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  "textContent": "\nO cultivo de cogumelos ganha força em Minas Gerais, especialmente na Serra da Mantiqueira e no sul do Estado, atraindo agricultores familiares e estreantes no meio rural. Um exemplo é a ex-comerciante de calçados Débora Rezende Garcia Vieira. Moradora de Muzambinho, ela teve que fechar sua loja na pandemia e encontrou no cultivo de cogumelos sua nova fonte de renda. Débora tornou-se pequena produtora no sítio de 7.000 metros do seu pai, com a ajuda do marido, Filipe Vieira. \"Eu queria trabalhar com um produto orgânico na minha região, que é dominada por fazendas de café e granjas. Comecei a estudar abacate, morango, hidroponia e, buscando um diferencial, descobri o cogumelo e me tornei a primeira produtora do meu município\", afirma. Com um investimento de R$ 40 mil, ela montou em 2022 uma estufa, onde produz mensalmente cerca de 60 quilos de shimeji branco. Segundo Débora, essa varieade se adapta melhor em regiões de oscilação de temperatura como o sul de Minas, onde o termômetro vai de -1ºC com geada a 33ºC ao longo do ano. A estufa tem telhado ecológico montado com caixinhas recicláveis de leite - que retêm até 70% do calor e seguram o frio -, base de alvenaria e tela nas laterais para evitar a entrada de insetos, como as joaninhas. A umidade é mantida em 80% e a temperatura fica entre 20ºC e 26ºC. “O cogumelo é colhido de manhã e vai para a geladeira para interromper seu crescimento. Após cinco horas, é manipulado, vai para bandeja e já é distribuído. Como tem apenas oito dias de validade, precisa de uma circulação rápida”, diz a produtora. Pratos feitos com cogumelos Shimeji Divulgação Débora vende o shimeji fresco em várias cidades da região, entregando direto em varejões, restaurantes e na casa de clientes. \"No início, eu só entregava em Muzambinho. Ia de porta em porta fazendo um trabalho de divulgação sobre os benefícios do cogumelo. Muitos diziam que não comeriam aquilo porque tinham medo de morrer. Aí, com a ajuda de uma gastróloga, desenvolvi alguns pratos, como pastel de shimeji, antepasto, confitado, e passei a oferecer degustações\", lembra Agora, Débora se prepara para aumentar a produção. Vai instalar mais prateleiras na estufa e contratar seu primeiro funcionário para manter a qualidade do shimeji, que demanda cuidados constantes. Seu trabalho de divulgação de porta em porta virou uma oportunidade de negócios no sítio: ela aderiu ao turismo rural e agora recebe clientes agendados para visita guiada na estufa com degustação de pratos preparados com o fungo na sequência. “Mudar para o cogumelo foi a melhor coisa que fiz. Minha renda aumentou, moro a 30 metros da minha mãe e temos uma boa qualidade de vida para criar nossa filha.” Leia também Cogumelos comestíveis, alucinógenos ou tóxicos: tem como diferenciar? Como os cogumelos poderão substituir os chips de computador no futuro Milho mofado? Conheça o fungo que virou iguaria de R$ 400 o quilo",
  "title": "Comerciante trocou a venda de sapatos pelo cultivo de cogumelos shimeji em Minas Gerais"
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