Lavoura de soja da safra 2026/2027 deve ser a mais cara em dez anos
Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial]
May 10, 2026
O agro brasileiro caminha para ter o pior custo de produção medido em sacas de soja da última década. As previsões de consultorias e especialistas apontam para valores acima de 50 sacas por hectare na média nacional para a safra 2026/2027. De acordo com Mauricio Schneider, CEO da Aegro, a projeção preliminar indica que o custo médio nacional pode sair de 46,5 sacas por hectare em 2025/26 para cerca de 53 sacas por hectare em 2026/27, fora depreciação de máquinas e arrendamento. A agtech tem uma base de dados de mais de 5 mil fazendas e cinco milhões de hectares em todas as regiões do país. Desde a safra 2017/2018, a pior relação havia ocorrido na safra 2023/2024, com 47,2 sacas de custo por hectare. Nas temporadas atual e de 2022/2023, os agricultores precisaram investir o equivalente a 46,5 sacas por hectare na média nacional para viabilizar as lavouras do grão. “Na prática, a moeda do produtor é a saca de soja. O cenário aponta que o setor pode entrar na próxima safra precisando gastar cerca de seis sacas a mais por hectare só para produzir”, comenta. Mauricio Schneider, CEO da Aegro Divulgação A projeção é endossada por Vlamir Brandalize, da Brandalizze Consulting, que constata a alta de preços já observada nos pacotes de insumos. “Estamos observando uma alta entre 15% a 20% na relação de troca desde já”, avalia. O especialista considera inclusive o risco de menor investimento do produtor especialmente em fertilizantes a fim de mitigar custos. “Quanto à semente ou ao defensivo, não tem como mexer. No caso da adubação, pode impactar, mas normalmente afeta produtividade”, alerta. Relação de troca A relação de troca é um dos principais indicadores para os agricultores. Na safra atual, apenas os insumos agrícolas consumiram o equivalente a 29 sacas por hectare. Esse total não inclui combustíveis, mão de obra, manutenção de máquina e equipamentos, despesas administrativas, seguros, eletricidade e outros. Os fertilizantes responderam pela maior parcela do custo com cerca de 13,4 sacas por hectare; as sementes somaram 5,1 sacas por hectare, enquanto os defensivos em geral (fungicidas, inseticidas, herbicidas e outros), totalizaram 10,4 sacas. Vlamir Brandalizze, fundador da Brandalizze Consulting Divulgação A cotação da soja, naturalmente, é fator determinante. No entanto, o preço da saca tem patinado por conta de grandes estoques no Brasil, Estados Unidos e também na Argentina. "O preço deveria ter subido muito mais por conta da guerra, mas ainda não aconteceu", explica Joao Birkhan, diretor do Sim Consult. De acordo com o especialista, a cotação da oleaginosa segue a tendência do petróleo no mercado internacional. Ele cita os modelos de hedge (proteção de preços de venda, que trava a cotação no mercado futuro), e de barter (troca da produção futura por insumos) como ferramentas que podem ajudar o produtor. João Birkhan, diretor da Sim Consult Divulgação Vilões dos custos Até o momento, o cenário aponta que os insumos com maiores altas para a safra 2026/2027 devem ser os fertilizantes e os defensivos. Nos adubos, a alta projetada pode representar três a quatro sacas adicionais por hectare, dependendo da região. Em defensivos, o aumento estimado chegaria a mais cerca de três sacas por hectare. "Somados, defensivos e fertilizantes podem elevar o custo produtivo em cinco a sete sacas por hectare, o que representa pouco mais de 15% de aumento apenas nos custos básicos desses dois grupos de insumos”, calcula. No caso dos adubos, inclusive, há sinais de retorno a patamares críticos, parecidos com o pós-pandemia e o período de impacto da guerra entre Ucrânia e Rússia. Nesses períodos, a relação chegou perto de 14 sacas por hectare. O quadro se repete, principalmente, por conta de um novo conflito, dessa vez entre Estados Unidos, Israel e Irã. Tanto o Leste Europeu quanto o Oriente Médio são importantes produtores e exportadores de nitrogênio. Quanto aos defensivos, observa-se, até mesmo, um movimento especulativo. "Os preços de defensivos na China já subiram, em média, cerca de 15% em categorias como fungicidas, inseticidas e herbicidas. E ainda assim, estão evitando vender", revela. Como a China é fornecedora relevante de defensivos pós-patente, o impacto pode chegar ao Brasil com alta de 20% a 25%, considerando preço de origem, frete e logística majorados pela alta dos combustíveis. De acordo com Mauricio, o custo dos inseticidas poderá subir até duas sacas por hectare; os fungicidas, entre 2,8 para 3,5 sacas e os herbicidas, de cerca de três sacas. "Os números ainda precisam ser fechados com precisão, mas a tendência é de defensivos até 25% mais caros do que no ano anterior”, completa o CEO da Aegro. O custo do combustível também ganhou relevância. Brandalizze afirma que o diesel está pesando cada vez mais. “O preço já subiu cerca de 50% em poucas semanas em algumas regiões do Brasil e impacta todo o ciclo de produção”, acrescenta. Initial plugin text
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