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"textContent": "\nO banco engastado é uma estrutura que oferece visual limpo e minimalista aos ambientes. Sendo um assento fixado a elementos de suporte como paredes ou painéis, o móvel é projetado sem apoios ou pés frontais aparentes. Com forte presença desde o modernismo e a estética brutalista, essa solução vem sendo retomada e se consolidando como uma tendência em projetos contemporâneos, que buscam a otimização dos espaços e soluções personalizadas. \"Diferente de um banco solto, ele nasce integrado ao espaço, quase como uma extensão da parede, da estrutura ou da marcenaria, trazendo uma sensação de unidade e permanência\", diz Deborah Torres Cintra, arquiteta do escritório Rava Arquitetos. O recurso, assim, torna-se parte da arquitetura do lar. Em obras de arquitetos renomados como o brasileiro Paulo Mendes da Rocha, o banco engastado já era uma marca presente nos interiores. \"Ele sempre teve uma abordagem em que o elemento deixa de ser apenas objeto e passa a nascer junto da própria construção, definido ainda no canteiro, como continuidade natural da arquitetura\", explica Achilles Barino, arquiteto do escritório Nó Arquitetura. Marcas desde o modernismo na arquitetura brasileira, os bancos engastados permanecem em projetos contemporâneos pela otimização e multifuncionalidade que oferecem. Neste projeto, a estante com banco em alvenaria chega até a entrada da casa e serve de apoio dos cestos para os sapatos abaixo do futon, confeccionado em tapeçaria artesanal Favaro Jr./Divulgação | Projeto do escritório Volar Interiores A popularização desse tipo de banco, segundo os especialistas, está relacionado a alguns fatores. O primeiro deles é a demanda por residências que incentivem a permanência e o conforto. Leia mais Outro aspecto é a busca por ambientes integrados e sem excessos visuais. \"O banco engastado otimiza espaço, cria um desenho mais limpo e ainda traz um aspecto quase arquitetônico para o mobiliário\", destaca Thaynara Faria, também arquiteta do Nó Arquitetura. A economia também é uma vantagem no uso desse tipo de solução, uma vez que o banco pode ser incorporado na própria etapa de execução da obra, diluindo custos com mão-de-obra e compra de novas peças de mobiliário. Ao mesmo tempo, oferece versatilidade, já que o banco engastado pode ser usado como aparador, rack, assento e guarda-copos. Voltados para o convívio e permanência nos espaços do lar, os bancos engastados aproveitam da estrutura já existente para oferecer mais espaço para receber, como nessa copa, em que o banco é colocado ao lado da mesa de jantar Gavin, da Boobam. Cadeiras Wishbone, de Hans Wegner. Centro de mesa e vasos da Dpot Objeto. Quadro de Papel Assinadoa Ruy Teixeira/Divulgação | Projeto do escritório OCCA+ Arquitetura Materiais para o banco engastado Os bancos engastados têm uma ampla gama de revestimentos, o que potencializa a sua versatilidade. Cerâmica, madeira natural, mármore, concreto, alvenaria revestida e serralheria podem compor a superfície. Quando colocados em cantos normalmente pouco aproveitados, bancos engastados podem ser acompanhados de jardineira, trazendo o verde para dentro. Banco Torinha, de A.Porta, na Boobam Guilherme Pucci/Divulgação | Projeto do escritório Zalc Arquitetura Além do visual, a manutenção, a limpeza e a durabilidade não podem ser ignorados. \"O concreto, apesar de carregar uma estética mais pura, honesta e sensível, tende a absorver com mais intensidade as marcas do tempo, do uso e das intempéries — algo que pode ser entendido tanto como qualidade quanto como desgaste, dependendo da proposta do projeto\", pontua Achilles. Em áreas externas da casa, o cuidado com a seleção dos materiais deve ser redobrado. Impermeabilização e acabamentos mais resistentes são recomendados para suportar intempéries do clima. Apostar em tecidos próprios e prever caimentos adequados, com mecanismos de drenagem e detalhes construtivos que evitem acúmulo de água, são igualmente fundamentais. Não existe uma única escolha certa. Ela dependerá da estética e da proposta dos ambientes no qual o banco é instalado. \"Entendemos que a escolha do material deve ser coerente com a identidade do projeto, independente das tendências do momento\", ressalta Guilherme Erthal, arquiteto do escritório OCCA+ Arquitetura. Cuidados estruturais para ter um banco engastado A escolha do material do banco engastado também deve dialogar com a proposta arquitetônica e decorativa do imóvel para uma proposta coerente, como nessa sala, em que o banco de concreto e os ladrilhos hidráulicos se conectam com a estrutura aparente de vigas e com a paleta de cores neutras escolhidas Luiza Schreier/Divulgação | Projeto do escritório OCCA+ Arquitetura Tecnicamente, existem vários cuidados importantes. A estrutura precisa ser muito bem dimensionada para evitar fissuras, deformações ou desconfortos ao longo do tempo. Dependendo do material, é essencial prever reforços metálicos, fixações adequadas e pontos de dilatação. A ergonomia e a proporção são essenciais para valorizar a experiência cotidiana do morador. \"Altura, profundidade, inclinação do encosto e até espessura das almofadas devem ser consideradas. Um banco bonito, mas desconfortável, perde o sentido muito rápido\", reforça Deborah. Tendo em vista a multiplicidade de usos do banco engastado, a altura adequada irá variar em função da sua utilização em cada contexto. Estofados em excesso, por exemplo, podem compremeter o uso e associação a demais móveis, como mesas de refeição. Na área de jantar, o rack da TV se estende e transforma em banco, com espaço para um grande vaso. Os tons de azul que predominam na marcenariam também se fazem presentes na estrutura, que parece flutuar André Miguel Coronha/Divulgação | Produção: José Leonardo Afonso/Divulgação | Projeto do escritório Nó Arquitetura É importante avaliar tanto o material no qual o banco será executado, quanto a estrutura no qual será fixado. \"Bancos de concreto precisam ser executados associados a pilaretes --- estruturas verticais que ajudam a garantir estabilidade e segurança. Materiais como marcenaria e mármore precisam ter pontos de fixação ao longo da extensão do banco\", afirma Gustavo Engel, arquiteto do escritório OCCA+ Arquitetura. Deve haver também uma preocupação estética. O desenho do banco precisa estar alinhado ao restante do projeto, considerando elementos como iluminação, marcenaria e paginação de revestimentos. Sem encostos, o banco de concreto armado moldado na obra, que percorre a extensão da janela, favorece a visualização da vista. Assim, como o sofá-ilha da Muui, com encosto mais baixo, que atende tanto a área da TV quanto do estar. Pufe e almofadas da Codex Home. Manta e tapete da Galeria Hathi Sambacine/Divulgação | Produção: Simone Ratzik/Divulgação | Projeto da arquiteta Andrea Gorayeb | Paisagismo de Anna Luiza Rothier Espaços compactos podem ter banco engastado? A multifuncionalidade e a otimização de espaço do banco engastado o configura como uma solução indicada para espaços pequenos. \"Quando pensado além da ideia tradicional de 'um lugar para sentar', ele passa a otimizar a planta de maneira muito natural e eficiente. Os diferentes usos reduzem excessos de mobiliário solto, liberam a circulação e criam ambientes visualmente mais organizados e contínuos\", diz Thaynara. Bancos integrados a mesas, jardineiras, marcenarias e áreas de apoio são algumas das soluções possíveis. Outra alternativa é usá-lo como estratégia também de armazenamento. \"A elevação do banco libera o espaço sob sua projeção para que esse seja utilizado como armazenagem\", comenta Gustavo. Confira mais 16 ambientes que usam o banco engastado para se inspirar! Uma das potencialidade do banco engastado é combinar multifuncionalidade e estética. Nesse caso, o banco funciona como aparador, de lâmina natural ASH, com desenho do escritório, que abriga a TV, área para sentar e a escrivaninha, que recebeu cadeira Capincho, da 55design Nathalie Artaxo/Divulgação | Projeto da arquiteta Marilia Pellegrini e do Studio Pindorama Em propostas mais modernistas, o banco pode ser fixado na parede junto a amplas janelas. Os bancos foram desenhados pelo escritório feitos em drywall com revestimento de azulejos assinados por Rômulo Lass. Os taquinhos de madeira existentes foram mantidos, refletindo a conexão entre o antigo e o novo, com restauração executada pela empresa Massif Soluções para Pisos. As mesinhas de apoio são do acervo dos moradores Eduardo Macarios/Divulgação | Projeto do escritório Küster Brizola Arquitetos O banco engastado, por não ter pés, favorece o visual clean e minimalista. No living, o banco de drywall foi colocado abaixo da grande janela com 10 metros de comprimento. Feito durante a reforma, \"conversa\" com a história do apartamento Eduardo Macarios/Divulgação | Projeto do escritório ARQ+CO Studio O banco de concreto não precisa seguir formatos tradicionais. Nesse escritório, o banco de concreto construído durante a obra sobe como uma rampa, compõe uma área de trabalho e serve ainda de escorregador para o filho da família brincar. Cadeira Liv Office, adquirida na Galpão Design. Quadro da artista Débora Marques. O piso de madeira existente foi revitalizado pela Raspatac Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório Rava Arquitetos Para conectar visualmente, os bancos podem funcionar como pontos de cor em projetos de inteirores. De serralheria verde, executado pela Cia do Metal, ele funciona como banco de apoio na sala de jantar e suporte para plantas. Almofadas da Codex Home André Mortatti/Divulgação | Projeto do escritório Península Arquitetura Logo na entrada do apartamento, um banco de serralheria cria alguns lugares na área da mesa de jantar e uma sapateira. Pendente 2065, de Gino Sarfatti Cris Farhat/Divulgação | Projeto do escritório Cota760 Arquitetura O teto revestido de palhinha com policarbonato é o destaque do estar externo, com banco engastado da Franccinno. Luminárias de parede da Cênica Artesanal. Luminárias de madeira para o pergolado da PHJ - Marcenaria Paulão OKA Fotografia/Divulgação | Projeto do arquiteto Conrado Ceravolo, com paisagismo do Studio da Paisagem Uma das funcionalidades desse tipo de banco é ampliar o espaço de armazenamento. O banco-armário abaixo das janelas, com desenho autoral, foi executado pela GA Móveis, com carvalho clareado e alumínio pintado. Quadros de Ana Sant'Anna, na ArteFASAM Galeria. Piso de madeira de demolição, da Y Desing. Cortinas confeccionadas por Hilda Decorações, com tecido da Quaker Fran Parente/Divulgação | Produção: Paulo Carvalho/Divulgação | Projeto do escritório SAAG Arquitetura O banco de MDF branco serve de assento para a mesa desenhada pelo arquiteto e produzida com quartzito Da Vinci, da Revest Pedras, no tampo, com base de laca bege. Nas áreas de refeição, oferece mais lugares, propiciando um convívio mais confortável no cômodo e ampliando o espaço para receber visitas. Execução da WF Marcenaria Carolina Mossin/Divulgação | Projeto do arquiteto Pedro Olavo O banco sob a janela, feito de madeira natural cumaru pela marcenaria RSNespoli, é um convite para apreciar a vista do Aterro do Flamengo. Cortina dupla com blackout branco e voal de viscolinho, executada pela Natan Decorações. Sofá Igarapé, da Soho Home Design. Mesa de centro do acervo dos moradores Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Pualani di Giorgio/Divulgação | Projeto do escritório Sensum Arquitetura O grande banco flutuante de madeira freijó logo abaixo da janela foi projetado pelo escritório. A sua extensão favorece a sensação de amplitude na sala, que tem sofá da Arquivo Contemporâneo de frente para a paisagem da Lagoa Rodrigo de Freitas e do Cristo Redentor André Nazareth/Divulgação | Projeto do escritório Studio Meyer Arquitetura Com formas orgânicas, o banco com assento de rolinhos desenhado pela arquiteta e executado em madeira maciça freijó e couro natural caramelo pela LZ Studio deixa a circulação do cômodo mais otimizada. Luminária de piso Pivô, da Ômae Design. Tapete da Galeria Hathi. Cortina de linho branco da Isnar Decorações Luiza Schreier/Divulgação | Projeto da arquiteta Julia Violante Outra alternativa é revestir os bancos engastados com revestimentos cerâmicos, como neste projeto, em que o banco foi feito de tampo de concreto engastado na alvenaria e revestido de azulejos da Eliane; a base é de madeira Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do arquiteto João Panaggio Leia mais Quando a proposta é de uma decoração mais natural e simples, tons de verde, como o da Sherwim Willians na porta do elevador laqueada, combinam bem com bancos de concreto aparente. A estrutura apoia objetos e espelho, e a prateleira inferior de madeira perto do chão serve para guardar os calçados Mariana Orsi/Divulgação | Projeto do escritório Patricia Martinez Arquitetura",
"title": "Banco engastado: por que esse recurso modernista voltou à moda e como projetá-lo"
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