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"textContent": "\nUm projeto apoiado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) busca ampliar a produção de jaborandi no Brasil e fortalecer a cadeia de um insumo considerado estratégico para a indústria farmacêutica global. Desenvolvido pela Centroflora em parceria com a Unidade Embrapii Tecnologias em Química Verde, do Senai, o trabalho quer aumentar a produtividade da planta e elevar o teor de pilocarpina, substância usada em medicamentos para glaucoma e outras doenças. Desde o início das pesquisas, o projeto já recebeu cerca de R$ 2,5 milhões em investimentos. O trabalho acontece em Parnaíba, no semiárido do Piauí, onde pesquisadores adaptaram o jaborandi, planta nativa de áreas úmidas da Amazônia, para o cultivo em condições secas. Segundo Luciene Costa Vasconcelos, gerente industrial da Centroflora, a iniciativa surgiu justamente porque a espécie é originária de regiões como Pará e Maranhão. “No ambiente natural, ela cresce em áreas inclinadas, sob a sombra de árvores. É um arbusto que chega, no máximo, a dois metros de altura”, explica. No Piauí, porém, o cultivo ocorre em uma fazenda plana de 66 hectares, sob pivô de irrigação e exposta a temperaturas que chegam aos 40 °C praticamente o ano inteiro. A área fica na região dos tabuleiros litorâneos, que conta com incentivos do governo federal pela disponibilidade de água, clima previsível e baixa ocorrência de intempéries, como geadas. “Um dos grandes desafios foi justamente adaptar essa planta a um ambiente completamente diferente do seu habitat original”, afirma. Para viabilizar o cultivo, a Embrapii passou a atuar principalmente nos estudos sobre a microbiota do solo. “Não basta apenas germinar a planta e colocá-la na terra. Era necessário entender também as condições biológicas e químicas do solo de origem e compará-las às da nossa região”, diz Vasconcelos. A equipe coletou amostras nas áreas do projeto e também nas regiões nativas da espécie para entender como as diferenças químicas e biológicas do solo influenciam o desenvolvimento do jaborandi e a produção da pilocarpina. Uma delas é o uso de sombrite durante a fase inicial, quando as mudas ainda permanecem nos tubetes. A estrutura reduz a intensidade do sol e ajuda na adaptação gradual ao clima do semiárido. “Se colocarmos as mudas diretamente no sol, cerca de 70% delas podem morrer antes mesmo de se desenvolverem”, explica. Sistema de sombrite Divulgação Enquanto permanecem nos tubetes, as plantas ainda apresentam baixo teor de pilocarpina, principal composto extraído do jaborandi. O índice começa a aumentar naturalmente apenas após um período de um a dois anos no solo, com irrigação, adubação e manejo adequados. “Hoje já conseguimos observar melhorias nesse índice, mas normalmente são necessários de dois a três anos para que a planta alcance o teor ideal, entre 0,7% e 1%”, afirma. O manejo da poda também influencia diretamente na produtividade. Segundo Vasconcelos, dependendo da forma como o corte é realizado, a planta pode rebrotar com mais galhos e formar uma touceira maior. “Estudamos fatores como altura do corte, adubação, irrigação e manejo do solo para estimular o aumento do ativo.” A pilocarpina concentra-se principalmente nos 50 centímetros superiores da planta, o que exige cuidado durante a colheita. “Se a poda ultrapassar esse limite, existe até o risco de matar algumas mudas menores. Tudo isso impacta diretamente na produtividade”, explica. Hoje, o jaborandi possui, no máximo, cerca de 1% de pilocarpina. Após a colheita, as folhas passam por um processo industrial de extração e purificação até atingir o grau de pureza exigido pela indústria farmacêutica. Segundo Vasconcelos, o produto final não é um fitoterápico. “No fitoterápico, utiliza-se o extrato da planta quase diretamente como medicamento. No nosso caso, isolamos o princípio ativo. Para se ter uma ideia, de aproximadamente 60 toneladas de planta conseguimos extrair cerca de 250 quilos do produto puro”, afirma. Ela explica que a etapa industrial exige controle rigoroso de temperatura, pressão e qualidade para evitar impurezas durante a extração da substância. A pilocarpina na prática A pilocarpina é usada principalmente no tratamento de glaucoma e xerostomia, condição em que a pessoa tem dificuldade para produzir saliva. O sintoma é comum, por exemplo, em pacientes que passaram por tratamentos contra câncer na região da garganta. Sistema de controle Divulgação Como o composto integra medicamentos como colírios e comprimidos, ele precisa atingir um nível elevado de pureza para minimizar efeitos colaterais. “Trabalhamos dentro das exigências da farmacopeia internacional”, afirma a gerente. Segundo Vasconcelos, a pilocarpina produzida pela empresa pode ser comercializada em cerca de 80 países, incluindo mercados como China, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e países da Europa. Estágio atual A fazenda ainda está em fase de implantação do cultivo. Por isso, a produção depende majoritariamente do extrativismo. Hoje, cerca de 90% da matéria-prima vem da extração e 10% do plantio cultivado, segundo Vasconcelos. Ela afirma que o processo ocorre de forma estruturada e sustentável. “Trabalhamos com cooperativas no Pará e no Maranhão, temos contratos e fornecedores qualificados, além de orientações para evitar danos às plantas nativas. Existe todo um trabalho de ESG envolvido nesse processo.” Sistema de controle e cultivo Divulgação Como se trata de um projeto agrícola, os resultados aparecem de forma gradual. Plantas que há um ano e meio tinham cerca de 50 centímetros agora se aproximam de um metro de altura, indicando boa adaptação ao sistema de irrigação e às condições locais. “Também percebemos que as podas funcionam como uma espécie de estímulo de defesa para a planta, fazendo com que ela produza mais ativo. Então existe todo um manejo gradual para acelerar esse processo.” Depois da identificação dos indivíduos mais adaptados e com maior teor de pilocarpina, eles passam a ser replicados. Segundo a gerente, esse será o próximo passo do projeto. Para os pesquisadores envolvidos, o projeto mostra como a integração entre áreas como agronomia, química, biologia e biotecnologia pode transformar uma espécie nativa em um insumo farmacêutico de alto valor agregado. Initial plugin text",
"title": "Projeto amplia produção de jaborandi para atender à indústria farmacêutica"
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