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  "textContent": "\nEm uma trilha perto da Cidade do Cabo, na África do Sul, um ramo seco parecia apenas mais um pedaço de vegetação morta no chão. Quebradiço e sem sinal de vida. Mas, ao ser colocado em água, começou a mudar rapidamente. Em poucas horas, pequenas folhas verdes surgiram. No dia seguinte, a planta já parecia saudável novamente. Esse tipo de transformação ocorre em um grupo raro conhecido como plantas da ressurreição, espécies capazes de suportar meses, às vezes anos, completamente desidratadas e retomar a atividade quando encontram água. Entre os principais nomes que investigam esse mecanismo está a botânica sul-africana Jill Farrant, da University of Cape Town. Há mais de 30 anos, ela estuda como algumas espécies conseguem sobreviver a níveis extremos de desidratação sem morrer. Leia também: Conheça as flores-fantasma: espécies que não precisam de sol para viver Estas flores exóticas parecem de outro planeta; conheça Cheiro de cadáver? Conheça a flor mais fedida do mundo As descobertas e avanços nessa área foram reunidos em uma reportagem científica publicada pela revista Science. Como a planta seca sem morrer? Para a maioria das plantas, a perda excessiva de água leva rapidamente ao colapso das células e à morte do organismo. Em geral, quando o nível de hidratação cai muito, os processos metabólicos deixam de funcionar. De acordo com a pesquisa, as plantas da ressurreição seguem um caminho diferente. Em vez de tentar reter água a todo custo, elas permitem que quase toda a umidade do organismo desapareça. Em períodos de seca intensa, algumas espécies chegam a apenas 5% de água em seus tecidos, uma condição que seria fatal para praticamente qualquer outra planta. Durante esse processo, ocorre uma série de mudanças internas. A água presente nas células é substituída por açúcares e proteínas que formam uma estrutura protetora semelhante a um vidro microscópico. Essa estrutura ajuda a manter as membranas celulares estáveis e preserva moléculas essenciais, como DNA e RNA. Ao mesmo tempo, a fotossíntese é interrompida e a planta entra em uma espécie de estado de pausa metabólica. Quando a água retorna, o processo se inverte. As células se reidratam, as reações químicas voltam a ocorrer e a planta retoma o crescimento. Em algumas espécies, essa recuperação pode acontecer em apenas um ou dois dias. Pesquisadores já identificaram cerca de 1.300 espécies de plantas da ressurreição, entre musgos, samambaias e algumas plantas com flores. Elas costumam ocorrer em ambientes extremos, como encostas rochosas, solos pobres e áreas onde longos períodos de estiagem são comuns. Em entrevista ao portal da revista Science, Farrant afirma que o interesse científico por esses organismos vai além da curiosidade. Compreender como sobrevivem à desidratação extrema pode ajudar no desenvolvimento de culturas agrícolas mais resistentes à falta de água. Esse conhecimento ganha importância diante das mudanças climáticas, que tendem a tornar as chuvas mais irregulares. Em muitas regiões produtoras, algumas semanas sem precipitação já são suficientes para comprometer uma colheita. De acordo com os cientistas, várias culturas agrícolas já possuem genes semelhantes aos que permitem a sobrevivência dessas espécies. Normalmente, eles atuam nas sementes, que conseguem permanecer dormentes por anos e germinar quando encontram condições favoráveis. A hipótese é que as plantas da ressurreição evoluíram ao ativar esses mesmos mecanismos também nas folhas, caules e raízes. Identificar quais genes funcionam como interruptores desse processo pode abrir caminho para variedades capazes de suportar períodos mais longos de seca.",
  "title": "Conheça a planta que 'morre', seca e depois ressuscita"
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