e à Casa Civil a decisão final”, disse em nota. A estatal informou ainda que se reuniu com o sindicato dos empregados no início de maio para prestar esclarecimentos sobre a criação da diretoria.
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