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Para 66% das PMEs brasileiras, o problema não é ter sistema de gestão, é não conseguir mais mexer nele

Pequenas Empresas & Grandes Negócios [Unofficial] July 2, 2026
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O índice de adoção de tecnologia nas pequenas e médias empresas brasileiras atingiu números recordes: segundo o Sebrae, 47% dos pequenos negócios já usam softwares de gestão e 76% operam com computadores no dia a dia. O ponto cego está no que vem depois. Quando o sistema envelhece, trava uma operação ou precisa de uma funcionalidade nova, a maioria dessas empresas descobre que não tem para quem recorrer. O motivo é estrutural. O departamento de TI da PME foi montado para cuidar de infraestrutura: redes, computadores, impressoras e segurança básica. Manter e evoluir software não faz parte da função. "O TI da PME cuida do hardware", resume Eduardo Missaka, fundador da Espresso Labs, software house de São Paulo. "O empresário sabe, com clareza absoluta, o que o sistema dele precisa: 'esse relatório poderia sair sozinho', 'esse cadastro tinha que conversar com o financeiro'. Ele só não tem ninguém dentro de casa capaz de fazer isso, e o fornecedor original muitas vezes sumiu, parou de dar suporte ou cobra fortunas para mexer." A conta que fica maior a cada ano Esse vácuo tem nome técnico: dívida técnica. É o custo acumulado de sistemas antigos, difíceis de manter, que tornam qualquer mudança lenta, cara e arriscada. Segundo estimativas do Gartner, sistemas legados chegam a consumir mais de 40% do orçamento de tecnologia das organizações. E a conta cresce: cada ano de adiamento da modernização eleva o custo futuro de migração entre 20% e 25%, e sistemas obsoletos podem ficar de 5 a 10 vezes mais caros de operar depois de uma década. Um estudo da ABDI em parceria com a FGV mostra que 66% das micro e pequenas empresas ainda estão na fase inicial da transformação digital: têm sistema, mas não têm maturidade nem estrutura para evoluí-lo. E há um gatilho de calendário. A transição para o novo modelo tributário, com a adoção do IBS e da CBS a partir de 2026, vai exigir adaptações nos sistemas de gestão, expondo exatamente as empresas presas a softwares que ninguém consegue mais alterar. Trocar tudo não é a resposta Para Missaka, a resposta habitual do mercado é equivocada. A indústria empurra a troca total: novos ERPs, novas assinaturas, migrações caras e demoradas. "Na maioria dos casos, o sistema legado funciona e a empresa depende dele. Jogar fora é caro e arriscado. O que falta não é um software novo, é um parceiro de manutenção e evolução contínua que entenda o código existente, corrija, integre e modernize aos poucos, sem parar a operação", afirma o fundador da Espresso Labs. É nesse espaço que a Espresso Labs atua. A empresa mantém mais de 72 sistemas em operação contínua e atende mais de 220 clientes, de PMEs a grandes marcas como Unilever e C&A, com foco na manutenção e modernização de sistemas existentes. "Se você sabe o que precisa melhorar no seu sistema e está há meses sem conseguir colocar de pé, o gargalo não é técnico, é de endereço. Existe quem faça isso, e não precisa ser do zero", conclui Missaka.

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