Justiça aprova pedido de recuperação judicial da Aliança Agrícola do Cerrado
Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial]
April 9, 2026
A juíza Claudiana Silva de Freitas, da 10ª Vara Cível de Uberlândia, em Minas Gerais, deferiu o pedido de recuperação judicial da Aliança Agrícola do Cerrado, trading controlada pelo grupo russo Sodrugestvo. A companhia tenta renegociar dívidas de R$ 1,16 bilhão com, aproximadamente, 1 mil credores. Como parte da decisão, a justiça suspendeu por 180 dias a cobrança de dívidas da empresa e estabeleceu o prazo de 60 dias para a companhia apresentar um plano de pagamento das dívidas e recuperação dos negócios. A Aliança Agrícola do Cerrado é representada pelo escritório Attie, Brito e Bastos Advogados Associados. Também foram incluídas no processo as empresas Aliança Transportes Agrícola do Cerrado Logística (ATAC Logística) e Aliagro Trading, que compõem o mesmo grupo. A empresa pediu recuperação judicial em janeiro deste ano, mas a solicitação foi negada inicialmente pela juíza, que questionou a capacidade da companhia se reerguer. Há menos de um mês, a Aliança Agrícola do Cerrado obteve uma tutela antecipada para suspender a execução de dívidas, bloqueio de bens e penhora de ativos. A decisão foi tomada pela mesma juíza, após a empresa recorrer da primeira decisão. Os maiores credores são Banco do Brasil, com R$ 135 milhões, Ecoagro Participações (R$ 110,6 milhões), Macquarie Bank (R$ 104 milhões), Santander (R$ 95,6 milhões) e XP Investimentos (R$ 80 milhões). A Aliança Agrícola do Cerrado informou que a “queda nos preços da soja, a elevada volatilidade no mercado de trading e o aumento relevante dos custos financeiros impactaram severamente a liquidez e a capacidade de serviço da dívida da companhia”. A companhia possui atualmente em torno de 200 empregados, com sede em Uberlândia (MG) e unidades industriais em São Joaquim da Barra (SP) e Bataguassu (MS). A empresa informou que, como parte da estratégia de reestruturação do negócio, fechou um contrato de industrialização de soja com a ADM do Brasil. O contrato, segundo a Aliança Agrícola, vai permitir o uso de 80% da capacidade das unidades industriais, viabilização a manutenção de mais de 200 empregados e a realização de investimentos necessários à preservação dos seus ativos. A expectativa da companhia é gerar uma receita líquida de aproximadamente R$ 140 milhões, desvinculada da volatilidade do mercado da soja.
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