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  "textContent": "\nDurante a Copa do Mundo de 2010, tintas verdes e amarelas cobriram a rua onde Lethicia Videira morava em São Paulo. As lembranças da infância brincando com pincéis permaneceram vivas e, em 2022, com ajuda da avó, ela revisitou a tradição de colorir as ruas — desta vez em um novo endereço, na Praia Grande, litoral paulista — e não parou mais. \"Como naquela época estávamos no pós-pandemia, fizemos um espaço pequeno, com uma bandeira simples do Brasil\", conta. Para a Copa de 2026, Lethicia liderou uma iniciativa mais ousada: pintar quase 300 metros de sua rua. “Tínhamos receio por se tratar de um projeto de grande porte, mas fomos à prefeitura e conseguimos a liberação. Hoje, o local recebe até turistas”, celebra. Esse relato é recorte de uma cena comum Brasil afora: vizinhos — e até comunidades inteiras — unem-se para enfeitar as vias urbanas, movidos pela expectativa e entusiasmo em torno do torneio de futebol. Ainda que pareça uma atividade simples ou até ingênua, ela exerce grande impacto no sentimento de pertencimento. Lethicia Videira retomou a tradição de infância e mobilizou os vizinhos para transformar a sua rua em Praia Grande, SP, em um cenário verde e amarelo para a Copa do Mundo de 2026 Lethicia Videira/Divulgação Memórias compartilhadas Na Praia Grande, a iniciativa que começou com Lethicia e o noivo passou a atrair toda a vizinhança. Vários moradores expressaram sua criatividade e habilidade em diferentes desenhos que remetem à cultura brasileira — da bandeira nacional ao Cristo Redentor e até ao icônico cachorro caramelo. Leia mais As etapas desse processo foram compartilhadas nas redes sociais e alguns vídeos ultrapassaram três milhões de visualizações — resultado tão marcante que garantiu patrocínio de marcas de tinta. \"As ruas enfeitadas e as bandeiras nas janelas criam uma expectativa enorme e trazem mais esperança para as pessoas\", analisa Lethicia. Moradores participaram da pintura coletiva de rua na Praia Grande, SP, que hoje atrai visitantes e se tornou ponto de encontro Lethicia Videira/Divulgação Entre gerações Em Benevides, no Pará, a pintura de rua também nasceu das memórias de uma Lethícia — agora de sobrenome Martins. Ela nunca havia pintado a rua para a Copa do Mundo, mas cresceu ouvindo as lembranças da mãe, que, quando jovem, enfeitava as vias da cidade com bandeiras verdes e amarelas. Isso despertou na paraense o desejo de proporcionar essa experiência para o filho. Ela organizou uma vaquinha entre os vizinhos, arrecadou R$ 400 para comprar tintas e começou a dar cor à rua com representações da bandeira do Brasil e do canarinho. Initial plugin text Mais tarde, sua vizinhança também alcançou parcerias com lojas de tintas locais. \"Pedimos ajuda de artistas para criar os desenhos mais complexos. Com a chegada desses profissionais, o projeto ganhou nova dimensão: cada detalhe da rua passou a ser planejado\", relata Lethícia Martins. Apesar da organização mais \"séria\", os moradores continuam contribuindo com as pinturas, acompanham o processo e também levam comida para os artistas — profissionais ou amadores. Esse é mais exemplo de gentileza que fortalece a união da comunidade e o sentimento de pertencimento. Entre vaquinhas e parcerias com comércios locais, moradores da Praia Grande, SP, conseguiram arrecadar tintas e transformar as ruas para a Copa do Mundo Lethicia Videira/Divulgação No Rio de Janeiro, muitas artes também têm sido coletivas, como a realizada na rua Capiberibe 27, localizada no Morro do Pinto, no bairro de Santo Cristo. \"Teve gente ajudando a pendurar bandeirinhas, outros pintando o chão, fazendo desenhos, organizando materiais e colaborando na alimentação das crianças. Virou um grande mutirão comunitário\", revela Nathalia Guaglini, uma das responsáveis pela iniciativa. A rua Capiberibe, no Morro do Pinto, Rio de Janeiro, RJ, reuniu moradores em um grande mutirão para pintar o espaço e celebrar a Copa do Mundo em comunidade Thiago Nunes/Divulgação A ação foi promovida pelo Centro Cultural Capiberibe 27 e contou com parcerias comerciais para garantir as tintas. As inspirações das figuras seguem a linha de outras cidades: o futebol, a cultura popular brasileira e a celebração comunitária. \"Cada pessoa recebeu pincéis e pôde desenhar, pintar símbolos ligados à Copa, deixar marcas das mãos nas paredes e participar livremente da construção daquele cenário. O resultado é uma mistura muito bonita de espontaneidade, arte e memória afetiva\", diz Nathalia. Blusas da Seleção e tintas verde, amarelo e azul tomaram conta da rua Capiberibe, no Rio de Janeiro, RJ Tatiana Chain/Divulgação Na Rocinha, o movimento foi organizado pela agência VML, a marca Coral e a plataforma Digital Favela como forma de resgatar a tradição. O que inicialmente ocuparia apenas uma rua curta de 15 metros ganhou vida na avenida central da favela, com 200 metros de pintura. “Foram contratados três artistas locais, além de 30 pintores e 10 administradores de rua, com o objetivo de fortalecer a economia local”, fala Clarissa Crisóstomo, COO do Digital Favela. “Os artistas trouxeram referências da própria Rocinha: sua estética, suas cores, sua energia, conectando o universo do futebol à identidade periférica”, adiciona. Initial plugin text Além de artistas, a via se encheu de moradores para colaborar com o processo, que durou 15 dias. \"A arte final foi tomando um formato complementar e muito mais significativo\", diz Clarissa. Entre as figuras representadas na Rocinha estão grandes craques que nasceram na favela. \"O território inteiro vira torcida não apenas durante os jogos, mas desde o momento em que as pessoas pisam naquele chão. É uma forma de afirmar que a Copa também acontece na favela — e que a favela tem muito a dizer sobre futebol\", ela destaca. Antes do início da Copa do Mundo, moradores entram no clima de futebol e comemoração em uma rua da Praia Grande, no litoral de São Paulo. Lethicia Videira/Divulgação Em São Paulo, a comunidade Heliópolis também reuniu mutirão para pintar uma rua de 300 metros. A ação foi promovida pela Coral em junho — antes do início da Copa 2026 — e reuniu artistas, pintores profissionais e moradores, que deixaram a via mais azul, amarela e verde. \"Além de renovar espaços, buscamos fortalecer vínculos, estimular o sentimento de pertencimento e valorizar a identidade das comunidades. Ver moradores, artistas, pintores e parceiros construindo juntos essa transformação é o que dá sentido ao nosso trabalho”, afirma Flavia Yumi Takeuchi, diretora-presidente do Instituto Coral. Pintura inspirada na seleção brasileira aconteceu na Rua Maciel Parente, em Heliópolis, São Paulo Divulgação/AkzoNobel Mais do que arte e futebol Na Praia Grande, o local para acompanhar a estreia da Seleção Brasileira na Copa de 2026 já tem endereço marcado: a rua verde e amarela encabeçada por Lethicia Videira. Segundo ela, o encontro será possível graças a uma vaquinha que ajudou a pagar o projetor, enquanto as comidas serão preparadas pelos próprios vizinhos. Leia mais “O pessoal fala muito sobre ganhar ou perder, mas não existe taça que pague as memórias que estamos criando aqui agora. No fim, é pela emoção, pela união e pela festa que tudo isso vale a pena”, comemora. Crianças participam das pinturas para a Copa do Mundo, revivendo a tradição brasileira no Morro do Pinto, no Rio de Janeiro Thiago Nunes/Divulgação Outra simbologia positiva dessa atividade artística e comunitária é justamente divertir e criar boas memórias nas crianças. A nova geração começa a pintar a rua e deixa o mundo digital de lado por um tempo, vivenciando a tradição urbana de forma direta e afetiva. “Mais do que decoração, a pintura cria memória, aproxima pessoas e devolve para as crianças a experiência de ocupar a rua de forma afetiva e coletiva, algo muito ligado ao espírito popular das Copas no Brasil”, coloca Nathalia. Mais do que preparar a rua para a Copa, a pintura coletiva no Morro do Pinto, Rio de Janeiro, RJ, virou um momento de encontro, convivência e troca entre vizinhos Tatiana Chain/Divulgação Para se ter ideia, a avenida colorida na Rocinha passou até a ser fechada nos finais de semana, transformando-se em um amplo espaço de convivência. \"A rua se tornou símbolo de uma comunidade que se reconhece e se orgulha do próprio território\", afirma Clarissa.",
  "title": "Pintar a rua para a Copa é uma forma de fortalecer a relação da vizinhança"
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