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Apartamento no Edifício São Thomas mostra como o verde pode transformar a cidade

Casa e Jardim | Sua casa linda do seu jeito [Unofficial] June 25, 2026
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Normalmente, quando pensamos em interiores, o movimento costuma ser quase sempre o mesmo: buscamos referências externas e trazemos para dentro aquilo que queremos viver. A natureza, a arte, as paisagens, as memórias. A visita que fiz desta vez me apresentou justamente o caminho inverso: neste lar, a inspiração nasce dentro do apartamento e acaba transformando a cidade. Visitei a morada de Eduardo Paziam (@epaziam), conhecido pelo trabalho voluntário no centro de São Paulo, através do projeto Pazipe (@projetopazipe). Hoje, ele cuida de todos os canteiros da Avenida São Luís, e dedica boa parte do seu tempo a devolver verde a uma região que, durante décadas, foi marcada sobretudo pelo concreto. Obras de arte, produções autorais e objetos acumulados ao longo do tempo ajudam a contar a trajetória do morador Eduardo Paziam Rafael Castro/Divulgação Mas o que mais me chamou atenção foi perceber que esse movimento começou dentro do próprio apartamento. Eduardo cultivava ali um ipê-amarelo que, ano após ano, quando florescia, se tornava motivo de encontro entre amigos. Era quase um ritual acompanhar esse momento. Até que, em determinado momento, decidiu abrir mão dessa árvore e levá-la para a cidade, plantando o próprio ipê no centro de São Paulo para que essa experiência, antes íntima, pudesse ser compartilhada por todos. Leia mais O espaço foi sendo construído a partir de referências pessoais, sem a preocupação de constituir uma coleção formal ou seguir tendências Rafael Castro/Divulgação O Edifício São Thomas, conhecido como Joia da República, é um dos prédios mais emblemáticos do centro paulistano. Construído em um momento em que famílias tradicionais começavam a trocar grandes casarões por apartamentos considerados mais seguros e práticos, especialmente durante longas temporadas fora do país, o edifício carrega parte importante da história de uma outra São Paulo. A vegetação ocupa diferentes espaços do apartamento e reforça a conexão entre o ambiente doméstico e o trabalho realizado nas ruas do centro paulistano pelo morador Rafael Castro/Divulgação Percorrer sua casa é entender que ela foi sendo construída a partir de referências muito pessoais. Obras de arte, produções autorais e intervenções urbanas convivem de maneira espontânea, sem a intenção de compor uma coleção formal. Entre elas, trabalhos como Os Pés que Deus me Deu ajudam a contar um pouco da relação íntima que o morador estabelece com criação. A vista para o centro de São Paulo reforça a relação constante entre o interior do apartamento e a paisagem urbana Rafael Castro/Divulgação E, inevitavelmente, as plantas tomaram conta do apartamento. Com o fluxo constante de espécies que chegam para serem cuidadas antes de seguirem para os projetos que desenvolve no centro de São Paulo, as varandas deixaram de ser apenas áreas externas e passaram a funcionar como um viveiro, parte essencial da rotina que ele construiu entre o morar e o cultivar. Leia mais Esse é um daqueles raros espaços que nos lembram que nem sempre buscamos inspiração no lado de fora. Às vezes, aquilo que cultivamos dentro do lugar que habitamos pode ser exatamente o que transforma o mundo ao redor.

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