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"textContent": "\nO greening é reconhecido como a mais severa e desafiadora doença da citricultura mundial. Sua complexidade não reside apenas no agente causal, mas principalmente na interação entre planta, patógeno, inseto vetor e ambiente. Em regiões onde a incidência é elevada, o produtor convive diariamente com perdas produtivas, queda precoce de frutos, desuniformidade, redução da longevidade do pomar e aumento dos custos de manejo. Diante desse cenário, a citricultura evoluiu em estratégias de controle do psilídeo, erradicação de plantas sintomáticas, uso de mudas sadias e manejo nutricional. Ainda assim, mesmo em áreas onde o vetor está controlado, os impactos fisiológicos persistem nas plantas infectadas. Isso reforça a necessidade de aumentar a resiliência das plantas, permitindo que elas convivam melhor com o estresse imposto pela doença. Nesse contexto, os produtos biológicos de nova geração surgem como ferramentas estratégicas, para atuar de forma complementar, fortalecendo a planta, melhorando sua fisiologia e ampliando sua capacidade de resposta frente a um ambiente altamente desafiador. A literatura técnica e científica reconhece três pilares principais para o monitoramento e avaliação em campo: a inspeção visual dos sintomas, o diagnóstico laboratorial e o monitoramento do psilídeo. Em áreas com baixa pressão do inseto, a inspeção visual se torna uma ferramenta especialmente relevante para acompanhar a evolução da doença e os impactos das estratégias de manejo adotadas. Globo Rural Resiliência vegetal Resiliência vegetal pode ser definida como a capacidade da planta de suportar, adaptar-se e recuperar-se frente a estresses bióticos e abióticos. No caso do greening, trata-se de reduzir seus efeitos negativos sobre o metabolismo da planta. Plantas mais resilientes apresentam melhor equilíbrio nutricional, maior eficiência fotossintética, sistema radicular mais funcional e maior capacidade de emitir brotações sadias. Esses fatores, em conjunto, refletem-se em frutos mais uniformes, menor queda precoce e manutenção da produtividade por mais tempo. O uso de produtos biológicos com foco em resiliência representa uma mudança de mentalidade: sai o conceito exclusivamente curativo ou de controle direto e entra uma visão mais sistêmica, onde o fortalecimento da planta passa a ser protagonista. Avaliação em área com alta incidência Em um ensaio a campo em andamento, conduzido em área com alta incidência de greening, optou-se pelo método de inspeção visual dos sintomas como principal ferramenta de avaliação. Isso porque a população do psilídeo está controlada, permitindo uma análise mais clara dos efeitos do manejo sobre as plantas já afetadas pela doença. As pulverizações tiveram início em julho de 2025 e desde as primeiras avaliações, observa-se diferenças consistentes entre as áreas manejadas com o produto biológico versus o tradicional. Em áreas severamente afetadas pelo greening, a deformação dos frutos é um dos sintomas mais evidentes e economicamente prejudiciais. Nas plantas que receberam o manejo biológico complementar, os frutos apresentam formato mais regular e menor incidência de deformações. Além disso, nota-se uma coloração mais verde e homogênea das folhas, com redução do amarelecimento típico. Embora a doença continue presente, o impacto visual é claramente atenuado, indicando uma melhora no estado fisiológico da planta. Nas áreas tratadas, as novas brotações surgem de forma mais uniforme, com coloração normal e menor índice de folhas amareladas. A queda precoce de frutos, um dos maiores problemas enfrentados pelo citricultor em áreas com greening, também se mostra reduzida. Ainda que a avaliação final de produtividade e percentual de queda esteja programada para o término do ciclo, as observações visuais indicam uma retenção maior dos frutos nas plantas. Leia mais opiniões de especialistas e lideranças do agro Um aspecto observado ao longo do ensaio é a menor incidência de outras doenças e pragas. Nas áreas manejadas com o produto biológico, nota-se redução na incidência de doenças transmitidas por ácaros, de mancha graxa e menor presença de larva minadora. Esses resultados reforçam a ideia de que o fortalecimento fisiológico da planta tem efeitos sistêmicos. Plantas mais equilibradas e resilientes tendem a ser menos suscetíveis a uma série de estresses secundários, reduzindo a pressão de pragas e doenças que normalmente se aproveitam de tecidos debilitados. Diante dos desafios atuais da citricultura, estratégias focadas em resiliência vegetal devem ser vistas como um novo pilar complementar, capaz de ampliar a sustentabilidade técnica e econômica dos pomares afetados pelo greening, onde o maior ganho técnico não está em eliminar a bactéria, mas em reduzir a velocidade com que ela inviabiliza a planta. *Renato Zapparoli é engenheiro agrônomo, pesquisador e CEO da Demetra As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Globo Rural",
"title": "O uso de biológicos em pomares com alta incidência de greening"
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