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  "textContent": "\nA Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, entrou nesta terça-feira (10/3) com pedido de recuperação extrajudicial para negociar uma dívidas de R$ 65,1 bilhões com os principais bancos do país e “bondholders” (detentores de títulos internacionais). É o maior pedido de recuperação extrajudicial em curso no Brasil, como mostra o Pipeline, site de negócios do Valor. A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo. O valor negociado de dívidas da empresa só é menor que o da ex-Odebrecht (atual Novonor), de quase R$ 100 bilhões, e fica próximo ao da Oi, mas ambas entraram em recuperação judicial. Segundo a Raízen, o plano foi iniciado em consenso com credores de suas dívidas financeiras e assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação do montante estimado de R$ 65,1 bilhões. A empresa diz que já conta com a adesão expressa de 47% dos detentores de dívidas financeiras, demonstrando apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras do grupo. O pedido foi protocolado no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). O formato é muito semelhante ao que fez nesta terça-feira a varejista GPA – uma RE com apoio relevante de credores mas ainda correndo atrás do percentual necessário. Tem em comum também o advogado: o responsável por protocolar ambas é Eduardo Munhoz, sócio-fundador do E. Munhoz. Com isso, a companhia vai conseguir estancar por 90 dias as negociações com os credores até ganhar tempo para preparar um plano para tentar reerguer o negócio, segundo uma fonte envolvida na negociação. A Raízen é assessorada pelo escritório de advocacia E. Munhoz, Pinheiro Neto e pelo banco Rothschild. O plano pode envolver, entre outras medidas, a capitalização do grupo pelos seus acionistas, a conversão de créditos em participação, a substituição por novas dívidas, reorganização societária e venda de ativos. “A companhia esclarece que a recuperação extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrangerá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios”, afirma a empresa. As operações da Raízen seguem sendo conduzidas normalmente, no atendimento a clientes, na relação com fornecedores e na execução de seus planos de negócios, além de manter as dívidas operacionais continuam vigentes e nos seus respectivos termos. Poço de problemas A Raízen se tornou um poço do problemas para os principais acionistas desde o ano passado, quando a crise se agravou e corria o risco de entrar em recuperação judicial. Nos últimos dias, os sócios negociariam uma capitalização de R$ 4 bilhões. Shell vai colocar R$ 3,5 bilhões e Rubens Ometto, por meio da holding Aguassanta, outros R$ 500 milhões. A Cosan não vai participar diretamente do aporte. Em teleconferência com analistas, Marcelo Martins, presidente da Cosan, afirmou nesta terça-feira (10/3) que a proposta de capitalização de R$ 4 bilhões não será suficiente para resolver a situação financeira da Raízen. Ele disse que foi discutida a possibilidade de separação dos negócios de açúcar e etanol da de distribuição de combustíveis, descartada pela Shell. “A não separação dos negócios é um problema na subsidiária.” Para o executivo, os dois segmentos de negócios têm geração de caixa e alocação de capital distintas, e a separação ajudaria na sustentabilidade do negócio. A Cosan tentou nas últimas semanas negociar um aporte de terceiros, incluindo o BTG, acionista do grupo desde o fim do ano passado, mas as conversas não avançaram. Se a nova capitalização de R$ 4 bilhões no grupo for realmente efetivada, a Cosan se tornará sócia minoritária da Raízen. Até então, os dois acionistas têm 44% cada um da companhia. A expectativa é de que a companhia continue com o processo de venda de ativos. A empresa já vendeu usinas de açúcar e etanol e empresas de energia distribuída, que não é considerado ativo estratégico do grupo.",
  "title": "Com dívida de R$ 65 bilhões, Raízen terá maior recuperação extrajudicial do Brasil"
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