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Setor de carne bovina espera avanço em negociações com Japão e Coreia

Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial] March 11, 2026
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A indústria exportadora de carne bovina espera que a influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajude a destravar as negociações de décadas com dois mercados estratégicos que seguem fechados ao produto brasileiro: Japão e Coreia do Sul. Juntos, os países importam mais de 1 milhão de toneladas por ano, sobretudo dos Estados Unidos e da Austrália. Uma possível abertura ao Brasil pode significar fôlego para diversificar os embarques e agregar valor a alguns cortes em momento de pressão no setor com as cotas impostas pela China, principal cliente brasileiro. A possibilidade mais madura é com o Japão. O processo com a Coreia ainda é um sonho mais distante e não deve ser encerrado em 2026, apesar dos avanços. A estratégia do setor já deu certo com o Vietnã, que abriu seu mercado em março de 2025 após a visita de Lula ao país. Na ocasião, o Brasil fez concessões, como a autorização para importação de tilápia dos vietnamitas. Oito frigoríficos foram habilitados e já iniciaram as vendas ao Vietnã. Leia também Indústria da carne bovina teme perda de até 40% das exportações com guerra no Irã Carne bovina pode ficar mais cara em 2026 com queda nos abates Em fevereiro deste ano, Lula esteve em Seul, capital da Coreia do Sul, e enfatizou o pedido de abertura do mercado a líderes políticos e empresários coreanos. “O Brasil vem trabalhando há quinze anos para obter acesso ao mercado de carne bovina coreano. O bulgogi, tradicional churrasco coreano, combina com uma carne de qualidade como a brasileira”, brincou Lula em discurso no país asiático. “Estamos prontos para avançar nos procedimentos sanitários necessários para que o Brasil esteja no prato do cidadão coreano. Isso também permitirá que os maiores frigoríficos do mundo, que são brasileiros, se instalem e invistam aqui na Coreia”, afirmou na ocasião. Missão ao Brasil Com o “empurrão” de Lula, o governo da Coreia do Sul firmou compromisso de enviar uma missão para realizar auditoria no Brasil ainda neste ano. “A notícia é boa, plantamos a abertura do mercado, pois se comprometeram a vir para o Brasil”, disse Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Ele ressaltou que não há data marcada, mas que a visita coreana pode dar um “impulso importante” na negociação. Após a auditoria presencial, que será realizada por uma das duas agências estatais responsáveis pelas avaliações sanitárias, o processo com a Coreia do Sul é apenas documental. “Depois dessa visita, é tudo documental. Se quiser fazer a abertura em um mês, faz”, disse. “Temos chance grande de o processo avançar rapidamente, mesmo que isso signifique um período entre seis meses e um ano após a visita”, afirmou Perosa. Por isso, a expectativa é que a abertura só ocorra a partir de 2027. A Coreia do Sul importa cerca de 600 mil toneladas de carne bovina por ano, principalmente dos Estados Unidos e da Austrália. Além do compromisso para auditar o sistema sanitário brasileiro na negociação para exportação do produto, os coreanos se comprometeram a abrir seu mercado para os ovos do Brasil. Initial plugin text O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, apontou ainda avanços na relação com a Coreia do Sul com a confirmação de auditorias para abertura para exportação de uvas e para novas habilitações de estabelecimentos para venda farinhas de origem animal e carne suína. “Também houve promessa de resposta em três semanas para a habilitação de 15 novos estabelecimentos de aves, um aumento de 33% no número de plantas habilitadas, caso se confirme”, disse. O Japão, por sua vez, enviará uma missão técnica para auditoria no sistema sanitário brasileiro entre a última semana de março e a primeira de abril, apurou a reportagem. O governo japonês pediu discrição com a agenda no Brasil, que não foi divulgada. A auditoria será concentrada nos três Estados da região Sul, apesar de pedidos do Brasil para incluir Rondônia e Acre. Recentemente, o Ministério da Agricultura enviou respostas a um questionário prévio com detalhes sobre os procedimentos adotados na fiscalização. Pessoas a par das tratativas avaliam que uma eventual abertura de mercado vai levar em consideração a posição do Mercosul na relação com o Japão. A Argentina já tem autorização para enviar carne da região da Patagônia, mas o local concentra cerca de 2% do rebanho do país. As negociações dos japoneses com os argentinos estão em um estágio mais avançado. O Uruguai já fornece ao Japão e o Paraguai iniciou conversas. A avaliação de fontes que acompanham o tema é que a eventual abertura para o Brasil estará em um pacote para atender o bloco sul-americano e não de forma isolada. Pesa a favor dos brasileiros o status sanitário de país livre de febre aftosa sem vacinação, condição melhor que a da Argentina. Há leituras também de que o aval depende de costuras políticas entre Tóquio e os Estados Unidos, principal fornecedor de carne bovina ao Japão, que vê a concorrência aumentar nesse mercado com as negociações em tempos de guerra tarifária. O Japão vive um momento de alta na inflação de alimentos. Com a economia estagnada, o poder de compra da população está em queda, o que afeta o consumo de carne bovina. No país asiático, o produto é mais caro que o frango, em proporção ainda maior que no Brasil. A competitividade da carne bovina brasileira em relação a outros fornecedores pode ser um atrativo a mais nesse cenário.

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