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Illycaffè vê margens de volta aos eixos, apesar de aumento do preço do café

Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial] May 7, 2026
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Preços altos do café verde e margens apertadas marcaram o último ano da illycaffè. Agora, o presidente da empresa italiana, Andrea Illy, prevê que a rentabilidade será normalizada, apesar dos custos maiores da commodity. Durante passagem pelo Brasil, o empresário afirmou que a companhia está conseguindo executar uma estratégia de comercialização que contribui para a recomposição das margens. “É uma política de arbitragem que escolhemos, muito prudente, que está pagando ótimos resultados em vendas, em volume. Aumentamos preços proporcionalmente aos custos”, disse Andrea Illy, na quinta-feira (7), a jornalistas, em São Paulo. O executivo lembrou que, em 2025, o preço internacional do café atingiu a média de US$ 3,68 por libra-peso, o triplo da média histórica. Com isso, o lucro líquido da empresa caiu 39%, para 20 milhões de euros. Initial plugin text Na visão do empresário, a intensidade e a frequência dos eventos climáticos extremos causam uma volatilidade contínua no mercado do café. Por isso, a estratégia da illycaffè é trabalhar no segmento de cafés de alta qualidade, no qual os preços são naturalmente maiores. Além disso, busca encontrar formas mais eficientes de preparação da bebida, além de comprar café diretamente dos produtores rurais. “Isso deixa a empresa mais preparada para volatilidades futuras”, disse. Colheita abundante Nesta safra, a expectativa do italiano é de uma colheita abundante de café no Brasil, impulsionada pelo ciclo de alta na bienalidade da cultura e por condições climáticas favoráveis. A percepção de Illy está em linha com as projeções oficiais do país. O Brasil deve produzir 66,2 milhões de sacas beneficiadas de café em 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se o número se confirmar, a produção baterá um novo recorde, superando as 63,1 milhões de sacas de 2020. Mas se o aumento da oferta do grão pode, em tese, ajudar a manter os preços controlados, há a previsão de ocorrência do fenômeno climático El Niño neste ano, o que tende a mexer com o mercado. “Haverá um ‘super El Niño’ no segundo semestre. E como vão ser os efeitos do El Niño? Não se sabe como vai ser”, disse Andrea Illy. O fenômeno costuma provocar seca em áreas cafeeiras, o que pode levara à alta de preços. A despeito dessas incertezas, Illy afirmou ter expectativas muito positivas para o mercado brasileiro de café. Sem detalhar números, ele destacou que a empresa está investindo em desenvolvimento de novos produtos. Visitas a fazendas O presidente da companhia italiana visitou lavouras de café brasileiras nos últimos dias. Nessas visitas, disse, ele observou grande adoção de agricultura regenerativa, o que tem deixado as lavouras mais resistentes a temperaturas elevadas. Além disso, também observou aumento no plantio, já que os produtores estão mais capitalizados. “As alterações climáticas já impactam diretamente a produtividade, os custos e a previsibilidade da produção. A questão geopolítica afeta os preços de insumos e a logística. O desafio é garantir a consistência [da produção]”, disse ele. “Os fertilizantes minerais aumentaram o custo, mas estão sendo menos usados [no café] com a agricultura regenerativa”, acrescentou. A guerra no Oriente Médio provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio de adubos, e levou a uma disparada dos preços desses insumos. Uma das formas de a empresa garantir a oferta de café em meio aos desafios da cadeia, segundo o presidente da illycaffè, é manter um time de agrônomos que visitam as fazendas de fornecedores a cada ano. “Isso permite aplicar técnicas de prevenção”, afirmou. Entre as técnicas regenerativas, a utilização de plantas de cobertura tem sido um dos destaques. Em áreas de baixa altitude, o uso de árvores de sombreamento também contribui para a saúde da lavoura. A irrigação é outra alternativa, mas “precisa aumentar” no país, disse. Para Illy, cuja companhia é líder no segmento de cafés especiais, “não existe café de alta qualidade sem solo saudável”.

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