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Capacitação de produtores se consolida como pilar da produção orgânica no Brasil

Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial] March 18, 2026
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Em um setor que exige conhecimento técnico apurado, manejo cuidadoso e compromisso com padrões rigorosos, a capacitação de produtores deixou de ser um diferencial para se tornar um pilar da produção orgânica no Brasil. Essa foi a mensagem transmitida por três grandes expoentes da produção orgânica no país, Raiar Orgânicos, Nutrilite e Fazenda Malunga, em painel realizado no Congresso Técnico-Científico da Produção Orgânica, realizado em Campinas (SP). Convidados para demonstrar experiências reais de produções orgânicas, Joe Valle (Fazenda Malunga), Eder Paulino (Fazenda Nutrilite Brasil) e Luis Barbieri (Raiar Ovos Orgânicos) mostraram que têm em comum não apenas a excelência produtiva, mas o investimento contínuo na formação de pessoas ao longo de toda a cadeia. “Mais do que ensinar técnicas agrícolas, nossas iniciativas e suporte a capacitação ajudam a estruturar um modelo de produção sustentável, que seja possível de se expandir com consistência e credibilidade”, diz, Paulino. “Imagine transformar uma propriedade familiar, que até então fazia cultivo tradicional. É necessário tempo, dedicação e demonstração de resultados. E isso envolve toda a família, que geralmente acaba se engajando no projeto”, completa. Leia também: 'Por que não vender pão de queijo e churrasco orgânico?' O olhar de um europeu sobre o mercado brasileiro Venda de alimentos orgânicos bate recorde e soma quase 145 bilhões de euros no mundo Paulino contou que na Nutrilite, reconhecida mundialmente pela produção orgânica de acerola, a capacitação é parte central da estratégia de qualidade. “A empresa opera com padrões internacionais rigorosos, que nem sempre são os mesmos, variando conforme a localidade, o que exige alinhamento técnico entre todos os envolvidos na cadeia produtiva. O suporte é essencial”, avalia. Nesse contexto, programas de treinamento orientam desde o manejo do solo — com práticas como compostagem e adubação verde — até protocolos de colheita e rastreabilidade. “Ao capacitar produtores parceiros, a Nutrilite garante não apenas a padronização do produto final, mas também a disseminação de uma cultura agrícola mais sustentável”, finaliza A Fazenda Malunga, uma das pioneiras da produção orgânica de hortaliças no Cerrado, construiu sua trajetória diretamente ligada à formação de pessoas, contou Joe Valle. “Nós recebemos pessoas de diversas origens e lugares, que retornam à suas atividades com a inspiração para inovar e produzir. Neste sentido, a fazenda se posiciona como um elo de conexão e colaboração em rede, sempre buscando novas parcerias e promovendo a difusão do conhecimento, onde quer que ele esteja; em uma propriedade rural, em uma universidade e/ou em centros de pesquisa. Nossa ambição e missão é acessar, dividir e repassar o conhecimento”. Fazenda-escola nos planos A capacitação na Fazenda Malunga ocorre tanto de forma prática, no dia a dia da produção, quanto por meio de iniciativas estruturadas de treinamento. “Esse esforço tem permitido não apenas a expansão da própria operação, mas também o fortalecimento de uma rede de produtores orgânicos na região do Distrito Federal”, afirma Valle. Inspirado em modelos como o do México, Joe vê no futuro não muito distante a Universidade Agrícola da Malunga, que terá a missão de produzir alimentos orgânicos dentro dos pilares mencionados, mas, acima de tudo, treinará as pessoas para uma nova forma de interação da produção e da preservação dos recursos. “Se pensarmos que nos últimos anos nós ajudamos a construir leis, normas e regulamentos nos orgânicos, na agroecologia, nos remineralizadores, nos bioinsumos, nós podemos transformar uma fazenda produtora de orgânicos em uma fazenda-escola e por que não em uma universidade”, finaliza. Congresso contou com a participação de expoentes da produção orgânica no país Divulgação No caso da Raiar Ovos Orgânicos, a formação também desempenha papel decisivo, especialmente por se tratar de um segmento que ainda está em consolidação no país: a produção orgânica de proteína animal. “Entendemos que a qualidade, escala e sustentabilidade do setor dependem diretamente da capacitação no campo, o que leva à necessidade de formação contínua de produtores parceiros”, enfatiza Luis Barbieri, um dos fundadores da Raiar Orgânicos. A empresa investe na qualificação de equipes e parceiros para assegurar práticas como o bem-estar animal, o sistema cage-free e a alimentação orgânica das aves. Esse processo envolve orientação técnica contínua, acompanhamento de manejo e troca de experiências. “Ao compartilhar conhecimento, a Raiar contribui para ampliar a base de produtores aptos a atuar nesse mercado”, afirma Barbieri. Na prática, os investimentos em capacitação se traduzem em programas de assistência técnica, treinamentos e acompanhamento próximo dos agricultores, especialmente aqueles em processo de transição do modelo convencional para o orgânico, uma fase considerada crítica, tanto do ponto de vista técnico quanto financeiro. Outro eixo é o investimento em gestão da propriedade rural. A Raiar busca preparar seus parceiros não apenas como produtores, mas como empreendedores, oferecendo suporte em planejamento de safra, organização financeira e acesso a canais de comercialização mais estruturados, inclusive um curso de introdução à digitalização, que teve início em fevereiro. “Isso contribui para aumentar a previsibilidade de renda e reduzir riscos”, finaliza Barbieri.

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