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Brasil vai propor à China protocolo sanitário para a soja, diz ministro

Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial] March 17, 2026
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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse, nesta terça-feira (17/3), que o Brasil vai propor à China a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio de soja. A expectativa é a de reduzir os problemas em exportações do grão para o mercado chinês, que levou tradings como a Cargill a anunciarem suspensão de embarques do produto. Fávaro fez a declaração em entrevista coletiva, depois do Fórum Empresarial Brasil-Bolívia, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento reuniu delegações e autoridades dos dois governos. Integrou a agenda oficial da visita do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, ao Brasil. Na segunda-feira, Paz esteve em Brasília, onde se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Quando da abertura do mercado chinês para a soja brasileira, não se fez um protocolo sanitário. Não tem. São regrados pelas legislações chinesas e brasileiras e pela relação comercial”, disse Fávaro. Ele acrescentou que, atualmente, as autoridades chinesas adotam o termo ‘substantaly free’ (substancialmente livre) como atestado de sanidade do produto que chega ao país. Mas não significa, necessariamente, que a carga esteja livre de qualquer substância passível de veto nas inspeções chinesas. Fávaro disse considerar legítima a preocupação da China. E que, por diversas vezes, o governo do país asiático fez queixar ao Ministério da Agricultura, sobre a presença de plantas daninhas nas cargas de soja. Por essa razão, o Ministério tomou a decisão de reforçar a fiscalização. “Não há risco comercial, mas sanitariamente, sim. Por isso atendemos a um pleito da parte chinesa”, afirmou Fávaro. Na semana que vem, autoridades do Brasil e da China se reúnem para discutir o assunto. A missão brasileira será liderada pelo secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, e pelo secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart. “A proposta do Brasil é criar um protocolo sanitário. Vai resolver o problema de ter sementes no navio de soja? A gente pode diminuir muito, ser mais rigoroso, as empresas estão dispostas a fazer um trabalho rigoroso de limpeza. Pode ir alguma semente, mas tem alternativas”, afirmou o ministro. Fávaro descartou a possibilidade de a China restringir ou até mesmo suspender importações de soja do Brasil enquanto as discussões sobre o protocolo sanitário estiverem em andamento. Em sua visão, se a China tivesse interesse em adotar esse tipo de medida, já teria adotado. “Não é de hoje que eles vêm nos avisando. Primeiro, que não há risco à qualidade da soja brasileira. Temos que encontrar o caminho. É importante que (o protocolo sanitário) chegue a um bom termo que atenda a capacidade da indústria chinesa e minimize ao máximo o risco sanitário”, afirmou. Pelo menos 22 navios com soja que tem a China como destino estão parados, enquanto não se chega a uma solução para o impasse. Fávaro relatou que ainda se espera a análise das amostras de carga dessas embarcações. Duas deram resultados negativos e já foram liberados, informou o ministro. Para aquele em que a avaliação ainda está pendente, o ministro da Agricultura disse que a ordem é de prioridade total, mas pontuou que não haverá autorização sem o atestado de qualidade sanitária. “Não tendo essa confirmação de status sanitário zero, vamos recomendar que a empresa mude o destino desse navio. Só vão viajar se estiverem dentro dos padrões estabelecidos pela China”, afirmou. Initial plugin text Na segunda-feira (16/3), a exportação de soja para a China foi tema de reunião do Ministério da Agricultura com representantes de tradings que atuam no Brasil. Na entrevista coletiva, em São Paulo, o ministro Carlos Fávaro disse que as empresas compreenderam a posição do governo e negou qualquer mudança de regras de inspeção por parte do governo. Ele argumentou que a fiscalização é responsabilidade do Ministério da Agricultura, por meio de empresas credenciadas para coletar as amostras de soja para exportação. Acrescentou que a postura do governo foi apenas a de aumentar o rigor das inspeções, em função das queixas reiteradas da China. “O Ministério recebeu as reclamações e informou as empresas e Associações. As reclamações não pararam por parte do governo chinês. Só sobra ao Ministério cumprir seu papel. Aumentamos a fiscalização. Não mudamos a regra”, argumentou.

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