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  "textContent": "\nO celular faz parte da rotina de 93% dos jovens brasileiros com idade entre 9 e 17 anos, segundo dados da TIC Kids Online Brasil, pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). O levantamento mostra que os menores utilizam o smartphone para fazer trabalhos, assistir a vídeos online e navegar em redes sociais. Essa realidade convive com outra: estudos científicos apontam para os impactos do uso precoce do celular no desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes. Afinal, o público infanto-juvenil deveria ter celular? Se sim, quando? O TechTudo foi atrás dessas respostas. Para isso, conversamos com a pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn, formada pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Desenvolvimento Infantil, Neurociência e Terapia Intensiva Pediátrica; e o neurologista infantil Dr. Paulo Lobão, coordenador do Departamento Científico de Transtornos de Neurodesenvolvimento da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI). Nesta matéria, discutimos os impactos das telas na saúde de crianças e adolescentes, qual é o momento mais adequado para uma criança ter o próprio celular e listamos cuidados devem ser adotados pelas famílias. Confira. 📱Comparador de celulares do TechTudo: analise preços, ficha técnica e recursos 🔎 Óculos inteligentes são usados para 'colar' em provas; entenda Especialistas explicam riscos reais para crianças e adolescentes Freepik ➡️ Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews 📝 Celular Motorola travando, o que pode ser? Pergunte no Fórum do TechTudo Qual a idade ideal para dar celular a uma criança? Especialistas explicam Confira, no índice abaixo, os assuntos abordados nesta matéria. Crianças online: uma realidade no Brasil Impactos do uso do celular no desenvolvimento infantil Qual a idade mais indicada para uma criança ter o próprio celular? Quando o celular deixa de ser um meio de entretenimento e passa a prejudicar a criança? O que os responsáveis podem fazer para limitar e controlar o uso dos smartphones? Crianças online: uma realidade no Brasil O acesso à internet por meio de dispositivos móveis já faz parte da rotina da maioria das crianças e adolescentes brasileiros. Dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) mostram que o celular é o principal meio de acesso à internet para 93% do público infantojuvenil (9 a 17 anos) no país, independente da classe social. O uso acontece principalmente para entretenimento, atividades educacionais e acesso às redes sociais, embora muitas dessas plataformas estabeleçam idade mínima de 13 anos para criação de contas. Quais impactos o uso exacerbado de telas gera nos jovens e como lidar com o problema? Confira o que diz especialista Reprodução/Freepik O cenário brasileiro acompanha uma tendência global de hiperconectividade. De acordo com a organização Common Sense Media, 42% das crianças já possuem um celular aos 10 anos de idade. Aos 12 anos, esse percentual sobe para 71%, enquanto aos 14 anos chega a 91%. Os números ajudam a explicar por que o debate sobre a idade adequada para receber o primeiro smartphone se tornou uma preocupação crescente entre famílias, educadores e profissionais da saúde. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a discussão não deve se limitar apenas ao tempo de uso. O Guia sobre Uso de Telas e Dispositivos Digitais elaborado pela Secretaria de Comunicação Social destaca que crianças e adolescentes estão inseridos em um ambiente digital construído para capturar atenção e prolongar o engajamento. Nesse cenário, notificações, algoritmos de recomendação, rolagem infinita e mecanismos de recompensa social fazem parte de um modelo de negócios que busca manter usuários conectados pelo maior tempo possível, algo especialmente sensível para cérebros ainda em desenvolvimento. Impactos do uso do celular no desenvolvimento infantil O uso excessivo de smartphones pode afetar diferentes áreas do desenvolvimento infantil. Estudos apontam que a exposição precoce às telas está associada a atrasos de linguagem, dificuldades de socialização, problemas de atenção e alterações na regulação emocional. Quanto mais cedo ocorre esse contato e quanto maior o tempo de uso, maiores tendem a ser os riscos observados ao longo da infância e da adolescência. Uma pesquisa publicada recentemente na revista científica Pediatrics, que acompanhou mais de 10 mil crianças, identificou que jovens de 12 anos que possuíam smartphone apresentavam 31% mais risco de desenvolver sintomas de depressão, 40% mais chances de obesidade e 62% mais probabilidade de dormir menos do que o recomendado para a faixa etária. Criança usando celular à noite, antes de dormir Reprodução/Pexels O neurologista infantil Paulo Lobão explica que o problema vai além do aparelho em si. Segundo ele, o smartphone acaba substituindo experiências essenciais para o amadurecimento cerebral. \"Quando uma criança passa horas por dia diante de uma tela (especialmente sem supervisão), esse tempo compete diretamente com experiências que o cérebro precisa para se desenvolver bem: brincadeiras, conversas, exploração do ambiente. Na prática clínica, vemos com frequência crescente crianças com maior dificuldade de lidar com frustrações, menos habilidade para se relacionar e atenção mais fragmentada\", afirma. De acordo com a Dra. Anna Dominguez Bohn, esses efeitos também podem se estender à adolescência e à vida adulta. “O uso frequente desses dispositivos leva, de fato, a mudanças na arquitetura do cérebro. As crianças vão desenvolvendo menor foco, menor atenção, menor memória. Isso leva, na adolescência, ao aumento da impulsividade, de ansiedade e de sintomas depressivos, inclusive com mais taxas de ideação suicida na adolescência e na vida adulta”, observa a especialista. Qual a idade mais indicada para uma criança ter o próprio celular? Embora muitos pais procurem uma resposta objetiva para essa pergunta, os especialistas afirmam que não existe uma idade universal capaz de determinar quando uma criança está pronta para ter um smartphone próprio. A maturidade emocional, a capacidade de seguir regras, o contexto familiar e o nível de supervisão disponível costumam ser fatores mais importantes do que a idade cronológica isoladamente. Criança pintando desenho Reprodução/Freepik Ainda assim, algumas referências vêm sendo discutidas por especialistas e entidades médicas. Para Anna Dominguez Bohn, o debate atual aponta para a possibilidade de acesso a um celular por volta dos 13 anos, especialmente por questões relacionadas à comunicação e à autonomia. No entanto, ela ressalta que isso não significa liberar acesso irrestrito à internet e às redes sociais. Segundo a pediatra, plataformas como Instagram, TikTok e outras redes deveriam ser introduzidas apenas mais tarde, preferencialmente a partir dos 16 anos e sempre com acompanhamento familiar. O neurologista Paulo Lobão segue uma linha semelhante. Para ele, antes dos 11 ou 12 anos o celular próprio raramente é necessário e costuma oferecer mais riscos do que benefícios. O especialista destaca que a pressão social exercida pelos colegas não deve ser o principal fator na decisão. A avaliação precisa considerar se a criança consegue cumprir combinados, tem rotina organizada e se há adultos disponíveis para acompanhar o uso da tecnologia. \"Mais importante do que o número de velas no bolo é perguntar: essa criança consegue cumprir combinados? Ela tem rotina estruturada? Há um adulto disponível para acompanhar o uso? A pressão dos colegas (\"todo mundo tem\") é real, mas não é critério clínico\", orienta. Essa visão também dialoga com recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, que orienta evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas e estabelecer limites progressivos ao longo do desenvolvimento. Ou seja, mais do que determinar uma idade fixa, o consenso entre especialistas é que o acesso ao smartphone deve acontecer de forma gradual, supervisionada e compatível com o estágio de maturidade da criança. Quando o celular deixa de ser um meio de entretenimento e passa a prejudicar a criança? Nem sempre é fácil identificar quando o uso do celular ultrapassa os limites do entretenimento saudável e passa a representar um problema. Por isso, especialistas recomendam que os responsáveis observem mudanças comportamentais e emocionais, muitas vezes mais reveladoras do que o número de horas registradas na tela. Entre os sinais de alerta estão: irritabilidade excessiva quando o aparelho é retirado; perda de interesse por atividades antes consideradas prazerosas; queda no rendimento escolar; dificuldades para dormir; e uso escondido durante a noite. Também merecem atenção situações em que a criança demonstra ansiedade intensa ao ficar longe do aparelho ou passa a mentir sobre o tempo que permanece conectada. Comportamentos esses que, segundo Paulo Lobão, podem indicar um padrão semelhante ao observado em processos de dependência. \"Quanto mais cedo forem identificados, mais fácil é intervir”, afirma o neurologista. Criança assistindo a desenho no tablet Reprodução/GettyImages (Justin Paget) Anna Dominguez Bohn também alerta para situações em que o smartphone passa a funcionar como ferramenta exclusiva de autorregulação emocional. Quando a criança só consegue comer, se acalmar ou lidar com frustrações enquanto utiliza telas, isso pode indicar uma relação pouco saudável com a tecnologia. Nesse caso, o impacto tende a ser ainda maior quando o uso interfere diretamente na qualidade do sono, nas relações familiares e na convivência social. O que os responsáveis podem fazer para limitar e controlar o uso dos smartphones? Os especialistas são unânimes ao afirmar que a melhor estratégia não é proibir completamente o acesso à tecnologia, mas estabelecer limites claros e consistentes. A construção de hábitos saudáveis começa pelo exemplo dado pelos próprios adultos. Ambientes familiares em que os pais utilizam constantemente o celular tendem a dificultar a criação de regras eficazes para as crianças. Mãe e filha usando celular Shutterstock Entre as recomendações mais frequentes estão retirar aparelhos dos quartos durante a noite, evitar o uso de celulares durante refeições, incentivar atividades físicas, brincadeiras ao ar livre e momentos de convivência familiar sem telas. Além disso, também é importante criar regras claras sobre horários, tipos de conteúdo permitidos e tempo máximo de utilização. Aqui, o neurologista Paulo Lobão reforça a importância da participação ativa dos pais durante o uso da tecnologia. “A estratégia mais eficaz não é proibir, mas estruturar. Algumas medidas simples fazem grande diferença: combinar regras claras antes de entregar o aparelho (e não depois do problema instalado); manter o celular fora do quarto e da mesa de refeições”, destaca. Além das medidas educativas, os próprios sistemas operacionais oferecem recursos que podem ajudar no controle parental. Ferramentas do Android e iOS permitem limitar tempo de uso, bloquear aplicativos específicos, restringir conteúdos inadequados, impedir compras não autorizadas e acompanhar a atividade digital das crianças. Para os especialistas ouvidos pelo TechTudo, esses recursos funcionam melhor quando são utilizados como complemento ao diálogo e à supervisão, e não apenas como mecanismos de vigilância. Vale destacar que a construção de uma relação saudável com a tecnologia também passa pelo desenvolvimento do pensamento crítico. Pais e responsáveis devem conversar sobre segurança digital, privacidade, fontes confiáveis de informação e riscos presentes na internet. Mais do que restringir, o objetivo é preparar crianças e adolescentes para usar a tecnologia de forma consciente, equilibrada e segura. Por fim, em um cenário cada vez mais conectado, a pergunta talvez não seja apenas quando dar um celular para uma criança, mas como garantir que esse acesso aconteça de forma responsável. A ciência e os especialistas apontam que o desenvolvimento infantil depende de experiências que nenhuma tela consegue substituir. Por isso, mais importante do que a idade exata é assegurar que o uso da tecnologia aconteça dentro de limites capazes de preservar o sono, a socialização, a aprendizagem e o bem-estar emocional das novas gerações. Com informações de G1, Secretaria de Comunicação Social e Stony Brook Medicine 🎥Golpe do silêncio? Entenda o que é e como evitar GOLPE DO SILÊNCIO no celular? Entenda e saiba como evitar!",
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