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  "textContent": "\nA busca por padrões mais altos de bem-estar animal começa a ganhar escala na suinocultura brasileira, ainda que em ritmo inicial. Um exemplo vem de Patos de Minas (MG), onde uma granja da Auma Agronegócios se tornou a primeira do país a conquistar a certificação da Produtor do Bem, baseada em critérios mais rigorosos do que os normalmente adotados no setor. O modelo adotado pela empresa envolve mudanças estruturais no sistema produtivo. “O bem-estar animal é um conjunto de práticas que garante condições físicas, nutricionais e comportamentais adequadas, sem estresse ou sofrimento”, afirma a diretora-executiva da Auma, Lucimar Silva. Segundo ela, a estratégia faz parte de uma mudança mais ampla na forma de produzir e atender às demandas do mercado. Entre as principais alterações está a adoção do sistema conhecido como “cobre-solta”, no qual as matrizes são inseminadas e rapidamente transferidas para alojamento coletivo, diferente do padrão predominante, que mantém os animais por até 28 dias em gaiolas. Leia mais Após recorde de produção em 2025, oferta de carne suína segue crescendo em 2026 Preço da carne suína atinge maior vantagem sobre a bovina em quatro anos Na prática, a mudança exige ajustes finos no manejo, nutrição e infraestrutura, mas traz benefícios. Segundo o gerente de produção Baltazar Vieira, a granja conseguiu reduzir perdas e melhorar indicadores zootécnicos. “Só com práticas de bem-estar, diminuímos mortalidade de leitões, doenças e perdas ao longo do processo. Isso se traduz diretamente em resultado econômico”, diz. Outro exemplo foi a retirada da ractopamina, aditivo usado para melhorar ganho de peso nos suínos. Apesar da perda inicial de eficiência, a empresa afirma que o equilíbrio veio com menor mortalidade e menos problemas sanitários. “Quando você coloca na conta o que deixa de perder, o resultado é positivo”, afirma Vieira. Além dos ganhos produtivos, a estratégia também abre espaço para diferenciação comercial. A empresa já recebe cerca de 3,5% a mais por quilo de carne em função do modelo de produção, segundo a companhia. A expectativa é avançar ainda mais com a certificação, mirando mercados mais exigentes e nichos específicos. “Existe uma mudança no comportamento do consumidor, que quer saber como o alimento foi produzido. Isso vale também para a carne”, diz Lucimar. Certificação mais rigorosa A certificação da Produtor do Bem se diferencia por estabelecer níveis de exigência e buscar elevar o padrão do setor, afirma o diretor-executivo da entidade, José Rodolfo Ciocca. “Muitas certificações apenas chancelam o que já é feito. A nossa proposta é elevar o nível de bem-estar com critérios mais robustos e auditáveis”, diz. O protocolo limita, por exemplo, o tempo de permanência de matrizes em gaiolas e exige práticas como enriquecimento ambiental e menor densidade de animais. Hoje, a certificação tem três níveis, e a Auma foi enquadrada no primeiro que, segundo Ciocca, já está acima da média do mercado. “Mesmo o nível inicial já é mais exigente do que muitas certificações no Brasil e no exterior”, afirma. Apesar dos avanços, a adoção desse tipo de modelo ainda enfrenta barreiras. Entre elas estão o custo de adaptação, mudanças no manejo e a necessidade de capacitação das equipes. “Os principais desafios hoje são densidade de animais, manejo de matrizes e adaptação do ambiente para permitir comportamento natural”, diz Ciocca. Mesmo assim, a tendência é de avanço, puxada principalmente pelo mercado internacional. Segundo o executivo, empresas e compradores já começam a exigir padrões mais elevados, especialmente em negociações entre empresas. Segundo ele, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode acelerar esse movimento. “O Brasil tem uma oportunidade de se posicionar como fornecedor com alto padrão de bem-estar animal, algo que ganha cada vez mais relevância”, afirma. Para a Auma, o objetivo agora é ampliar esse modelo e capturar valor ao longo da cadeia, da produção ao consumidor final. “Quando você melhora o ambiente e o manejo, o resultado aparece: menos perda, mais eficiência e um produto mais valorizado”, diz Baltazar Vieira.",
  "title": "'Porcos felizes': granja de MG ganha certificação de bem-estar na suinocultura"
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