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"textContent": "\nUma rã inteira no prato, à milanesa, acompanhada com molho especial da casa. Essa é uma das iguarias servidas no Bar do Dante, localizado em um bairro nobre de Curitiba, capital paranaense. Sucesso entre a clientela, ela tem carne branca e macia e sabor suave. “Queria colocar algo mais atrativo no cardápio, não só o básico que é servido nos bares. E funcionou muito bem, as pessoas têm curiosidade por ser uma carne exótica”, diz o proprietário, Dante Luiz Manfron. A casa tem 35 anos de funcionamento e desde 2002 oferece a rã no menu diário. Além do anfíbio inteiro, outra opção é a rã a passarinho. Os valores dos pratos variam de R$ 40 a unidade inteira a R$ 90 a porção a passarinho. Leia também: Carnes exóticas consumidas no mundo: conheça 5 O empresário diz que, para ele, o custo da iguaria é alto. Com fornecedores do Paraná e de Santa Catarina, Manfron revela que paga entre R$ 90 e R$ 110 o quilo da rã. De olho nesse mercado que tem demanda crescente, o piscicultor Bruno Lotti, de Nova Aurora (PR) - conhecida como capital nacional da piscicultura -, deu início à criação de rãs-touro para abate comercial, em um projeto pioneiro na região. O sistema de produção envolve controle rigoroso das condições ambientais, como a água para os girinos com temperatura entre 24° C e 28° C, e para os adultos até 35° C, alimentação balanceada e atenção ao manejo. “Eu buscava uma atividade para diversificar a produção, e a criação de rãs foi uma boa alternativa”, afirma Lotti, que investiu R$ 100 mil no projeto. Com produção atual de 35 mil girinos, a meta é ampliar para 50 mil girinos já no próximo ano. Bruno Lotti, de Nova Aurora (PR): “Eu buscava uma atividade para diversificar a produção\" Cresol / divulgação O ciclo desses anfíbios de água doce, do girino ao abate, pode levar até 12 meses, e para chegar ao ponto de comercialização, a rã deve atingir entre 300 e 500 gramas. No varejo, é possível encontrar carcaça inteira, coxa de rã ou carne desfiada. Há 33 anos na atividade, o produtor Wilson Luiz Cantieri, proprietário do Ranário Santa Clara, de Santa Isabel (SP), afirma que o mercado no país foi sempre o mesmo, com alta demanda e pouca oferta. “A gente não fica com estoque parado”, diz. Mas ele admite que a criação tem desafios, como o manejo diferente para as fases de crescimento, a necessidade de monitoramento da qualidade da água e até mesmo o risco de estresse do animal: “A rã é pré-histórica, não está acostumada ao confinamento”. A produção no Santa Clara chega a três toneladas de rãs ao mês. Os dados sobre esse mercado no Brasil são escassos, mas a Embrapa estima que para atender a demanda interna, a produção de rãs deveria crescer em torno de três vezes. O último número disponível do IBGE, de 2017, indica uma produção de 129,3 mil toneladas de rãs no país. A estatal de pesquisas lidera iniciativa que visa a “democratizar” o consumo de carne de rãs e fortalecer a cadeia produtiva. O projeto Ranicultura em Rede reúne mais de 500 membros, entre pesquisadores, produtores e empresários do setor. Segundo pesquisadores que participam da iniciativa, entre as vantagens da carne de rã estão o alto teor nutritivo e os níveis reduzidos de gordura e de colesterol. André Cribb, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, lidera o Ranicultura em Rede. Ele diz que “há um desequilíbrio mercadológico na cadeia e [por isso] acreditamos que a ranicultura representa uma grande oportunidade para o produtor”. Cribb afirma que o Brasil tem recursos naturais que favorecem a criação, principalmente da espécie rã-touro, originária dos Estados Unidos, e que hoje é a mais cultivada por aqui no sistema de produção intensivo em cativeiro. Além da carne, destaca o pesquisador, da rã também se tira o óleo, que é utilizado na indústria de cosméticos, e a pele, aplicada em tratamentos para queimaduras. A Embrapa também desenvolveu derivados da carne de rã em seus laboratórios: patês, conservas, salsichas e hambúrguer de carne de rã, opções que podem ser encontradas em estabelecimentos especializados. Prato servido no Bar do Dante, em Curitiba Fabiano Ferreira / Divulgação Aquicultura sustentável André Muniz Afonso, chefe da Divisão de Fomento à Aquicultura, na Secretaria Nacional de Aquicultura do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), acredita que o setor deve avançar com a consolidação de políticas públicas voltadas à atividade. Ele cita o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura, que está em consulta pública, como passo fundamental para o fortalecimento da atividade. “A ranicultura é uma das cadeias que participaram ativamente da construção do plano”, aponta. Hoje, o país tem oito frigoríficos com autorização para o processamento de carne de rã, e há outros em construção, segundo ele, o que deve garantir o crescimento da atividade nos próximos anos. Os Estados do Sudeste lideram a produção brasileira. Já o ranking internacional tem a China no topo, com produção anual de mais de 1 milhão de toneladas de carne de rã, seguida por Taiwan, Indonésia e Vietnã, de acordo com Afonso. O Brasil deve estar na quinta colocação, considerando dados disponíveis em pesquisas e levantamentos da área, ele acrescenta.",
"title": "Carne de rã ganha espaço no Brasil, mas produção não acompanha a demanda"
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