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  "textContent": "\nImprimir as raízes árabes em um empreendimento paulistano sem cair nas referências óbvias e caricatas foi a principal ideia do projeto Casa Baruk, do escritório Memola Estúdio (@memola.estudio). Localizado no bairro de Higienópolis, o restaurante foi pensado para acolher os clientes, da entrada ao andar superior. O projeto buscou resgatar texturas e soluções arquitetônicas típicas da cultura árabe, mas que dialogam naturalmente com o contexto brasileiro. A maneira de abordar a luz, a sombra, a privacidade e o conforto é o pano de fundo para os grandes destaques do restaurante. DETALHES | Na imagem, é possível ver os detalhes dos diferentes azulejos utilizados na decoração junto ao couro caramelo dos estofados. Arandela cerâmica da Delfavero. Revestimentos da Delfavero Leila Viegas/Divulgação A fachada é composta majoritariamente por muxarabis, que favorecem o conforto térmico e estabelecem uma relação interessante entre interior e exterior. Como a ideia era uma interpretação própria, mais artesanal e ligada ao fazer manual, a paginação foi feita com tijolos de barro, matéria natural e essencial, muito presente tanto na tradição construtiva árabe quanto na brasileira. Ainda na entrada do restaurante, um caixilho metálico com 3,30 metros de altura, traz vidros decorados que estabelecem uma relação mais direta e convidativa com quem passa. \"Esta relação era muito importante para nós. Através dos vazados, o restaurante se conecta com o clima do dia, com a movimentação da rua e com as árvores do cemitério em frente\", conta a arquiteta Veronica Molina, que coordenou a equipe composta por Bianca Sinisgalli, Juliana Jacobovitz e Carol Ribeiro. FACHADA | A fachada do estabelecimento é constítuida por um grande painel de muxarabis de barro, que trazem a estética árabe e permitem a maior entrada de luz natural. A porção inferior possui esquadrias com vidros decorados, que trazem a sensação de \"vitrine\" para o restaurante. Esquadrias da La Portele Serralheria Artística Leila Viegas/Divulgação O salão é marcado pela combinação de materiais, com piso diagramado, madeira nas cadeiras, couro caramelo nos estofados dos bancos e cerâmica em parte das paredes. Enquanto o couro tem uma presença mais quente e acolhedora, a cerâmica introduz brilho e frescor ao ambiente. Essa relação entre os materiais cria um contraste importante, repetido em diversos momentos no projeto: o encontro entre o fosco e o brilhante, o macio e o rígido, o natural e o esmaltado. O piso é um dos elementos principais da decoração do estabelecimento, e não apenas como um simples acabamento. Ele serve como uma ferramenta de organização espacial, ajudando a conduzir o percurso, marcando os diferentes usos e criando atmosferas distintas dentro do restaurante. PISO | A paginação do piso é o grande destaque do salão, feita a partir de diversas referências árabes. O desenho não é simples acabamento, servindo para ajudar a organizar o fluxo dos clientes. Cadeiras e mesas de madeira da Cia de Produtos Leila Viegas/Divulgação A concepção dos grafismos surgiu da identificação de padrões presentes em imagens de casas árabes, azulejarias e pisos históricos. \"Observamos geometrias, ritmos, repetições e desenhos recorrentes nessas referências e buscamos trazê-los para o projeto de forma direta\", destaca a arquiteta. No salão mais próximo à entrada, com pé-direito duplo, a paginação é mais marcante criando uma espécie de \"grande tapete cerâmico\" e reforçando a presença do bar. Já no salão dos fundos, com pé-direito convencional, a paginação muda de escala e de ritmo, criando uma atmosfera mais acolhedora. ESCADA | O acesso ao mezanino ocorre por meio de uma escada revestida em peças cerâmicas em tonalidade terracota nos degraus. As faces laterais recebem peças rotacionadas a 45 º e recortadas em seção triangular, criando efeito tridimensional Leila Viegas/Divulgação Mais do que um apoio funcional, o bar no centro do restaurante funciona como transição entre os salões, organiza os fluxos e é uma forte presença para quem entra no restaurante. A decisão por posicioná-lo ao centro, ao em vez do tradicional canto, exigiu compatibilizações importantes na infraestrutura, especialmente nas instalações hidráulicas e operacionais. BAR | Ocupa espaço central no salão e foi pensado para estimular o encontro, como uma ilha social em meio às mesas, conectando o salão de entrada e o dos fundos. Luminárias técnicas da Lustres Ypiranga. Arandelas cerâmicas da Delfavero. Cadeiras e mesas de madeira da Cia de Produtos Leila Viegas/Divulgação A utilização de forro e conduítes aparentes também chama a atenção. Os itens são explorados como uma camada a mais de textura e acabamento, contribuindo para a construção da identidade dos ambientes. \"É como se retirássemos a “pele” da casa e pudéssemos revelar a beleza dos caminhos que fazem esse organismo funcionar\", explica Veronica. SEGUNDO SALÃO | Ao fundo do restaurante, uma parede de azulejos verdes tem ao centro uma obra de tapeçaria artística da Lorena Bruno. O forro e os conduítes aparentes são utilizados como uma camada a mais de textura e acabamento. Arandelas cerâmicas e revestimentos da Delfavero. Luminárias técnicas da Lustres Ypiranga. Cadeiras e mesas de madeira da Cia de Produtos Leila Viegas/Divulgação Outro destaque é a iluminação que busca reforçar a ideia de aconchego e conforto. Durante o dia, na área frontal, o salão recebe bastante luz natural por meio da fachada e das claraboias no teto, reforçando a sensação de amplitude. Já no espaço ao fundo, a iluminação artificial aparece de forma mais intensa. À noite, a luz é mais baixa, suave e envolvente, criando intimidade e ampliando a percepção espacial do restaurante. \"A ideia era que a iluminação não apenas revelasse o espaço, mas ajudasse a construir a experiência\", explica Veronica. Os pendentes assumem este papel, dialogando com o universo árabe, mas com uma estética contemporânea. Eles foram desenhados pelo escritório para evitar referências árabes muito óbvias. Leia mais",
  "title": "Restaurante paulistano aposta em referências árabes pouco óbvias"
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