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"textContent": "\nA proposta Entre florestas, roças e quintais, de São Paulo, SP, venceu o Concurso Público Nacional de Ideias de Arquitetura para a Casa da Mulher Indígena (CAMI). O projeto foi desenvolvido por um coletivo de mulheres, tendo Fernanda Britto, arquiteta e urbanista, como responsável técnica. Ana de Abreu Altberg e Juliana Sicuro Corrêa assinam como coautoras, enquanto Francy Baniwa, Julia Sá Earp, Mariana Cruz e Giovana Paape Casa Nova participaram como colaboradoras. O resultado, disponível no site oficial do concurso, foi anunciado na segunda-feira, dia 11 de maio de 2026, no Auditório Jayme Golubov da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU-UnB). A iniciativa, requerida pelo Ministério das Mulheres (MMulheres), visa a criação de espaços adequados e humanizados para acolher mulheres índigenas em situação de violência. A proposta vencedora, \"Entre florestas, roças e quintais\", preza por espaços flexíveis e intimistas, desenhados para ancorar estadias transitórias em tramas sociais, cultivando pertencimento e potência em meio à vulnerabilidade, fomentando encontros que podem organizar alianças Concurso CAMI/Divulgação Na proposta vencedora, a forma circular, recorrente na organização de diferentes assentamentos indígenas, foi o ponto de partida. Outro elemento significativo é a “roça”, geralmente, no fundo das casas, onde as mulheres se encontram e são realizadas atividades como preparo de alimentos, cuidado de crianças, e trabalhos artesanais, como a cerâmica. Ao centro, também costuma haver um chão de terra, o terreiro, no qual acontecem rituais coletivos, historicamente liderado por homens. Ao alterar esta posição para o pátio central, destinado à vivência coletiva, o projeto busca reforçar o protagonismo e a autonomia das mulheres indígenas. O projeto \"entre florestas, roças e quintais\" coloca o espaço da roça e a sociabilidade das mulheres indígenas como centralidades. À esquerda, o espaço da cura do edifício que é integrado às áreas de convívio. No canto superior direito, planta baixa do projeto onde são indicadas as diferentes áreas da CAMI que conciliam o convívio, o acolhimento e a sociabilidade das mulheres indígenas. No canto inferior direito, a imagem traz as áreas de quintal e alojamentos Concurso CAMI/Divulgação | Montagem: Casa e Jardim A equipe assinará o contrato para desenvolvimento dos Projetos Executivos com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), além de um prêmio de R$ 50 mil. O segundo lugar ficou com a proposta da equipe de Marcos Fabricio Benedetti Pereira, do escritório Mowa Arquitectura, de Santa Maria (RS), que recebeu prêmio de R$ 30 mil. Já a terceira colocação foi conquistada pela arquiteta e urbanista Priscila Waldow, do grupo Terracal Construção e Restauro, de Cuiabá (MT), contemplada com R$ 15 mil. Leia mais A proposta do escritório Mowa Arquitetura ficou em segundo lugar e prevê uma organização que privilegia a convivência em uma estrutura circular Concurso CAMI/Divulgação Em terceiro lugar, ficou a proposta do grupo TerraCal, que propõe diferentes camadas de acesso das mulheres frequentadoras ao pátio central Concurso CAMI/Divulgação Sobre o concurso A proposta \"KUNHAGUE TEKOA\", com Adriele Machado de Oliveira, como responsável técnica, recebeu menção honrosa do concurso Concurso CAMI/Divulgação O edital do Concurso foi lançado em 26 de janeiro, durante cerimônia no Centro de Convivência Multicultural dos Povos Indígenas da UnB (MALOCA-UnB). A iniciativa teve como objetivo selecionar as melhores propostas arquitetônicas para a criação de um espaço seguro, acolhedor e simbólico, capaz de materializar os princípios da dignidade, do cuidado e da ancestralidade das mulheres indígenas. O projeto surgiu a partir do diagnóstico de um cenário de invisibilidade e negligência institucional. Profissionais regularmente inscritos no CAU puderam participar da seleção. O edital previa não apenas a recomendação da participação de mulheres arquitetas e urbanistas nas equipes — especialmente na função de responsáveis técnicas —, mas também a exigência de pelo menos uma mulher indígena na composição dos coletivos, com o objetivo de valorizar conhecimentos e experiências e assegurar propostas alinhadas às culturas indígenas e às suas especificidades. O projeto do Bloco B Arquitetura pensa o espaço da CAMI a partir de um olhar voltado para a saúde integral e para a autonomia das mulheres indígenas. O projeto recebeu menção honrosa no concurso Concurso CAMI/Divulgação Outro aspecto relevante do edital foi a previsão da necessidade de adaptação das propostas para os biomas brasileiros, respeitando às especificidades de sete territórios prioritários – uma por bioma brasileiro (Caatinga, Pampa, Pantanal, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica), além do território Yanomami. Ao todo, o concurso mobilizou escritórios de arquitetura de diferentes regiões do país, sendo 28 inscrições homologadas e teve 25 propostas submetidas. A Comissão Julgadora foi composta por cinco arquitetas e urbanistas titulares, uma mulher indígena doutora em antropologia social e uma mulher indígena socióloga. À esquerda, projeto do grupo Atrica Arquitetura, que se inspira no formato da serpente - ser sagrado para diversos povos indígenas — como eixo estruturador do projeto. À direita, projeto do Ateliê Coletivo de Projetos, que prevê um conjunto de pavilhões baseados em técnicas construtivas tradicionais, revisitadas a partir da perspectiva das inovações contemporâneas. Ambos receberam menções honrosas no concurso Concurso CAMI/Divulgação | Montagem: Casa e Jardim Dados do levantamento da plataforma Gênero e Número, com base no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde, indicam que os registros de violências contra mulheres indígenas aumentaram 258% entre 2014 e 2023. Os índices de assédio, estupro e exploração sexual envolvendo mulheres indígenas cresceram 297% no período — percentual superior ao aumento registrado entre a população feminina geral do país (188%). A criação da Casa da Mulher Indígena também esteve entre as reivindicações expressas pelas participantes do Acampamento Terra Livre 2025 no manifesto Carta das Originárias da Terra, da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). Leia mais",
"title": "Concurso nacional para a Casa da Mulher Indígena anuncia vencedores"
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