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Ginseng do Paraná ganha potencial de mercado com Indicação Geográfica

Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial] May 16, 2026
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O ginseng de Querência do Norte, no Paraná, conquistou recentemente o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem (DO). O título, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), deve impulsionar um novo cenário para os produtores rurais que cultivam a planta, conhecida pelas propriedades estimulantes e revitalizantes. A conquista foi divulgada no último dia 5 de maio. Além de valorizar as tradições locais, a expectativa com o reconhecimento é que a identidade do produto seja fortalecida, com melhora de inserção no mercado. A DO certifica que as qualidades do produto decorrem essencialmente do ambiente onde é produzido, incluindo solo, clima, conhecimentos e saberes dos produtores. “Com a IG, a expectativa é de que nosso ginseng tenha maior notoriedade nacional e mundial, atraindo novos compradores e mercados”, avalia Misael Nobre, produtor e sócio-diretor da Associação de Pequenos Agricultores de Ginseng de Querência do Norte (Aspag). Ele destaca que o ginseng é produzido de forma sustentável, em condições naturais ideais que conferem ao produto um terroir único. Atualmente, a produção de ginseng ocupa aproximadamente 30 hectares em Querência do Norte. Misael explica que o plantio é realizado a partir da produção de mudas provenientes de sementes locais. Os produtores realizam a colheita e a venda não só das raízes, mas também da parte aérea do ginseng, que são os talos, folhas e flores. Conforme a Aspag, isso só foi possível após estudos científicos comprovarem que a parte aérea da planta tem princípios ativos tanto quanto as raízes. “A produção anual de raízes de ginseng totaliza 300 toneladas do produto in natura, o que possibilita a produção de 60 toneladas por ano de raízes secas. De toda a produção, 95% é exportada para a França, China e Japão, para fins medicinais e cosméticos”, explica o produtor. Neste início de maio, a associação preparou um novo lote de exportação para a França, somando mais 1,2 toneladas destinadas à indústria cosmética. Desde 2015 os produtores vendem também para a China e Japão, com foco no segmento medicinal no Oriente. “A tendência é aumentar as vendas para outros países. Hoje, além da produção de raízes de ginseng rasurada, desidratada e em pó, produzimos licor e sabonete”, acrescenta Misael. Os resultados contribuem com a renda de cerca de 30 famílias, entre produtores e profissionais que atuam de maneira indireta na cadeia produtiva, como transporte e beneficiamento. A produção envolve principalmente agricultores familiares de assentamentos de reforma agrária e o povo e comunidade tradicional dos ilhéus do rio Paraná. Produção de ginseng em Querência do Norte (PR) Arquivo/Aspag Benefícios e características O ginseng é uma planta originária da Mata Atlântica, nativa em Querência do Norte e cultivada nas ilhas e várzeas banhadas pelo rio Paraná. A espécie tem até dois metros de altura, possui caule ereto, folhas com pecíolos, forma ovalada, e por se adaptar ao solo e clima da região pode ser colhida a qualquer tempo sem perder a qualidade. A trajetória para buscar o reconhecimento do produto teve início em 2019. Para provar a qualidade da planta produzida na região, foi realizada a coleta e a comparação da mesma variedade plantada em outro Estado. Segundo Misael, quanto maior é o tempo de plantio, maior é também a concentração de beta-ecdisona, o princípio ativo da planta. “Com apenas um ano e meio de plantio, em relação à amostra coletada em outro Estado, o nosso produto apresentou o dobro da substância, que é o que propicia os benefícios oferecidos pela planta”, enfatiza. Entre os benefícios atribuídos ao ginseng por especialistas estão a redução do estresse e da fadiga, melhora da memória, fortalecimento dos músculos do coração, melhora da imunidade, ação anti-inflamatória, antioxidante e hidratante, entre outros. Também foi desenvolvido um caderno de especificações técnicas, além de levantamento de dados, formação de comitê gestor, adequação do estatuto da associação e desenvolvimento do signo distintivo do produto. “A conquista é um marco que eleva o patamar da nossa produção. Uma indicação geográfica não é apenas um selo, é uma ferramenta poderosa de diferenciação no mercado”, avalia Natalino Avance de Souza, diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná). “A IG garante ao consumidor a autenticidade e a qualidade vinculada ao nosso território, permitindo que o produtor rural paranaense capture mais valor e acesse mercados globais que exigem rastreabilidade e tradição”, completa. O secretário municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico, André Melão, considera que a IG, ainda, irá estimular a organização da cadeia produtiva, “gerando empregos, incentivando investimentos e consolidando Querência do Norte como referência nacional na produção de ginseng”. A conquista da IG do ginseng de Querência do Norte é fruto de um trabalho coletivo entre a Aspag, Sebrae/PR, IDR-Paraná, Prefeitura de Querência do Norte, Sicredi, Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Instituto Federal do Paraná (IFPR-Umuarama). Leia também Como plantar gengibre na terra? Veja passo a passo simples Entenda por que a batata-doce virou a queridinha das academias

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