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Casa modernista dos anos 1950 ganha alma maximalista pelas mãos da moradora

Casa e Jardim | Sua casa linda do seu jeito [Unofficial] June 26, 2026
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Alguns lares transcendem estética e funcionalidade e contam histórias. É o caso da residência da decoradora Lulu Moura Buffara, em que cada móvel, obra de arte, revestimento ou objeto traz uma lembrança, uma viagem, uma herança familiar ou uma referência visual. O resultado é uma morada de 260 m² em São Conrado, no Rio de Janeiro, que traduz com autenticidade a personalidade da moradora e de sua família. Assinada pelo escritório Capuri Arquitetura (@capuri__) , liderado pelas sócias Sylvia Moura e Elizabeth Lopes, do qual Lulu é integrante, a reforma aconteceu em duas etapas. A primeira contemplou a casa principal, construída em 1952, em pleno início do modernismo brasileiro. Mais tarde, com a chegada da filha Sylvia, uma nova intervenção ampliou o anexo e reorganizou a área íntima para acomodar um banheiro adicional. O desafio foi atualizar o imóvel sem apagar sua história. RETRATO | A decoradora e moradora, Lulu Moura Buffara, está ao pé da escada original da casa, feita de latão e mármore. Ao fundo, quadro pintado por Panmela Castro Ruy Teixeira/Divulgação “Sou maximalista, mas acredito que os ambientes precisam ter momentos de calma e respiro. Quartos, por exemplo, devem transmitir tranquilidade, enquanto os lavabos podem ser universos completamente diferentes”, comenta Lulu. Leia mais Logo na entrada, a personalidade do projeto se revela. O hall com escada é revestido pelo papel de parede Montreal, de William Morris, o qual serviu como ponto de partida para toda a decoração. A estampa exuberante imprime caráter e dialoga com a mistura de épocas e influências que percorre a casa. ENTRADA | Logo na chegada, o porta-guarda-chuva feito de telhas antigas prenuncia o conceito do projeto de interiores. Na boiserie, pintada na cor Jardim Noturno da Suvinil, destaca-se um quadro cusquenho adquirido em leilão, acompanhado por um banco da Zara Home Ruy Teixeira/Divulgação HALL | O papel de parede Montreal, de William Morris, serviu de ponto de partida para toda a decoração. Entre as arandelas compradas em Tiradentes, MG, quadro assinado por Ana Cláudia Almeida e, logo abaixo, tapete marroquino. Ao fundo, tapeçaria Árvore da Vida, um motivo tradicional na arte de Udaipur, no estado do Rajastão, na Índia, onde foi a peça foi adquirida Ruy Teixeira/Divulgação Do lado de fora, a fachada preserva um dos elementos mais emblemáticos da construção original: azulejos dos anos 1950. O detalhe foi tão valorizado pela moradora que acabou inspirando outro ambiente: “A casa tem um ‘quê’ de Brasil antigo que eu queria manter. Por isso, copiamos os azulejos da fachada para revestir a parede da sala de TV do anexo”, ela conta. FACHADA | A reforma preservou os azulejos originais, datados de 1952, um dos elementos mais emblemáticos da construção, os quais inspiraram outro ambiente no projeto Ruy Teixeira/Divulgação As salas de estar traduzem a essência maximalista com muitas cores e estampas. Numa delas, um tom claro de verde foi escolhido para as paredes como contraponto ao verde intenso do papel de parede do hall. Três sofás desenhados pela própria Lulu organizam o espaço, enquanto poltronas Senior, de Jorge Zalszupin, revestidas com tecido de inspiração felina, reforçam a atmosfera irreverente. SALA | Tons de verde se repetem nas paredes e no teto. Sofá e almofadas feitas sob medida com tecido da Entreposto. Divisor de ambientes comprado no Japão. Quadros de Panmela Castro e Alberto da Veiga Guignard Ruy Teixeira/Divulgação A composição ganha ainda mais personalidade com obras de arte selecionadas com o apoio da Panorama Art Advisory, dos consultores Maria Antonia Ferraz e João Paulo Siqueira Lopes. Entre os destaques está, ainda, um espelho desenhado especialmente para Lulu pelos designers do estúdio Palma. BAR | Inserido no ambiente social, o móvel comprado do antiquário Jean Michel Ruis faz as vezes de bar, rodeado de peças colecionadas ao longo dos anos, como a escultura do personagem O Amigo da Onça e o balde de gelo vintage. Na parede, obra de Igi Lọ́lá Ayedun Ruy Teixeira/Divulgação Outro ponto de destaque é o móvel-bar, integrado ao ambiente social e cercado por objetos acumulados ao longo dos anos, como uma escultura do personagem O Amigo da Onça — criado nos anos 1940 para histórias em quadrinhos publicadas pela antiva revista O Cruzeiro — e uma obra da artista Igi Lọ́lá Ayedun. SALA DE JANTAR | A pintura manual de Isabel Moura, irmã da moradora, envolve o ambiente repleto de memória afetiva. A mesa inglesa e as cadeiras estilo Dona Maria pertenceram ao seu bisavó, enquanto a passadeira foi trazida da Espanha por sua mãe. O lustre criado por Leo Neves, da Waiwai, fecha a composição como uma escultura luminosa Ruy Teixeira/Divulgação Na sala de jantar, a herança familiar assume papel central. A mesa e as cadeiras pertenciam ao bisavô da moradora e convivem harmoniosamente com elementos contemporâneos. As paredes receberam pintura manual assinada por Isabel Moura, irmã de Lulu, repleta de símbolos e significados pessoais. Sobre a mesa, o lustre criado por Leo Neves, da Waiwai, funciona como uma verdadeira escultura luminosa. COZINHA | Na reforma, a inserção de uma bay window ampliou o ambiente e trouxe luz natural para a área de trabalho, onde estão o fogão da linha industrial da Tramontina e a coifa sob medida da Chauffage. Bancada feita de quartzito Taj Mahal, com pia e torneira da Deca. Armários da Florense Ruy Teixeira/Divulgação A cozinha passou por uma das transformações estruturais mais importantes. Uma bay window ampliou o ambiente sem comprometer a arquitetura original da construção. Leia mais Na decoração, o espaço abriga peças trazidas de diferentes partes do mundo, como a pia de latão adquirida no Marrocos. “Sempre aproveito objetos que contam nossa história. Acredito que uma casa precisa refletir quem mora nela”, afirma Lulu. ÁREA EXTERNA | A estrutura metálica da bay window da cozinha, pintada com a cor Borracha, da Suvinil, abre-se para o quintal com mesa de refeições Ruy Teixeira/Divulgação Nos fundos, o quintal foi concebido como um refúgio. O destaque é a mesa de refeições criada pela própria Lulu, inspirada em uma peça vista durante uma viagem à Sicília, na Itália. A base metálica recebeu tampo de azulejos com os 12 signos do zodíaco, produzidos especialmente pela artista Tereza Penna. QUINTAL | Inspirada em uma viagem à Itália, a moradora desenhou a mesa de refeições, cujo tampo recebeu azulejos com os 12 signos do zodíaco, produzidos pela artista Tereza Penna. O espaço reúne peças trazidas de suas andanças pelo mundo, como a louça de Ischia, a cabeça de porcelana da Sicília e o chapéu de safari da África do Sul Ruy Teixeira/Divulgação A lavanderia segue a lógica funcional e maximalista que guiou o projeto. Como a inspiração eram as tradicionais townhouses de Nova York e Londres, o cômodo foi planejada para exigir pouca manutenção. LAVANDERIA | Bancada e backsplash de quartzito Taj Mahal, com cortina de tecido assinado pela artista Isabel Moura. Torneira da Deca. Os pôsteres foram adquiridos no Jardim Botânico de Kew Gardens, em Londres, enquanto a cesta veio de uma feira na França. Piso da Ekko Revestimentos Ruy Teixeira/Divulgação No quarto da pequena Sylvia, o afeto aparece em cada detalhe. A cama de latão atravessa gerações: pertenceu à mãe de Lulu, depois à própria decoradora, à sua irmã e agora acolhe a filha. O papel de parede veio de uma viagem e o tapete foi desenvolvido em parceria com uma marca, reforçando a atmosfera lúdica e acolhedora. QUARTO DE BEBÊ | O berço de fibra natural da Bamboo Style recebeu dossel da Fina Flor. Ao fundo, papel de parede de Riley Sheehey. Tapete desenvolvido em parceria com a Galeria Hathi Ruy Teixeira/Divulgação A suíte máster revela uma faceta mais serena da moradora. O ambiente combina tecidos naturais e mobiliários desenhados por ela: a cama e as mesas de cabeceira, complementadas por puxadores da designer britânica Matilda Goad. QUARTO | Tons neutros suavizam o ambiente de repouso, com paredes e teto pintados de rosa Orvalho, da Suvinil. Cama e mesas de cabeceira desenhadas pela moradora, com puxadores da designer britânica Matilda Goad. Luminária pendente do artista Thomaz Velho. Quadros de Isabel Moura. Colcha comprada na França Ruy Teixeira/Divulgação No anexo, a sala de TV ocupa o pavimento térreo. O cômodo abriga um dos móveis mais especiais da casa: a poltrona Vivi, criada por Sergio Rodrigues em homenagem à avó de Lulu, Vivi Nabuco. ANEXO | O pavimento térreo do anexo ganhou azulejos inspirados nos da fachada original da casa e um dos móveis mais especiais: a poltrona Vivi (ao fundo, à esquerda), criada por Sergio Rodrigues em homenagem a Vivi Nabuco, avó da moradora Ruy Teixeira/Divulgação No andar superior do anexo, a sala de brinquedos e o quarto de hóspedes completam o layout, com papel de parede de Pierre Frey e uma poltrona forrada com tecidos comprados em viagens. Ali, assim como no restante da residência, tradição e contemporaneidade convivem naturalmente em um projeto em que maximalismo, memória e identidade se unem para criar um lar profundamente pessoal — e impossível de ser confundido com qualquer outro. SALA DE BRINQUEDOS | No andar superior do anexo, o ambiente foi revestido com papel de parede de Pierre Frey. O sofá da Novo Ambiente foi estofado com tecido da Entreposto, enquanto a poltrona inglesa recebeu tecidos comprados em viagens. A luminária de piso vintage é um garimpo comprada na Feira de Antiguidades da Gávea, no Rio de Janeiro Ruy Teixeira/Divulgação

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