O que é muxarabi? Descubra de uma vez por todas e confira dicas para ter em casa
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May 4, 2026
Clássico elemento arquitetônico, o muxarabi atravessa gerações, mantendo sua relevância ao ser reinterpretado em diferentes épocas e estilos, podendo ser aplicado em diversos ambientes e móveis, como fachadas, armários, divisórias e portas. Mas, afinal, o que é muxarabi? Tecnicamente, é uma trama de ripas de madeira entrelaçadas. Suas funções principais são: permitir ventilação constante, filtrar a entrada de luz e garantir privacidade. Diferente do cobogó, o muxarabi funciona como um painel de marcenaria, tendo uma trama mais fina e delicada. Concreto e muxarabi de madeira marcam a fachada desta casa, acompanhados por pedras naturais e abundância de verde Evelyn Müller/Divulgação | Projeto do escritório TWO Arquitetura A origem do muxarabi O elemento surgiu na arquitetura islâmica medieval, consolidando-se por volta do século 12 em regiões como Egito e Iraque. A palavra tem origem no termo árabe mashrabiya, derivada de sharab (beber, em português), "pois originalmente as treliças eram projetadas para abrigar e resfriar a água", conta a arquiteta e historiadora Silvia Aline Rodrigues de Rodrigues. Esse efeito era obtido pela evaporação causada pela passagem do vento pelos potes de barro onde o líquido era armazenado. Leia mais Ao longo dos anos, essa solução de controle térmico evoluiu para janelas e varandas, garantindo privacidade e proteção solar, tornando-se fundamental na cultura árabe. O quarto com banheiro e closet recebeu muxarabis de madeira, que delimitam os espaços com leveza Lucas Franck/Divulgação | Projeto do escritório NV Arquitetura A técnica chegou ao Brasil por meio da colonização portuguesa, herdada após séculos de ocupação moura na Península Ibérica. No período colonial, rótulas e gelosias — janelas inspiradas no muxarabi — foram amplamente utilizadas para enfrentar o calor tropical e preservar a privacidade das famílias. Com a chegada do Modernismo, o muxarabi passou por adaptações estéticas e funcionais. Arquitetos como Lúcio Costa (1902–1998) transformaram o visual rebuscado do período colonial em um elemento geométrico e racional. Nesse momento, deixou de ser apenas um detalhe nas janelas para ocupar fachadas inteiras, trazendo maior ventilação e leveza aos edifícios modernos. Apesar da integração entre cozinha, sala e quarto, os ambientes permanecem bem setorizados, com destaque para o painel de muxarabi em madeira natural tauari Fernando Willadino/Divulgação | Projeto da da arquiteta Bruna Ramos Onde aplicar o muxarabi? Atualmente, o elemento é amplamente aplicado em fachadas, varandas, áreas de transição e jardins de inverno, por exemplo. "Funciona muito bem quando há sol direto e necessidade de filtragem, sem abdicar da ventilação", diz a arquiteta Nicolle Nogueira. Além da funcionalidade, pode ser utilizado para criar efeitos de luz e sombra, acrescentando beleza artística aos projetos. Na área social, os ambientes se conectam com a ajuda de um painel de muxarabi, que divide os espaços sem bloquear a passagem de luz Favaro Jr./Divulgação | Projeto do escritório Deborah Roig Arquitetos Associados Apesar de belo e funcional, o muxarabi apresenta um custo elevado de execução, por exigir um trabalho minucioso de marcenaria, além de demandar manutenção constante. Em áreas externas, o acúmulo de poeira nas tramas requer limpeza frequente e tratamentos periódicos na madeira para protegê-la da ação do tempo. Leia mais Ao projetar, o tamanho e o formato da trama são essenciais, pois definem a intensidade da circulação de ar: desenhos abertos favorecem a ventilação contínua, enquanto padrões densos filtram o vento e reduzem sua velocidade. "A sombra 'rendada' contribui para manter as superfícies internas mais frescas em comparação com panos de vidro", destaca Silvia. Cobertura no Brooklin, em São Paulo, marcada pela presença de muxarabis de freijó da Parket Evelyn Müller/Divulgação | Projeto da arquiteta Simone Sacc Materiais para o muxarabi O muxarabi pode ser executado em diferentes materiais, como metal, concreto e polímeros. No entanto, a madeira permanece como a opção mais tradicional, conferindo caráter atemporal e adaptando-se a diversos contextos arquitetônicos. "Mesmo exigindo manutenção a longo prazo, trata-se de um material natural que permite restauração", pontua a arquiteta Mariane Rios. Além disso, a madeira retém menos calor e oferece maior valor tátil, enriquecendo o conjunto arquitetônico. Neste quarto, o painel de muxarabi em MDF no padrão nogueira separa a área de dormir do home office Rafael Renzo/Divulgação | Produção: Guilherme Garcia/Divulgação | Projeto do arquiteto Renato Mendonça Enquanto isso, os metais, como alumínio ou aço, oferecem precisão, menor necessidade de manutenção, maior durabilidade e permitem vãos mais amplos. Porém, podem irradiar calor quando expostos diretamente ao sol. Já as versões em concreto ou polímeros facilitam a manutenção e conferem uma estética industrial, embora percam a leveza visual. Os polímeros, por sua vez, ampliam as possibilidades de desenho e reduzem custos, mas exigem atenção quanto ao envelhecimento e à exposição prolongada. Os painéis pivotantes em muxarabi, executados com madeira freijó pela marcenaria LG Móveis, marcam o hall de entrada Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Vangii Guerra Como cuidar do muxarabi Alguns erros de projeto, como ignorar a orientação solar ou não prever a dilatação dos materiais, podem ser evitados com planejamento adequado, reduzindo a necessidade de ajustes futuros. tijolinho brick branco, da Kyoto Pedras, forma uma base neutra no ambiente, que tem rack de muxarabi desenhado pelo Estúdio Maré Felco/Divulgação | Projeto do Estúdio Maré Em áreas externas, é essencial escolher acabamentos resistentes às intempéries. Outro aspecto crítico é a fixação e o escoamento da água, que devem ser bem calculados para evitar danos aos materiais. No quarto, a cama da Reveev recebeu cabeceira Lapela, da mesma marca, cujo destaque é o muxarabi Fabio Jr. Severo/Divulgação | Projeto da arquiteta Caroline Andrusko A limpeza e manutenção precisam ser frequentes: o uso de aspirador com bico fino ou ar comprimido deve ser repetido ocasionalmente para evitar acúmulo de sujeira, facilitando a higienização pesada. Quando o material permitir, é importante também limpar as cavidades com pano úmido periodicamente.
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