Algodão perde espaço para milho na segunda safra em Mato Grosso
Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial]
March 29, 2026
Responsável por cerca de 70% da produção nacional de algodão, Mato Grosso se consolidou como o principal polo da cotonicultura brasileira, sustentado por clima favorável, tecnologia e um sistema produtivo eficiente. No Estado, o algodão é cultivado na segunda safra, após a soja, modelo que impulsionou a expansão da cultura. No entanto, os custos altos de manejo e preços menos favoráveis da fibra fazem com que o algodão perca espaço para o milho no plantio da segunda safra. Na safra 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que área plantada no Mato Grosso recuou 3,5% em comparação à última temporada, para 1,4 milhão de hectares. Já o milho segunda safra teve aumento na área para o Estado, de 2,9%. Para Luana Bonamigo, gerente de Produto de Algodão na Bayer, fatores operacionais também influenciam diretamente na variação da área. “Se não houver controle adequado ao longo do ciclo ou cuidado na colheita, isso pode impactar a qualidade da fibra e até o desempenho na indústria”, afirmou. O manejo da lavoura segue como um dos principais desafios para o produtor. O bicudo-do-algodoeiro ainda é a praga mais relevante e exige controle rigoroso. “São mais de 20 aplicações ao longo da safra para controle do bicudo, o que encarece a produção”, destaca Luana. O longo ciclo das plantas, que pode chegar a cerca de 180 dias, também aumenta a complexidade. “É uma cultura que exige cuidado do primeiro ao último dia no campo”, completa. A atividade também enfrenta desafios econômicos. Por ser uma cultura intensiva em insumos, o custo de produção elevado tem impacto direto nas decisões do produtor, especialmente em cenários de preços pressionados. “O algodão é uma cultura que demanda mais investimento. Quando o milho atinge determinado patamar de preço, ele passa a ser uma alternativa atrativa pelo menor custo para a segunda safra”, explicou Bonamigo. Segundo a Conab, o cenário de preços em patamar considerado baixo tem travado as negociações e contribuído para a redução de área plantada em relação à safra passada. Para a especialista, o futuro da cotonicultura passa pelo equilíbrio entre produtividade, qualidade e custo. “O produtor busca segurança. Não é só produzir mais, mas garantir estabilidade ao longo dos anos”, concluiu Luana. *O jornalista viajou a Lucas do Rio Verde a convite da Bayer Initial plugin text
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