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Pets no colo e áreas proibidas: as polêmicas da 'síndica brava' do Edifício JK

Casa e Jardim | Sua casa linda do seu jeito [Unofficial] May 27, 2026
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Por décadas, morar no Edifício JK, em Belo Horizonte, MG, significou conviver com regras que iam muito além das normas tradicionais de condomínio. Administrado durante 40 anos por Maria das Graças Lima, que faleceu em março de 2026, o edifício projetado por Oscar Niemeyer acumulou histórias curiosas, relatos de rigidez extrema e polêmicas que repercutiram na mídia e nas redes sociais. Em entrevista à Casa e Jardim, uma moradora que prefere não ser identificada contou como era viver sob a gestão da ex-síndica, conhecida por fiscalizar desde a circulação de cachorros até a roupa usada por moradores dentro do prédio. “Não era só rígido. Era uma coisa meio ditatorial mesmo. Tudo acontecia do jeito que ela queria”, resume. Entre as regras mais lembradas estava a determinação de que cães só poderiam circular pelas áreas comuns no colo dos tutores. Segundo a moradora, a medida gerou revolta até entre idosos do condomínio. “Uma senhora que tinha mais de 90 anos com um cachorro gordinho e mesmo assim existia essa exigência. Se fosse cachorro grande, então, pior ainda”, relembra. Projetado por Oscar Niemeyer, o Edifício JK foi inaugurado em 1952. São quase 1100 apartamentos que abrigam cerca de cinco mil residentes Flickr/Ary Kerner/Creative Commons Outro detalhe que surpreendia visitantes era a proibição de entrar na administração usando bermuda ou chinelo. “Tinha que estar com ‘roupas adequadas’”, diz. Leia mais As restrições também atingiam convidados. Após as 22h, visitantes só podiam entrar no prédio caso o próprio morador descesse para autorizá-los presencialmente. Mesmo hóspedes de longa estadia precisavam ser “reliberados” depois de alguns dias. “Se você chegasse dez minutos depois do horário, podia ficar preso do lado de fora esperando alguém descer”, relata a mulher. Vigilância constante Segundo a moradora, a sensação de vigilância fazia parte da rotina do prédio. Conversas com funcionários, por exemplo, eram rapidamente percebidas pela administração. “Você ficava cinco minutos conversando com um porteiro e logo depois ela ligava perguntando quem era aquela pessoa”, conta. Maria das Graças Lima administrou o Edifício JK durante décadas e ficou conhecida entre moradores pelas regras rígidas e pela gestão considerada linha-dura Reprodução/Crea-MG Ela também relata que havia funcionários considerados “de confiança” da síndica, responsáveis por fiscalizar movimentações e comportamento dos moradores. “Parecia que tudo era monitorado." Com dois blocos, o JK tem um edifício de 23 andares voltado para a Rua Timbiras e outro de 36 andares com frente para a Rua Guajajaras. Este último permanece até hoje como o mais alto da capital mineira Atrapalhado/Wikimedia Commons Os jornais internos distribuídos no condomínio também ajudaram a alimentar a fama da administração. Publicações traziam recados indiretos, críticas a moradores considerados “reclamões” e até textos exaltando a própria síndica. “Tinha poema chamando ela de ‘flor da minha vida’. Era uma autopromoção surreal”, lembra. Dinheiro vivo, procurações e polêmicas Entre os episódios mais comentados esteve a tentativa de exigir que a taxa condominial fosse paga apenas em dinheiro vivo, decisão que acabou revertida após repercussão negativa nas redes sociais. Isso porque uma das residentes do JK, Danielly Rocha, decidiu pagar R$ 835,20 usando apenas moedas de 5 centavos a 1 real. Ela fez um vídeo do caso e acabou viralizando. Initial plugin text A moradora entrevistada pela Casa e Jardim também afirma que as assembleias eram marcadas por grande concentração de procurações nas mãos da administração, o que fortalecia sucessivas reeleições. “Ela tinha pilhas de procurações assinadas pelos moradores. Era assim que conseguia se manter.” Sucessão Apesar do histórico turbulento, a moradora afirma que o condomínio vive um momento diferente após a mudança de gestão, que, segundo o g1, passou para Manoel Gonçalves de Freitas Neto, vice de Maria das Graças e que foi eleito síndico em setembro de 2025. “Hoje o clima é outro.” Áreas antes fechadas foram reabertas, elevadores passam por reformas e novos espaços de convivência começaram a surgir. “Agora tem feirinha, mercadinho e as pessoas usam mais os espaços comuns. Antes parecia que tudo era proibido”, diz. Ainda assim, as histórias da antiga gestão seguem circulando entre os moradores e são quase como lendas urbanas de um dos condomínios mais famosos do país. Tanto que inspirou o jornalista Chico Felitti a lançar o podcast A Síndica, contando várias histórias curiosas do JK.

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