Estudo revela agtechs mais maduras, mas com baixa atração de investimentos
Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial]
June 6, 2026
Um estudo feito em parceria pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups) e pela Universidade de São Paulo (USP) mostra que as agtechs nacionais estão mais maduras, mas o ambiente de inovação ainda é concentrado em algumas regiões do país e há dificuldade de atração de investimentos. O levantamento mapeou 170 agtechs com o objetivo de traçar o perfil e identificar os principais indicadores das empresas brasileiras do setor. Segundo os achados, o segmento avança apoiado por redes de inovação e instituições acadêmicas. Entre as empresas analisadas, 79% afirmam contar com dois ou mais parceiros estratégicos. Os hubs de inovação aparecem como os aliados mais frequentes, presentes em 52,9% das agtechs mapeadas, seguidos pelas instituições acadêmicas, citadas por 50% das empresas. Na avaliação da Abstartups, o resultado reforça a aproximação entre ciência, tecnologia e agronegócio no desenvolvimento de soluções para o campo. A pesquisa também destaca a capacidade de sobrevivência dessas empresas. Cerca de 32,9% das agtechs estão em atividade há mais de cinco anos, superando o chamado "vale da morte", período inicial de até quatro anos em que muitas startups encerram as operações. O estudo mostra que para alcançar esse estágio, grande parte precisou adaptar seus rumos: 51,4% dos empreendedores revisaram a estratégia original para adequar o negócio às demandas do mercado. Atualmente, a maior parcela do setor se encontra em fases intermediárias de desenvolvimento. A etapa de validação reúne 32,9% das startups, seguida pela fase de tração, com 26,4%, e pela operação, com 25%. Apenas 10% já alcançaram a fase de escala. Nesse processo de amadurecimento, as soluções em nuvem ganham espaço, mostra o estudo. O modelo SaaS (Software as a Service) lidera entre as formas de comercialização, com adesão de 39,2% das empresas. A venda direta aparece na sequência, com 24,7%. O foco permanece majoritariamente corporativo: 50,6% das agtechs atuam no segmento B2B, fornecendo produtos e serviços para outras empresas do setor. Concentração O estudo mostra uma concentração regional das startups do agro. O Sudeste tem 52,9% das startups analisadas. São Paulo lidera com 38,8% das empresas, mas a expansão já alcança outros Estados. Rio Grande do Sul e Minas Gerais dividem a segunda posição, com 12,4% de participação cada. Na sequência, a região Sul reúne 25,9% das agtechs. Paraná responde por 7,1% desse universo, enquanto Santa Catarina concentra 6,5%. A maior parte dessas empresas opera com estruturas enxutas. Equipes de um a cinco colaboradores representam 59,9% das startups mapeadas. O modelo híbrido domina a rotina de trabalho de 63% delas, enquanto o home office aparece em 24,7%. Capital ainda é desafio O acesso a investimentos continua sendo um dos principais obstáculos para o crescimento das agtechs brasileiras. Segundo a Abstartups, 52,4% das empresas nunca receberam aporte financeiro. Entre aquelas que conseguiram captar recursos, o fomento público lidera como principal fonte, com 25,5%, à frente dos investidores-anjo, responsáveis por 23,6%. Os recursos também costumam permanecer próximos de sua origem. Mais da metade dos investimentos, equivalente a 54,8%, vem do próprio Estado onde a startup está instalada. O levantamento também chama atenção para a proteção da propriedade intelectual. Atualmente, 76,4% das agtechs não possuem patentes registradas. Para a Abstartups, esse cenário pode limitar a competitividade e reduzir o valor dessas empresas no longo prazo. Avançar na proteção do conhecimento surge, portanto, como um dos próximos passos para fortalecer a inovação brasileira no campo e ampliar sua presença nos mercados internacionais.
Discussion in the ATmosphere