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"textContent": "\nA palavra capataz, de origem espanhola e derivada do latim com o significado de cabeça, atravessou séculos sem perder o sentido. Em uma fazenda, por exemplo, o termo é levado ao pé da letra e define o profissional que pensa, organiza e comanda o trabalho no campo, atuando como elo entre o proprietário e os trabalhadores rurais. Leia mais: Do campo para a NFL: agrônomo brasileiro virou jogador de futebol americano Homem que viralizou usando drone de R$ 300 mil como transporte em fazenda é denunciado Gaúcho monta academia na roça com peças improvisadas e coleciona medalhas É exatamente essa definição que se materializa na rotina diária de Gerson Duarte, de 34 anos, capataz da Fazenda Nossa Senhora da Conceição, em Bom Jesus (RS). A propriedade, na Serra Gaúcha, tem 2,2 mil hectares e é voltada à pecuária de cria, com, aproximadamente, 1 mil matrizes em reprodução. Em entrevista à Globo Rural, ele conta que, antes mesmo do amanhecer, já está de pé para organizar as tarefas e auxiliar os demais funcionários nas demandas. “O dia do capataz começa cedo, e o trabalho é constante. Antes de qualquer coisa, organizo a lida dividindo tarefas, orientando e ajudando cada um na sua função. Eu vejo o que precisa ser feito. Posso começar alimentando os animais na sede, seguir para o campo conferindo as invernadas ou até operar um trator. Cada dia é diferente, mas a responsabilidade é a mesma”. Atualmente, a equipe coordenada por ele é formada por três peões e um estagiário. E, conforme a demanda, a fazenda também conta com diaristas, além do suporte de técnico, veterinário e gerente. Entre as funções, Gerson se divide nas atividades práticas, como identificar animais doentes, conferir bebedouros e percorrer quilômetros em busca de vacas e bezerros recém-nascidos na época do parto, e as responsabilidades de gestão, ouvindo a equipe e repassando aos gestores. “Eu, como capataz, sou responsável pelo dia a dia. Coordeno os peões na lida, organizo os trabalhos e garanto que tudo funcione como deve funcionar. Minha principal responsabilidade é fazer o serviço andar, mas também penso nas pessoas e quero manter todos motivados. Eu não trabalho para a fazenda, eu trabalho para mim. Por isso, não me canso e sempre busco fazer o melhor possível”. Do campo para a internet Além de coordenar a equipe, Gerson decidiu mostrar a rotina da profissão nas redes sociais. Hoje, reúne 118 mil seguidores interessados em conteúdos que vão do manejo do gado aos bastidores da vida no interior. A ideia surgiu com um propósito: ajudar outros profissionais com dicas e conselhos para que não enfrentassem as mesmas dificuldades que ele já viveu. “A partir do momento em que comecei a melhorar minha conduta, tanto pessoal quanto profissional, senti que podia ajudar outras pessoas. Comecei em conversas com amigos e parentes e, aos poucos, percebi que podia alcançar mais gente”. O retorno positivo em comentários e mensagens privadas o incentivou a dar um passo além. No fim de 2025, ministrou duas palestras que reuniram mais de 500 pessoas, entre peões, capatazes, gerentes e proprietários, e lançou o curso “Laço Forte”, 100% online e voltado à qualificação e necessidades do homem do campo. As iniciativas abriram ainda mais portas no agronegócio. “A minha principal mensagem é compartilhar meus erros e acertos para inspirar e mostrar a importância da eficiência, da valorização das pessoas e do trabalho bem feito. Isso ajuda o peão e ajuda o patrão. Todos querem um futuro melhor para suas famílias. E comigo não é diferente. Busco sempre dar um bom exemplo aos meus filhos, Lívia, Lucas e Davi, e tenho uma ótima esposa, a Gislaine, que me acompanha nessa jornada”, finaliza. Ao compartilhar a própria história, Gerson valoriza uma figura muitas vezes invisível fora das porteiras e reforça que a pecuária começa nas pessoas. E se a palavra capataz significa cabeça, é porque liderar no campo exige mais do que comando, exige propósito.",
"title": "O que faz um capataz? Gaúcho mostra rotina de trabalho em fazenda e lança até curso"
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