Colheita de milho segunda safra começa com quebra consolidada no país
Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial]
May 24, 2026
Ainda que de forma pontual, produtores brasileiros deram início à colheita do milho da segunda safra da temporada 2025/26. Para este ciclo há uma certeza: a produção será menor que a colhida no ano passado. Isso deve levar a um aumento nos preços no país e ainda impactar o resultado das exportações. O desempenho da safra deve ser puxado para baixo principalmente pelo Estado de Goiás. O quarto maior produtor de milho de segunda safra do país enfrentou escassez de chuvas. Com menos peso no balanço da safra nacional, Minas Gerais também terá uma produção menor neste ciclo. “Os principais problemas para a safra estão em Goiás e em áreas de Minas Gerais, como Triângulo Mineiro e Unaí. Essas regiões sofreram com tempo muito seco em março e abril. Mas Goiás é onde se concentra o problema com o milho segunda safra, e a quebra é evidente, com redução de 5 milhões de toneladas”, estima Fabio Meneghin, diretor e sócio fundador da Veeries Inteligência em Agronegócio. Produtores goianos iniciarão a colheita dos campos de milho a partir de junho. Diante da condição atual das lavouras, um possível retorno das chuvas não deve ser suficiente para reverter as perdas previstas. “Para o início de junho são esperadas chuvas irregulares, que devem chegar em Minas e também em Goiás, mas acredito que essa chuva já tenha vindo tarde para muitas lavouras”, diz Ludmila Camparotto, meteorologista da Rural Clima. Segundo o fundador da Veeries, mesmo com uma área recorde, de 18,2 milhões de hectares, os percalços com o clima levarão a produção de milho de segunda safra do Brasil para 114 milhões de toneladas, ou 6 milhões a menos que em 2024/25. A estimativa da Veeries é superior à da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estatal prevê a colheita de 108,4 milhões de toneladas de milho segunda safra, ou 4,2% menos que no ciclo 2024/25. Exportação Com a menor oferta do cereal, a exportação de milho do Brasil poderá ser comprometida. “Goiás não deve exportar milho este ano, e deve buscar o grão em regiões de Mato Grosso e Paraná. Além disso, o câmbio próximo de R$ 5 não ajuda na exportação nacional. Então podemos ver os embarques entre 37 milhões e 39 milhões de toneladas, inferior as 40 milhões do ano passado”, projeta Meneghin. Roberto Carlos Rafael, sócio da Germinar Agronegócios, também vê dificuldades para o Brasil conseguir embarcar 40 milhões de toneladas de milho este ano, principalmente devido ao conflito entre EUA e Irã. O país persa, em guerra com os americanos desde o fim de fevereiro, foi o principal destino do milho brasileiro em 2025, com 9 milhões de toneladas. “O Brasil vai sofrer para exportar 40 milhões de toneladas este ano, primeiro pela provável quebra na safra. O segundo ponto é a situação econômica e social do Irã que se deteriorou com a guerra. Neste momento há dificuldade de importar qualquer tipo de produto”, afirma Rafael. Preços Do ponto de vista de preços, os analistas divergem sobre qual será a dinâmica para o mercado interno no segundo semestre com a perspectiva de queda na produção. Para Roberto Carlos Rafael, da Germinar, com estoques de passagem de 18 milhões de toneladas, houve acomodação das cotações no Brasil. Assim, uma reação deve acontecer apenas em algumas regiões. “Goiás tem muita força de consumo as usinas de etanol de milho. Essas indústrias eventualmente pagarão um prêmio para não deixar o cereal sair do Estado, e essa valorização então pode ser mais regional”, destaca Rafael. Já Fabio Meneghin, da Veeries, projeta alta de até 10% para o cereal na B3, nos contratos com vencimento para novembro. “É um cenário mais apertado em termos de oferta, mas nada que leve a um quadro de desabastecimento. O comportamento das cotações também vai depender do desenvolvimento da safra nos EUA. Qualquer problema que tivermos por lá pode refletir no preço aqui”, diz. Apesar da previsão de uma segunda safra de milho menor em Mato Grosso, Paraná, e Mato Grosso, os três maiores produtores nacionais, nessa ordem, o desenvolvimento nesses Estados está satisfatório, em que pese o relato de problemas pontuais em algumas localidades. Em Mato Grosso, as lavouras no oeste do Estado sentiram a falta de chuva, enquanto leste e norte deverão obter produtividades excelentes, de acordo com Meneghin. No Paraná, por sua vez, os episódios recentes de geadas não trouxeram danos significativos para as lavouras. Para o início de junho, a Rural Clima vê possibilidade de novamente o fenômeno trazer preocupação. “Ainda não tivemos uma geada intensa para áreas produtoras. A manutenção desse quadro pelos próximos 15 dias deve garantir que o milho não seja prejudicado pelo frio extremo”, avalia Roberto Carlos Rafael, da Germinar Agronegócios. Initial plugin text
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