{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreid3ssll5k4f3qerh4ffpetz4d3e4pc2dgo5ko7jdkvba7wrmi23xm",
"uri": "at://did:plc:cphnnz5vrzbcscztdxhakpbo/app.bsky.feed.post/3moxi7kwvi5j2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreihqvzavihrf2b544hmkrbvqj6stznri4azunabjx2zzkr5lvou4rq"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 230103
},
"path": "/paisagismo/noticia/2026/06/planta-rara-descoberta-na-caatinga-e-a-unica-de-seu-genero-no-mundo.ghtml",
"publishedAt": "2026-06-23T09:05:08.000Z",
"site": "https://revistacasaejardim.globo.com",
"tags": [
"casaejardim"
],
"textContent": "\nUma nova espécie de planta exclusiva da Caatinga, Isabelcristinia aromatica, foi descoberta e descrita pela primeira vez em estudo veiculado na revista Journal of the Brazilian Chemical Society (JBCS), publicado pela PubliSBQ e gerenciado pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ). Única representante de seu gênero no mundo, a pesquisa apresentou o primeiro perfil químico detalhado da espécie, desenvolvido por uma equipe de pesquisadores brasileiros com colaboração internacional. A planta foi coletada em Petrolina, PE, uma área rochosa característica do clima semiárido. José Alves Siqueira, professor de ciências biológicas da da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e diretor do Centro de Referência para Recuperação de Áreas Degradadas da Caatinga (CRAD), e Elaine Nunes, botânica e pesquisadora associada ao CRAD, foram os responsáveis pela coleta. Espécie restrita ao semiárido A espécie ocorre exclusivamente na Caatinga, em ambientes marcados por solos rasos, afloramentos rochosos e alta exposição ao sol. A planta pertence à família botânica Linderniaceae, um grupo que, em geral, reúne plantas associadas a ambientes mais úmidos, o que torna sua ocorrência no semiárido um ponto de interesse científico. Diferente das demais espécies da mesma família botânica, a nova espécie apresentou comportamento diferente das demais, desenvolvendo-se em regiões secas da Caatinga Univasf/Divulgação Outro aspecto observado em campo foi o aroma das folhas, uma característica incomum dentro do grupo, que lhe garantiu o aromatica. Já o primeiro nome da planta foi uma homenagem à docente Isabel Cristina Machado, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que, coincidentemente, foi orientadora de doutorado de José Silveira, botânico responsável pela descoberta. Leia mais As folhas da espécie foram transformadas em extratos para análise em laboratório, permitindo o estudo dos compostos químicos presentes em sua composição. Esses extratos foram analisados por técnicas instrumentais avançadas, como cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS). Esse tipo de equipamento separa as substâncias presentes na planta e identifica cada uma delas a partir de sua estrutura química. O estudo apontou que a Isabelcristinia aromatica possui grande quantidade de iridoides, compostos conhecidos por apresentarem diferentes atividades biológicas. Também foram identificados flavonoides na composição da espécie Univasf/Divulgação Além disso, os pesquisadores utilizaram um sistema, a plataforma GNPS (Global Natural Products Social Molecular Networking), que compara os dados obtidos com bancos internacionais e organiza os compostos em redes de similaridade, facilitando a identificação mesmo sem isolamento completo das substâncias. Composição química O estudo identificou aproximadamente 38 compostos naturais nas folhas da Isabelcristinia aromatica. Entre eles, iridoides, flavonoides e outros metabólitos secundários típicos de plantas. Esses compostos fazem parte de grupos amplamente estudados na ciência por sua diversidade estrutural e por ocorrerem em espécies com diferentes funções ecológicas. Durante o estudo, foi feita uma nova coleta da planta, e a pesquisa segue em andamento para o isolamento dos compostos químicos do exemplar e a avaliação do extrato, buscando entender a capacidade de seu extrato causar alterações metabólicas ou a morte de células Univasf/Divulgação Os iridoides, por exemplo, possuem reconhecida ação contra linhagens de células tumorais, o que pode ampliar novos caminhos de estudos medicionais. Já os flavonoides são compostos bioativos encontrados naturalmente em plantas, frutas, vegetais e chá; e que possuem ações antioxidantes e anti-inflamatórias. Linha de pesquisa O artigo foi produzido a partir da coleta e identificação do material botânico pela equipe liderada pelo botânico José e Jackson Gudes de Almeida, da Univasf e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas de Plantas Medicinais (Neplame), responsável pela investigação química da espécie. Leia mais A equipe contou ainda com a participação de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), responsáveis pela descrição botânica e taxonômica da espécie. Houve também a colaboração de cientistas da Universidade de São Paulo (USP) – Ribeirão Preto e da University of Washington, dos Estados Unidos (EUA), que contribuíram principalmente nas etapas de análise e interpretação dos dados químicos. O estudo integra uma linha de pesquisa dedicada à investigação da biodiversidade da Caatinga e à caracterização química de espécies nativas, com foco em técnicas modernas de análise de produtos naturais. Mesmo sendo o único bioma exclusivamente brasileiro, a Caatinga ainda abriga uma grande quantidade de espécies pouco conhecidas pela ciência.",
"title": "Planta rara descoberta na Caatinga é a única de seu gênero no mundo"
}