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"textContent": "\nMais do que os tipos de madeiras, ao se pensar em um projeto de interiores é preciso observar outras nuances do material para poder combiná-lo de forma harmônica. Segundo o arquiteto Rogério Shinagawa, as madeiras podem ser divididas em dois eixos principais: em relação à luminosidade — claras, médias e escuras — e à temperatura — quentes, quando puxam para amarelo, mel, vermelho ou laranja, e frias, quando vão para cinza ou esverdeado. \"Essa leitura é mais útil do que pensar na espécie, porque ajuda a criar relações visuais mais precisas entre piso, marcenaria e mobiliário\", explica o profissional. Analisar essas características é importante porque elas determinam se as madeiras vão conversar entre si ou se vão parecer apenas diferentes. \"Duas madeiras podem ter intensidades próximas e, ainda assim, não combinar visualmente, se uma for quente e a outra fria\", ele destaca. A área é composta por sofá Matriz, de Jader Almeida, com almofadas da Quaker. Mesas laterais com tampo de pedra e de madeira escura, da Olho Interni. Mesas de centro Folha, de Fernando Jaeger, e poltronas balanço do acervo dos moradores. Banco Mocho, de Sergio Rodrigues, na Dpot Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação | Projeto do escritório Shinagawa Arquitetura Para o arquiteto Jean de Just, usar diferentes madeiras é indispensável em combinações elegantes. \"Geralmente se pensa que para ficar harmônico todas as madeiras devem estar iguais. Pelo contrário, é bom usar madeiras diferentes para criar contraste e jogo de cores, sempre com equilíbrio\", diz. Tons semelhantes funcionam bem quando a intenção é um espaço monocromático, enquanto o contraste costuma deixar a composição mais legível e intencional. \"Se você deseja um ambiente neutro, melhor evitar o contraste, que vai trazer força para o ambiente\", pontua Jean. Com 70 m², a sala exibe móveis como a poltrona Costela, de Martin Eisler, um par de poltronas dinamarquesas em frente ao sofá, e outras duas de Rino Levi diante da janela. O abajur é assinado por Sergio Rodrigues. Na parede de fundo, revestida de madeira, estão trabalhos de Henrique de França, à esquerda; Evandro Soares, ao centro; e Germana Monte-Mór, à direita André Nazareth/Divulgação | Projeto do arquiteto Jean de Just A arquiteta Vanessa Ribeiro, do escritório Quattrino Arquitetura, acredita que apostar em tons diferentes de madeira torna o cômodo mais orgânico, natural e aconchegante. \"Prefiro contraste, porém podemos buscar caminhos onde o tom se aproxime mais. Por exemplo, tons médios, mas isso depende do perfil do morador\", diz. De acordo com Rogério, a forma mais segura de combinar é definir primeiro a madeira dominante. \"Em geral, ela aparece nos elementos permanentes ou de maior massa visual, como piso, marcenaria, forro ou um grande volume de mobiliário. A partir dela, entra a segunda madeira para criar contraste e, em alguns casos, uma terceira apenas como acento\", detalha. Na sala, sofá de Fernando Jaeger Atelier. Almofada de corda da Mau, as demais são da Linea Decor. Na mesa lateral, de Alessandra Delgado Design, arranjo com a planta saco-de-velho. O pufe caramelo é da Lider; o outro, branco, impresso em 3D, é da Dpot, assim como a escultura de madeira na parede. Tapete quadriculado é da Maiori Cas Estudio NY18/Editora Globo | Projeto da arquiteta Vanessa Ribeiro, do escritório Quattrino Arquitetura No caso de pisos de madeira, eles devem ser tratados como base para definir as demais tonalidades, conforme explica Rogério. \"Ele ocupa grande área e condiciona a leitura de quase todo o restante, então costuma ser o ponto de partida para a hierarquia dos tons. A nossa recomendação é observar se os móveis contrastam o suficiente com o piso para que cada elemento tenha presença própria\", fala. \"Quando falamos de madeira maciça para piso e tons de folha natural, ou até mesmo maciça para os móveis, fica difícil combinar perfeitamente. Logo, prefiro deixar isso mais solto\", comenta Vanessa. A madeira é protagonista no ambiente, com painel, mesa e armários de freijó linheiro executados por Henrique Marcenaria. O piso de tábua corrida, original do apartamento, foi restaurado pela Sinteco Alves. Acoplada à península. Luminárias pendentes Memory, assinadas por Jader de Almeida, na loja Arquivo Contemporâneo. Ao fundo, par de quadros da Casa Ocre Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Brito Velho | | Projeto do arquiteto Rafael Ramos Para não errar, os profissionais sugerem limitar de dois a três tons na composição — um dominante, um complementar e outro pontual. \"Tudo é questão de equilíbrio. Por exemplo, na minha casa tenho uma piso de peroba, um painel de freijó, móveis de jacarandá, outros em ébano, com verniz, com cera... São vários móveis antigos, e acredito que tudo funciona. Mas, claro, quanto mais variações, mais difícil é a composição\", fala a arquiteta. Sofá curvo, da Brentwood. Painéis de madeira executados pela Wood Marcenaria, onde estão mimetizadas portas com puxadores de mármore, os quais foram desenhados pelo escritório. Almofadas da Codex Home Marco Antonio/Divulgação | Produção: Vicky G. Wydator/Divulgação | Projeto do escritório Drops Arquitetura Para fazer a ligação entre as variadas madeiras, diversos recursos podem ser empregados. \"As cores das paredes, tecidos e até os revestimentos ajudam a amarrar os diversos tons de madeira\", orienta Vanessa. Rogério aponta que a conexão entre tons diferentes também costuma acontecer por temperatura, repetição e textura. \"Repetir uma madeira em mais de um ponto cria ritmo. Outros materiais ajudam a fazer a composição, como pedra, metal, vidro, tecido, tapetes e cortinas, que ajudam a interromper a massa de madeira e dar ênfase no conjunto\", fala. Sofá-ilha e par de poltronas com tecidos mistos, da Moad Home, que também forneceu as mesas de centro orgânicas, conciliam conforto e manutenção. Na mesma ideia, o tapete Rustic Outdoor & Indoor, da loja Unlimedt, produto sintético que imita a aparência de fibras naturais, foi escolhido pela proposta de continuidade entre interior e exterior. Rack feito de lâmina natural de madeira, com detalhes em palha vazada, o que permite ventilação interna do móvel Bruna Mateus/Divulgação | Projeto da arquiteta Carina Beduschi Ao escolher as madeiras, também é necessário prestar atenção à iluminação do espaço. Isso porque a temperatura de cor altera a percepção do material. \"Luzes quentes reforçam a sensação acolhedora e tendem a valorizar a madeira, enquanto luzes frias podem deixar o ambiente mais estéril e reduzir a riqueza da composição\", conta Rogério. Para evitar esses problemas, o primeiro ponto é pensar a iluminação desde o início do projeto, e não no final. \"Quando há várias madeiras em cena, a luz deixa de ser apenas funcional e passa a ser um elemento que dara clareza no desenho e conceito\", analisa o arquiteto. Mesa de jantar de madeira projetada pelo designer Roberto Souto junto com Neltinho, o faz-tudo da região. Luminárias pendentes Ufo da Lumini. Cadeiras retrô, cedidas pela cunhada do designer. Coleção de arte plumária do acervo pessoal do designer Sambacine/Divulgação | Coprodução: Leila Bittencourt/Divulgação | Projeto do designer de interiores Roberto Souto Jean sugere apostar na iluminação indireta, com diferentes pontos de luz, para criar diferentes cenas no mesmo cômodo e assim valorizar cada tipo de madeira. \"A iluminação sempre influenciará nas cores de qualquer superfície. Nós buscamos utilizar luz amarela para que o resultado fique mais aconchegante.\" O uso da madeira deixa a sala aconchegante e acolhedora. Tapete é da ByKamy FELCO/Divulgação | Projeto do escritório Cecchi Millan Arquitetura A seguir, confira projetos com diferentes madeiras no mesmo ambiente para te inspirar! A escrivaninha, pertencente ao acervo dos moradores, foi colocada em uma posição que possibilita à moradora ver todo o apartamento enquanto trabalha. A cadeira Cesca, do arquiteto húngaro Marcel Bruer, também é do acervo dos moradores. Estante executada em madeira carvalho. Forro de madeira peroba dourada da Neobambu Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Melina Romano A mesa em madeira com base ripada, assinada por Fernando Jaeger, é cercada por cadeiras Iaiá, de Gustavo Bittencourt, estofadas em couro bege, que equilibram conforto e leveza. Ao fundo, aparador Willy, design de Arthur Casas, com portas em mármore travertino, comprado na Etel. Piso de madeira existente que foi recuperada Fran Parente/Divulgação | Produção: Debora Goichman/Divulgação | Projeto do escritório Ar.kitekt Associados Mesa de jantar e sinuca, da 7ball, recebeu cadeiras da Franccino, além de luminárias pendentes Ufo, de Fernando Prado para Lumini. Na cozinha integrada, armários e divisória vazada de MDF laminado amadeirado, desenhados pelo escritório e executada pela Bartz Teresópolis. Paredes revestidas de pedra madeira, da Artec Design Anita Soares/Divulgação | Projeto do arquiteto Hiago Santos A cama posicionada na meia parede de alvenaria, que delimita o banheiro, tem cabeceira de madeira e palha natural, da Westwing, com roupa de cama da Trussardi. Arandelas de aço preto, da Proptem. Materiais naturais trazem aconchego, como o teto de madeira pinus e a parede de pedra, onde está a lareira de aço preto, da Brasilena. Baú de madeira de demolição, da Vitart Daniel Santo/Divulgação | Projeto da arquiteta Juliana Fabrizzi A mesa de jantar Litoral, com tampo de mármore verde Calacatta, de Jaqueline Terpins, na Arquivo Contemporâneo, recebeu cadeiras Lucio, de Sergio Rodrigues, e cadeira Oscar (na ponta), do mesmo autor, adquiridas no Antiquário R7. Luminária pendente Hope, de Francisco Gomes Paz e Paolo Rizzatto para a marca italiana Luceplan. Piso de taco de madeira tauari WD Reale, da Indusparquet, fornecido pela Ekko Revestimentos, paginado em espinha de peixe Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do arquiteto Henrique Ramalho A mesa de jantar foi feita com as bordas arredondadas, base de marcenaria e tampo de granito preto São Gabriel escovado, da Ambiente mármore. Luminárias pendentes da Loja Habito. Peças de garimpo, as cadeiras Thonet Gerdau, da Bossa Nossa Casa, foram restauradas, e as cadeiras de madeira torneadas, eram do avô do morador Nathalie Artaxo/Divulgação | Projeto da arquiteta Patrícia de Palma, do SP Estúdio A mesa de madeira maciça recebeu cadeiras Bossa, de Jader Almeida. Luminárias de rattan garimpadas. Repare que o piso é de cimento queimado e as paredes, de alvenaria sarrafeada, soluções que reduziram custos e promoveram o visual rústico pretendido. As esquadrias de madeira e vidro integram o espaço à área gourmet, onde estão ilha de concreto com cooktop, forno de pizza, parrilla e cuba do tipo 'farm sink' Daniela Magario/Divulgação | Produção: Alay Riba/Divulgação | Projeto do escritório Sabugosa Arquitetura, do arquiteto Gabriel Sabugosa O uso de diferentes tipos de madeira aquece a base neutra marcada pelo piso de cimento queimado. As bancadas e a ilha combinam concreto polido antigo com ardósia grafite, enquanto a marcenaria utiliza assoalho de sucupira de reflorestamento. O forro de cumaru, em paginação de lambri, reforça a atmosfera acolhedora. Ao redor da mesa, destacam-se as cadeiras 60, da América Móveis, e na ilha, as banquetas Harp, assinadas por Aciole Félix Keniche Santos/Divulgação | Projeto do escritório João de Barro Arquitetura Ao redor da mesa de madeira, estão as cadeiras garimpadas em palhinha. Na mesma linguagem, a porta de correr foi feita com fibra natural, de Nani Chinellato, envolvida por lâmina de madeira sucupira, para isolar a cozinha quando necessário Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Voa Arquitetura A pedra moledo na parede propõe ideia de continuidade entre os ambientes. À frente dela, na área gourmet, armários e ilha com desenho do escritório e execução da Marcenaria Morada com madeira freijó. Mesa de jantar com base de alumínio na cor fendi, da Franccino, e tampo de quartizito matira levigado, executado pela Marmoraria Flack. No teto, forro de treliça de palha de dendê Luiza Schreier/Divulgação | Projeto de interiores do escritório Ester Monteiro Arquitetura | Projeto de arquitetura e paisagismo de Candido Chutorianscy Arquitetura Mesa de jantar de madeira maciça, da Arboreal, combinada com cadeiras Maresias, de Carlos Motta, na Arquivo Contemporâneo, remetem ao estilo praiano. Luminárias pendentes da Lightworks. Quadro do acervo dos moradores Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Escala Arquitetura A madeira é protagonista do home office, com marcenaria assinada pelo escritório. A mesa com pé lateral em chapa de aço corten tem gavetas e canal para fios. Cadeiras Omar Giratória, de Rejane Carvalho Leite, na Dpot Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação | Projeto do escritório Shinagawa Arquitetura Painel com rack madeira freijó natural, executada pela Marcenaria Morada. Entre as luminárias, estão a de piso Bauhaus e o trio de pendentes, todas da Lumini, além do abajur de fibra natural sobre o baú, da Habito, e o modelo de mesa Jardim, de Jader Almeida, na Arquivo Contemporâneo. Poltrona estilo Luís 15 e quadros do acervo dos moradores. Par de vasos cerâmicos sobre a mesa de centro da Santa Cruz Home. Almofadas da Codex Home Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Falchi/Divulgação | Projeto do escritório PN+ | Paula Neder Arquitetura Sob a cobertura em fibra natural trançada, da WT Revestimentos, estão banco e mesa de madeira da Arbo Real. A bancada de pedra sintética ultracompact branca, executada pela Srodrigues Engenharia, responsável também pelo piso de granito giallo com acabamento escovado apicoado. Acima, o espelho reflete a paisagem e, abaixo, armário com portas ripadas vazadas de madeira cumaru, com execução da ANBI Marcenaria. Ventilador de teto da Gerbar Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Escala Arquitetura O ambiente é composto por poltronas Rio Manso, de Carlos Motta, combinadas com mesas de centro da série Anunnaki, em madeira carbonizada, da Casa Atica, e de pequiá. As esquadrias piso-teto dissolvem os limites entre interior e exterior, uma ode ao modo de viver local Oka Fotografia/Divulgação | Projeto da arquiteta Consuelo Jorge A poltrona Jangada, Jean Gillon, na Home Design, ganhou companhia da luminária de piso Memory, de Jader Almeida, na Omnilight. Estante com acabamento de madeira certificada, da Wedo. A persiana da Unica filtra a iluminação natural com belo jogo de luz e sombra Gabriela Daltro/Divulgação | Projeto do escritório GAM Arquitetos Destaque para o piso de granilite original. Banco de madeira da Tok&Stok e quadro de Bianca Foratori. A porta recebeu a tinta verde Cipó da Amazônia, da Suvinil Estudio NY18/Editora Globo | Projeto da arquiteta Vanessa Ribeiro, do escritório Quattrino Arquitetura Salas de estar e de jantar em conexão formam o coração da casa, onde a vida em família acontece. Na parede da TV, o rack em marcenaria planejada foi executado de MDF com textura de jacarandá. Ao lado, pintura de Renato Rios, serigrafia de Rubem Valentim, rotogravura de Clóvis Graciano e escultura de teiú (um tipo de lagarto) de madeira feita pelo artista Vavan, da Ilha do Ferro, AL. Na área do jantar, cristaleira presenteada por um parente dos moradores. Na parede, acima da mesa de jantar comprada na loja Meu Móvel de Madeira, está o quadro de autoria da avó da moradora, com baianas rezando Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do Estúdio Empena Para o casal trabalhar remotamente quando preciso, a bancada foi executada pela MG Marcenaria. Cadeira da Casa e Forma. Passadeira de Nelson Tapetes sobre o piso da Dimase Madeiras Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Panaggio Arquitetura",
"title": "O segredo para combinar madeiras de diferentes tipos e tons no mesmo ambiente"
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