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Startup aposta em nova geração de bioinsumos para a soja

Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial] March 29, 2026
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A HYH Biotechnology, uma startup de Londrina (PR), desenvolveu uma plataforma capaz de criar uma nova geração de bioinsumos para controle de fungos e bactérias da soja. A inovação é uma tecnologia baseada em peptídeos bioativos que controlam os patógenos das plantas de maneira específica e com alta precisão. As moléculas, que fazem um tratamento mais “direcionado”, são da mesma classe de insumos usados em medicamentos para a saúde humana, como as canetas emagrecedoras. Essa classe de moléculas representa sequências curtas de aminoácidos, ou “pedaços de proteínas”, que exercem funções biológicas específicas e benéficas no desenvolvimento de plantas, consideradas componentes de “bioestimulantes” ou “bioativadores”. A empresa não revelou os valores investidos no projeto por questões estratégicas e jurídicas. O peptídeo bioativo da HYH pode ser aplicado apenas na presença de foco da doença ou em estratégia preventiva, por meio de uma aplicação única no estádio V3. Dessa forma, ele atuará como pré-fungicida e bactericida e protegerá a lavoura desde o início para permitir que a planta expresse seu potencial produtivo. Atualmente, a empresa possui cinco peptídeos bioativos desenvolvidos e prontos para negociação com empresas do setor. O foco está em multinacionais e demais companhias que produzem insumos agrícolas, como fungicidas químicos e biológicos. Os níveis de controle apurados em testes experimentais são superiores a 80% contra patógenos agrícolas. As moléculas estão em processo de proteção intelectual por meio de depósitos de patentes, que deverão ser emitidas até dezembro de 2026. As pesquisadoras e fundadoras da HYH, Nayara Okumoto e Renata da Rosa, afirmam que a tecnologia é inédita no mercado agrícola brasileiro e que poucas empresas no mundo trabalham com peptídeos para o setor. Diferentemente de compostos encontrados na natureza, que não podem ser patenteados no Brasil desde 2015, essas moléculas desenvolvidas pela companhia são peptídeos modificados por engenharia molecular e análogos aos naturais, projetados para reconhecer e atacar patógenos específicos que afetam as plantas. “Estamos falando de moléculas biológicas projetadas para atuar diretamente nos alvos moleculares de fungos e bactérias que atacam as plantas. Os peptídeos chegam às células do patógeno com mais facilidade e promovem um efeito muito mais eficaz”, explica Renata da Rosa. Initial plugin text Mais de 90% do processo de desenvolvimento ocorre no laboratório de bioinformática, a partir do uso de um software específico. No Brasil, a HYH é a única empresa a utilizar essa plataforma para a criação dos peptídeos bioativos. O processo permite criar novas estruturas biológicas patenteáveis, com maior precisão, eficiência, diversidade e rapidez, acrescenta Nayara Okumoto. O desenvolvimento dos peptídeos para o agro levou cerca de dois anos, enquanto a criação de um produto químico ou biológico pode levar até 10 anos. Entre as vantagens dos peptídeos estão a biodegradabilidade, a alta seletividade biológica e o menor impacto ambiental, características cada vez mais buscadas pelo setor agrícola, dizem as pesquisadoras. Renata Rosa explica que os peptídeos desenvolvidos pela HYH pertencem à mesma classe de moléculas de diversos medicamentos modernos. Nos últimos anos, terapias aplicadas ao tratamento da obesidade e do diabetes - popularmente conhecidas como “canetas para emagrecimento” - também são baseadas em peptídeos bioativos, capazes de interagir de forma altamente específica com alvos biológicos no organismo.

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