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Para a MBRF, mercado para a carne de frango em 2026 está melhor do que previsto

Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial] May 15, 2026
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O diretor presidente global da MBRF, Miguel Gularte, disse a analistas nesta sexta-feira (15/05) que a oferta de frango se encontra em “equilíbrio perfeito” com a demanda, com o apetite do mercado internacional “melhor do que se supunha”. Gularte participou de teleconferência de resultados da companhia no primeiro trimestre de 2026. “Começamos 2026 com correção de preços [para cima] de forma generalizada, mas principalmente no Oriente Médio, com o conflito na região”, afirmou Gularte a analistas. “Olhando o que resta do ano, estamos muito animados. O ano de 2026 tem todos os sinais para superar 2025, e a empresa se encontra preparada para colher o que plantou”, continuou. O diretor vice-presidente de finanças e relações com investidores, José Ignácio Scoseria Rey, que também participou da teleconferência, disse que a companhia trabalha com perspectiva similar à de consultorias do mercado para a oferta de frango no Brasil em 2026, da ordem de 2% maior, que seria contrabalançada pela demanda aquecida, especialmente do mercado externo. “Não deve haver nenhum desequilíbrio em relação à oferta e demanda de frango”, reforçou Rey. No mercado doméstico, onde o volume vendido pela unidade de negócios BRF no primeiro trimestre foi 5,5% menor do que no mesmo período do ano passado, a empresa observou queda dos preços do frango e do suíno in natura, o que resultou em redução de margens de lucro, de acordo com Rey. Já os produtos processados mantiveram margens “resilientes” e a perspectiva é que essa dinâmica se mantenha no restante do ano, disse o executivo. Ainda no Brasil, a MBRF conta com a Copa do Mundo, que deve ocorrer entre junho e julho, como fator impulsionador do consumo não somente de carne de frango mas também bovina, disse Gularte a analistas. Na próxima semana, a empresa deve lançar 40 novos produtos, segundo o executivo. “Temos a Copa do Mundo como um evento de consumo e a BRF está vindo muito forte com uma plataforma unificada de carnes”, afirmou Gularte. Alavancagem José Ignácio Scoseria Rey disse que a companhia conta com várias ferramentas para reduzir sua alavancagem, ou seja, a proporção de sua dívida em relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado contabilizado em 12 meses. “O cenário é positivo para gradualmente ir reduzindo a alavancagem”, afirmou. No período, a alavancagem da MBRF ficou em 3,37 vezes, 0,68% maior do que no primeiro trimestre do ano passado, de 2,69 vezes. Segundo Rey, há perspectiva de melhora do Ebitda acumulado em 12 meses nos próximos trimestres, o que colaboraria para diminuir a alavancagem. Há ainda recursos a serem recebidos da Halal Products Development Company (HPDC) - subsidiária do fundo soberano saudita de investimento público (PIF) - da ordem de US$ 100 milhões, entre outros valores, dentro do contrato de criação da Sadia Halal, cuja operação foi concluída no início deste mês. A companhia também vem carregando estoques maiores do que há um ano, resultado da escolha de garantir abastecimento de alguns países, especialmente do Oriente Médio, que podem ser reduzidos ao longo do ano, de acordo com o executivo. Além disso, empresa liquidou recentemente parte de dívidas antigas, substituindo por outras, de modo a reduzir o custo (taxas de juros) da dívida total, disse Rey. A perspectiva de queda da taxa básica de juros no Brasil, a Selic, traz expectativa de redução de juros a serem pagos pela empresa em algumas dívidas, comentou ele. Sobre os custos da unidade de negócios BRF, de produção de carne de frango e suína, Rey disse não ver um cenário de alta nos próximos trimestres, mesmo com o fenômeno climático El Niño, que traz riscos para algumas regiões produtoras de milho segunda safra no Brasil. Do lado da oferta, há perspectiva de grande produção em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tanto de milho como de soja, bem como de safras volumosas nos Estados Unidos e na Argentina, destacou o executivo. “Não estamos preocupados no curto prazo com a oferta de grãos”, disse. Dentro de casa, a MBRF vem alongando (aumentando) estoques de grãos para “níveis atrativos”. A empresa ainda prevê leve queda do custo de produção de frango ao longo do segundo trimestre de 2026. “Não prevemos para o terceiro ou quarto trimestre uma alta de custos para o frango”, disse Rey. “Nosso posicionamento tem um diferencial que complementa a situação de mercado”, acrescentou.

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