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  "textContent": "\nO uso de máquinas agrícolas não é uma novidade para o agricultor Edimilson José de Oliveira, do povoado de Gameleiro, em Lagarto, Sergipe. Autodeclarado um “produtor rural de raiz”, filho e neto de agricultores, ele cria cerca de 60 cabeças de gado de corte e cultiva milho, mandioca e maracujá em sua propriedade de 30 hectares e está prestes a se tornar a primeira geração da sua família a adquirir um trator. A ideia surgiu há seis meses, após ter visto pelo menos outros três vizinhos investirem em maquinário nos últimos dois anos. “Eu gasto em torno de R$ 25 mil a R$ 30 mil por ano com aluguel de trator. Aí eu imaginei: se eu gasto esse dinheiro, é melhor pegar um trator”, afirma Oliveira. Ainda à espera da aprovação da sua proposta de crédito enviada ao banco, ele faz planos. Estima que, com um trator, poderá dobrar a sua área plantada e aumentar em 30% a sua renda anual. “O que eu iria ter de pagar de aluguel, eu já não vou mais pagar. Só vou ter o custo com óleo [diesel]”, calcula. O principal incentivo para Edimilson dar entrada no financiamento de sua primeira máquina agrícola veio do vizinho Edson Menezes e Carvalho Júnior, também agricultor. Há três anos ele adquiriu seu primeiro trator, um modelo usado, de 2016. “A experiência não foi boa. Se eu tivesse buscado um financiamento na época, tinha sido melhor”, afirma. Já no primeiro uso, Edson precisou consertar a caixa de marcha do trator, o que lhe custou outros R$ 10 mil, seguido de outros reparos e manutenções. “A gente na roça precisando, tentando fazer uma safra para ter um lucro, e o equipamento dando gasto”, recorda. A solução foi financiar um segundo maquinário, novo, com recursos do Plano Safra. O novo trator, com cabine, permite ao agricultor trabalhar mesmo em dias de chuva. “A gente já está fazendo o preparo da terra para a safra de milho, de mandioca, está ajudando bastante”, comemora o agricultor. As histórias de Edson e Edimilson se somam a de outros milhares de agricultores familiares, em especial do Norte e Nordeste do país, que tiveram acesso à mecanização nos últimos dois anos. Isso foi possível porque no período houve aumento dos limites de crédito para contratos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que reúne recurso do Plano Safra destinados para produtores com renda de até R$ 500 mil ao ano. As principais mudanças, realizadas no microcrédito, permitiram que famílias com renda até R$ 50 mil anuais, que antes podiam financiar apenas R$ 6 mil, pudessem ter até R$ 51 mil no limite de crédito sem a necessidade de garantias dentro do Pronaf B, que tem juros de 0,5% ao ano. Também foram incluídas novas linhas, destinadas a públicos específicos, como o Pronaf Mulher. Com taxa de 2,5% ao ano, a linha oferece até R$ 100 mil para a aquisição de máquinas e equipamentos para produtoras com renda até R$ 150 mil ao ano e até R$ 250 mil para as com renda até R$ 500 mil ao ano e taxa de 3%. “O Brasil tem 19% de mecanização, considerando tratores de pequeno porte abaixo de 100 cavalos e, desses, mais de 70% está no Sul do Brasil. A região Nordeste não tem nem 5% de mecanização e reúne metade dos agricultores familiares do Brasil”, diz Joelcio Carvalho, diretor da LiveFarm. Após anos atuando junto a FAO — agência para agricultura e alimentação da ONU —, Carvalho decidiu em 2019 criar uma empresa de máquinas agrícolas, a Live Farm, focada na agricultura familiar, visando um potencial de crescimento identificado anos antes. “O primeiro equipamento que lançamos foi uma semeadora que não tinha motor, mas que já fazia o serviço 10 vezes mais rápido”, conta. Atualmente, as máquinas desenvolvidas pela empresa atendem diferentes cultivos, de arroz a mandioca, passando por milho, feijão e hortaliças com preços a partir de R$ 30 mil. “É mais barato do que um implemento que um trator grande usa”. Em 2024, a LiveFarm aumentou em dez vezes o seu faturamento, na esteira dos programas de mecanização da agricultura familiar promovidos pelo Governo Federal. Segundo Carvalho, as vendas para programas governamentais, como o Arroz da Gente, mantido pela Conab para fomentar a rizicultura no Nordeste e no Centro-Oeste, representaram quase metade das vendas no período. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrícola (MDA), o percentual de propriedades rurais da agricultura familiar com algum tipo de mecanização no país alcançou 27% no ano passado, antecipando uma meta prevista para 2027. Para 2033, o objetivo do MDA é chegar a 35% de mecanização da agricultura familiar, com base em política de crédito agrícola e apoio à inovação na indústria em coordenação com outros ministérios, como Indústria e Comércio, Ciência e Tecnologia e Fazenda. “É um uma força coordenada, um esforço bem grande para trazer esse pessoal para comprar máquina”, afirma o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão. Segundo ele, a agricultura familiar tem respondido por cerca de 25% das vendas do setor nos últimos anos, registrando crescimento, enquanto houve queda nas vendas de máquinas de maior porte, destinadas à produção de commodities agrícolas. “Nós tivemos um movimento de queda das vendas no geral da agricultura empresarial, mas a familiar permaneceu justamente porque existem políticas públicas que seguram a taxa de juros”, ressalta o executivo. Outro reflexo dessa expansão, de acordo com Pedro Estevão, foi o aumento no número de associados da entidade. Ele calcula cerca de 170 novas empresas na última década, a maior parte de pequeno porte focada em mercados de nicho da agricultura familiar. “A gente reputa isso aí ao Programa Mais Alimentos, que criou esse mercado de máquinas para a agricultura familiar”, diz.",
  "title": "Mudanças no Pronaf impulsionam mecanização da agricultura familiar"
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