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"textContent": "\nFlores e plantas ornamentais representam uma das principais opções de presente no Dia das Mães, celebrado neste domingo (10/5). A data impulsiona o setor e se tornou estratégica para produtores e atacadistas. O aquecimento do mercado também se reflete nas projeções para 2026, quando o faturamento deve crescer 10% em relação a 2025, segundo Renato Opitz, diretor do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor). “O Dia das Mães é uma data tão estratégica que representa entre 16% e 18% do volume das vendas anuais”, afirma Opitz. O cenário positivo acontece após uma retração de 3,6% registrada em 2023. Segundo o dirigente, a queda foi consequência dos impactos provocados pela pandemia entre 2020 e 2021, quando o distanciamento social levou ao cancelamento de eventos como formaturas, aniversários e casamentos, reduzindo a demanda por flores de corte. “Os produtores diminuíram a produção nesse período\". Durante a baixa nas vendas, a inclusão das flores e plantas ornamentais na lista de itens essenciais pelo governo ajudou o setor. “Elas passaram a ser classificadas junto a produtos de primeira necessidade, como frutas, legumes e outros alimentos, tanto por serem perecíveis quanto pelo bem-estar que proporcionam às pessoas”, comenta Opitz. Na ocasião, o Ministério da Agricultura também publicou a Instrução Normativa 64/2020 e publicou em seu site uma lista com mais de 1,8 mil espécies de flores e plantas ornamentais introduzidas no Brasil. A medida buscava garantir maior segurança jurídica à produção, à exploração comercial e à inovação no setor, por meio da catalogação oficial dessas espécies no país. Além disso, houve ações de apoio articuladas pela Câmara Setorial e pelo Ibraflor, como linhas de crédito e renegociação de dívidas. “Tivemos algumas frentes de apoio, mas sem grandes avanços”, relembra Opitz. Suculenta - Amantiquira Plantas Ornamentais Divulgação/Ceaflor Depois, no segundo semestre de 2021 e ao longo de 2022, as festividades voltaram com força total. De repente, havia pouca oferta e muita demanda, o que fez os preços subirem enormemente”, explica. “Por isso, temos a impressão de que houve uma queda brusca em 2023. Mas, na verdade, entre 2021 e 2022, o setor havia crescido muito”, acrescenta. O comportamento foi diferente no segmento de flores em vaso, que não registrou retração. “Se, por um lado, a pandemia foi ruim para as flores de corte, foi positiva para as flores em vaso. As pessoas passaram mais tempo em casa e recorreram às plantas para decorar os ambientes e buscar bem-estar”, afirma. Segundo o diretor, após o período de reequilíbrio em 2023, visto como queda, o setor voltou a crescer. Uma alta planejada Atualmente, a produção de flores e plantas ornamentais está espalhada por todo o país, com maior concentração no Estado de São Paulo, responsável por cerca de 70% da produção nacional. Em seguida aparecem Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Tulipa - Planten Divulgação/Ceaflor “Nós temos um levantamento que engloba cerca de 98% da produção nacional. Somando os resultados, chegamos a aproximadamente 4 mil produtores”, afirma Opitz, ressaltando que o estudo não inclui produtores informais. Apesar do número expressivo de produtores, a produção voltada para datas comemorativas é planejada com meses de antecedência, principalmente para atender à alta demanda. Segundo o diretor, os sinais positivos para o Dia das Mães já apareceram nas vendas antecipadas realizadas no mês passado. A partir de março, parte dos produtores começa a fazer reservas ainda nas estufas, estratégia que ajuda a garantir o abastecimento e a estabilidade dos preços. Segundo o Ibraflor, cerca de 80% dos produtores fecham negócios nesse período, reduzindo riscos e assegurando a comercialização. “Cada produtor define sua própria estratégia, de acordo com a realidade do negócio. Mas a maioria prefere fazer a pré-venda antes do Dia das Mães, às vezes até dois meses antes, porque assim já garante a venda e o preço”, explica. Leia também Estética africana incentiva venda de flores rústicas e exóticas Flores vermelhas atraem mais aves? Estudo explica o motivo Um dos principais termômetros utilizados pelo setor são os leilões realizados na Holanda, como os da Royal FloraHolland. “Eles funcionam como ótimos indicadores de oferta e demanda. Com isso, produtores e distribuidores conseguem ter um parâmetro para fechar contratos”, afirma. As vendas antecipadas também ajudam o mercado a evitar desabastecimento. Neste ano, por exemplo, questões climáticas levaram à previsão de escassez de rosas. “Para resolver isso, empresas importadoras recorreram ao mercado internacional para complementar a oferta nacional. Isso também evitou uma disparada muito grande nos preços”, explica. O fator afetivo Segundo o Ibraflor, rosas e orquídeas seguem entre as flores mais procuradas em datas comemorativas, impulsionadas principalmente pelo valor afetivo associado ao presente. Peperômia - Okubo Divulgação/Cooperativa Veiling Holambra De acordo com Opitz, essa percepção foi confirmada em uma pesquisa realizada pelo Ibraflor em parceria com a CPEA (Consultoria, Planejamento e Estudos Ambientais) e a USP (Universidade de São Paulo). “Um dos nossos receios era a questão geracional. Pensávamos que as gerações anteriores tinham mais tempo para apreciar e comprar flores, enquanto hoje tudo é muito mais rápido”, comenta. A pesquisa mostrou, porém, que o comportamento do consumidor mudou, mas o vínculo afetivo permanece. “Percebemos que era necessário criar uma aproximação maior com o consumidor moderno”, explica. Segundo ele, o setor passou a investir mais em presença digital, embalagens informativas e conteúdos que aproximem o público jovem, como orientações de cuidado com as plantas e curiosidades sobre o significado das flores e das cores. “Não é só informação técnica, como luminosidade ou rega. Também mostramos o significado de cada flor, qual é a mais adequada para cada ocasião e até o significado das cores das rosas. É assim que conseguimos atrair consumidores mais jovens”, afirma. Apesar das mudanças nas estratégias de marketing, a pesquisa concluiu que o fator emocional continua sendo central no consumo de flores. “A flor continua presente, seja como presente principal ou acompanhando outro item. Ela ainda é associada à vida, movimento e perfume. Quando alguém presenteia uma flor, transmite sentimento”, diz Opitz, ao comentar a relação das flores com ocasiões marcantes, como casamentos e o Dia das Mães. Um presente completo Pensando nesse apelo afetivo, produtores e distribuidores passaram a investir também em embalagens mais elaboradas, cartões e outros acessórios que agregam valor ao produto. Chamaedoreas Vem Flor Divulgação/Cooperativa Veiling Holambra “O consumidor compra a flor ou a planta e já leva um presente pronto, sem precisar gastar com mais nada. Antigamente, muitas vezes a pessoa comprava a flor e depois precisava providenciar a embalagem separadamente”, comenta. Segundo Opitz, o custo adicional para o produtor não é significativo, já que os materiais são produzidos em larga escala. Em contrapartida, o consumidor recebe um produto mais completo e valorizado. “No fim, um valor acaba compensando o outro”, diz.",
"title": "O caminho percorrido pela flor até virar seu presente no Dia das Mães"
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