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"textContent": "\nA guerra no Oriente Médio já gerou aumento do preço do óleo diesel nas bombas em até R$ 1 por litro em algumas regiões do Brasil, segundo relatos enviados por produtores rurais enviados à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Para tentar amenizar o impacto nos custos do combustível no campo e para demais consumidores, a entidade solicitou ao Ministério de Minas e Energia (MME) que seja aprovada a elevação do percentual de mistura obrigatória do biodiesel para 17%. Leia mais Indústria pressiona por aumento da mistura do biodiesel para 16% Be8 assume operação de unidade de biodiesel em Mato Grosso Como há perspectiva de safra recorde de soja no Brasil neste ano – principal matéria-prima para produção de biodiesel – e o país é importador de diesel, o aumento da mistura poderia reduzir eventuais impactos nos preços do combustível, a depender da extensão do conflito. Segundo a CNA, a cotação do grão em patamares mais baixos ajudaria a produção maior do biocombustível a custos menores. Em ofício encaminhado à Pasta nesta sexta-feira (6/3), a CNA pediu que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprove uma aceleração no cronograma da mistura do biocombustível. Em março, deveria ter entrado em vigor a adição de 16%, mas a medida ainda não foi aprovada pelo colegiado, pois testes para validação de percentuais mais altos só serão concluídos na metade do ano. Bruno Lucchi, diretor-técnico da CNA, disse que a guerra já gerou um impacto direto nos custos com o óleo diesel em momento de elevado consumo no campo, com tratos culturais em algumas lavouras, colheita e plantio de outras e a contratação de fretes para escoamento da produção. Ele relatou preocupação com um incremento tão rápido do preço nas bombas de alguns postos, principalmente em Goiás. “Tivemos informações de aumento de R$ 1 por litro na bomba em Goiás. Isso é desproporcional, ainda não houve tempo de internalizar esse incremento no preço do barril do petróleo”, afirmou à reportagem. “Acreditamos que vai ter aumento do diesel, mas não nessa magnitude e em curto espaço de tempo”, completou. A Lei do Combustível do Futuro (14.993/2024) estabeleceu a meta de mistura de 16% a partir de 1º de março. A legislação autoriza o CNPE a fixar o percentual obrigatório de adição de biodiesel entre 13% e 25%, desde que seja constatada a viabilidade técnica. O pedido de elevação no teor da mistura do biodiesel é baseado na experiência vivenciada com a guerra entre Rússia e Ucrânia, quando o diesel aumentou 23%, segundo Lucchi. “Vamos ter uma safra recorde no Brasil, o preço da soja está entre os menores neste momento. Então, não teria incremento negativo ao preço do produto e conseguiríamos minimizar um pouco os impactos do aumento internacional que deve chegar mais forte nas próximas semanas”, explicou. A CNA ainda não tem os cálculos de quanto o aumento de dois pontos percentuais na mistura do biodiesel ao diesel poderia significar em termos de redução do preço do produto final. “Esperamos que seja acatado para que haja redução no preço ao produtor rural e todos os consumidores de diesel do Brasil. Pode ajudar até a minimizar o aumento inflacionário para o país, pois o diesel impacta na logística de todo o país”, disse Lucchi. No ofício, ao qual a reportagem teve acesso, a CNA relata a alta de 20% nos preços do barril de petróleo desde o início da guerra e diz que o aumento da mistura antecipa eventuais impactos à população brasileira. “O avanço da mistura de biodiesel representa medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, diz o texto assinado pelo presidente da CNA, João Martins. O documento relata ainda que o atraso na implementação do B16 já reduz o potencial de amortecimento de crises oferecido pela cadeia de biocombustíveis. Consultado, o MME ainda não respondeu se o pleito será levado para votação na reunião do CNPE da próxima quinta-feira (12/3). Fertilizantes preocupam Outra preocupação da CNA é com a alta dos custos dos fertilizantes. O Brasil importa cerca de 18% da ureia usada nas lavouras do Irã e de Omã, disse Lucchi. Com o conflito instalado na região, a cotação do adubo já saltou 33% entre sexta-feira passada (27/2), um dia antes do início da guerra, e esta sexta-feira (6/3). O receio é que se repita o que ocorreu na pandemia e com a guerra entre Rússia e Ucrânia. “Os fertilizantes já tiveram preços aumentados nesses episódios e que não caíram para o mesmo patamar pré-pandemia, ao contrário das commodities agrícolas. É algo que preocupa, mas de certa forma a ureia já está sendo usada [para a segunda safra] e a boa parte do insumo para a próxima safra já foi comprado”, disse Lucchi. Segundo ele, as compras para o plantio de verão vão até junho. Cerca de 30% já foi negociado. A avaliação de momento é que é necessário esperar para saber a duração do conflito. “Teria prazo para decidir, não tem impacto direto agora. Se a guerra terminar logo, consegue amenizar esse incremento de custos”, apontou. A CNA tem monitorado diariamente a situação no Oriente Médio e possíveis reflexos aos produtores rurais. Há preocupação com a extensão do conflito. Isso porque o Brasil enviou 9 milhões de toneladas de milho ao Irã em 2025, cerca de 23% de todas as exportações no ano passado. “O que nos tranquiliza é que a maior parte dessas exportações ocorre a partir de agosto e setembro, com a colheita da segunda safra, até janeiro. Ou seja, não estaria no momento de exportar milho para lá”, afirmou Lucchi. O Brasil também exporta soja e açúcar, em menores proporções, para o Irã, foco inicial do conflito. Como a guerra se espalhou para países vizinhos, a preocupação cresceu, principalmente em relação às carnes. As notícias de que a indústria de frango, que tem a região como destino de 30% das suas exportações, tem conseguido encontrar rotas alternativas para não interromper os embarques tranquiliza o setor produtivo. “Quando falamos de Oriente Médio, 30% do frango brasileiro é exportado para essa região. O que temos ouvido da indústria frigorífica de frango, que é muito dinâmica, é que eles têm conseguido buscar rotas alternativas e que navios com alimentos têm tratamento diferenciado”, apontou Lucchi. Mesmo assim, ele reforçou que os custos logísticos aumentaram, e podem ter reflexo na ponta. “O custo logístico é o que vai impactar as exportações”, disse. Houve certo estranhamento da CNA com a informação divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) nesta semana de que até 40% das vendas externas do setor poderiam ser afetadas de alguma maneira pela guerra, com impacto em 1 milhão de toneladas e até US$ 6 bilhões em negócios. A notícia mexeu com a cotação da arroba do boi aos pecuaristas. “As exportações de carne bovina para o Oriente Médio representam cerca de 6,8%. Não é rota da China, nem para México, Chile e Estados Unidos, que são grandes clientes. É um percentual pequeno, em que pese significativo, mas que precisaria de mais tempo para ter impacto no Brasil”, apontou Lucchi. “Já tivemos nessa semana uma queda no valor da arroba. Achamos um pouco estranho pelo curto espaço de tempo de um impacto tão grande, mesmo entendendo que os custos logísticos vão aumentar”, completou.",
"title": "Produtores rurais relatam alta de R$ 1 no litro do diesel e pedem ao governo maior teor de biodiesel"
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