Abate de vacas cresceu 18,2% no ano passado, mas deve cair em 2026
Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial]
March 18, 2026
O recorde na produção brasileira de carne bovina em 2025, confirmado nesta quarta-feira (18/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deve-se em grande parte ao aumento do abate de fêmeas. Segundo o órgão, houve um crescimento de 18,2% no descarte de vacas em relação a 2024. O país abateu um total de 42,94 milhões de cabeças (machos e fêmeas) em 2025, o que representa uma alta de 8,2% em relação ao ano anterior. Em volume, a produção alcançou 11,09 milhões de toneladas, alta de 7,2%. No quarto trimestre do ano passado, foram abatidas 3,1 milhões de vacas, número 17% acima do registrado em igual período de 2024. Ao mesmo tempo, a quantidade de bois abatidos foi de 5,8 milhões, número 8,8% superior a igual período de 2024. "Tivemos um comportamento no ano passado, mesmo com um recorde de abates, de preços mais firmes do que no ano de 2024. Então foi, no nosso entendimento, um fator que acelerou esse descarte (de fêmeas) no ano de 2025", afirma Felipe Fabbri, analista de mercado da Scot Consultoria. A arroba do boi gordo, que há um ano estava cotada a R$ 309,20, registrou R$ 347,70 nesta terça-feira (17/3), segundo o indicador Cepea/Esalq. Ao longo de 2025, cortes como lombinho e cupim registraram alta de preços no varejo de São Paulo, de 12,7% e 11,2%, respectivamente. Por outro lado, o filé mignon com cordão e a alcatra com maminha ficaram mais baratos (12,7% e 7,5%). "Algumas perspectivas apontavam para um início de retração no número de abates em 2025, e não foi o que a gente observou, pelo contrário. E isso, no nosso ponto de vista, acabou sendo influenciado até por um acréscimo de demanda", observa Fabbri. O crescimento na produção já era previsto desde dezembro, quando o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que o Brasil havia ultrapassado os norte-americanos e se tornado, pela primeira vez, o líder no fornecimento global do produto - na época, porém, o USDA calculou a oferta brasileira em 12,35 milhões de toneladas. Para 2026, no entanto, os sinais de virada no ciclo da pecuária indicam que o número de abates deverá cair no Brasil. A Scot Consultoria calcula uma queda de 7%. Initial plugin text O preço médio do bezerro no Mato Grosso do Sul, por exemplo, estava em R$ 3.253,44 nesta terça-feira, enquanto há exatamente um ano o valor era de R$ 2.704,26. Essa valorização indica a tendência de retenção de matrizes para a produção de bezerros. "Isso dá ao pecuarista a intensidade de querer reter mais essas fêmeas dentro da sua fazenda", resume Fabbri. Quanto aos preços ao consumidor, diante da tendência de redução na oferta, o analista não vê ajustes fortes no preço da carne bovina, uma vez que já ocorreram altas nos anos de 2024 e 2025. "Tivemos toda aquela disparada na cotação da arroba do boi, que subiu de R$ 230 em São Paulo para R$ 350 na época, e houve um repasse ao consumidor", acrescenta o analista. Por outro lado, o ano de 2026 deve ser de rentabilidade positiva para o pecuarista, com a ressalva de que, para quem trabalha com recria, as margens devem ficar mais apertadas, uma vez que esse produtor depende da compra do bezerro.
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