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São João de Caruaru: com milhões de visitantes, festa se torna 'maior que o Natal' para empreendedores da região

Pequenas Empresas & Grandes Negócios [Unofficial] June 27, 2026
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Mais antiga que a própria cidade, a Feira de Caruaru, no Agreste Pernambucano, é a vitrine de mais de 400 empreendedores que vivem no município. É ali, entre barracas com artesanatos, chapéus de palha empilhados e balões coloridos pendurados no teto, que comerciantes vivem entre abril e junho os melhores meses do ano. Considerado mais importante que o Natal, o São João se tornou o grande motor dos negócios da região. “Há muitos anos, dezembro era o melhor mês de vendas, mas, com o passar do tempo, com a divulgação das festas e o crescimento do turismo, o período de São João virou o melhor do ano para nós”, diz Cícero Antônio da Silva, 64 anos, que há 35 anos empreende com uma loja na Feira de Caruaru, local que é patrimônio cultural imaterial do Brasil. O dado oficial confirma a percepção dos feirantes. Neste ano, o São João de Caruaru deve injetar R$ 800 milhões na economia local, segundo a prefeitura, um crescimento de 8,5% em relação a 2025. São mais de 20 mil empregos diretos e indiretos gerados ao longo de 70 dias de programação, que teve início no dia 10 de abril e se encerra em 27 de junho. A festa, que começou com fogueiras e forró pé-de-serra em comunidades rurais, cresceu a partir da valorização da cultura popular e da influência de grandes nomes da música, como Luiz Gonzaga. Desde os anos 1980, a celebração passou a ser organizada pela Fundação de Cultura de Caruaru e, hoje, é autointitulada como o “Maior e Melhor São João do Mundo", ocupando 27 polos espalhados pela cidade. Para quem vive do comércio na feira, o que importa é o fluxo de pessoas, que cresce exponencialmente no período. A cidade, que tem pouco mais de 405 mil habitantes, segundo o IBGE, tinha a expectativa de receber 4 milhões de visitantes durante o período de festa neste ano. De acordo com Silva, a demanda no período vem principalmente de turistas que buscam produtos regionais, como sandálias de couro, cachaças artesanais e lembrancinhas. Além disso, ele afirma que os moradores também vão às compras nas semanas que antecedem a festa para adquirir itens de decoração para as casas. Para muitos habitantes da cidade, empreender na Feira de Caruaru é uma tradição passada de geração em geração. Assim como Silva, que agora já trabalha ao lado do filho na loja, Evelyn Thaís, 31 anos, é mais uma empreendedora que afirma ter crescido dentro da feira de artesanato. Segundo Thaís, ela já participava do dia a dia do negócio aos 6 anos, ajudando os pais. Hoje, comanda o próprio ponto e se prepara desde dezembro para o período mais agitado do ano. "Quando a gente compara maio e junho com agosto, por exemplo, é mais que 100% a mais de venda, a procura multiplica”, diz. Em sua loja, é o chapéu de palha que lidera as vendas, seguido de sandálias e balões, que são vendidos principalmente para prefeituras de cidades vizinhas e transportadoras que levam os balões para outros estados. Com a cidade como referência em São João, empreendedores ouvidos por PEGN afirmam que as vendas em atacado para outros estados chegam a representar 70% da demanda no período. A festa além da feira Mesmo com o forte movimento na Feira de Caruaru, muitos negócios ganham um canal adicional de venda durante o São João: as barracas instaladas dentro do espaço que concentra as comemorações juninas, na Estação Ferroviária. Mapa do espaço que concentra as principais atividades do São João de Caruaru Reprodução É o caso de Maria Juliana, 34 anos, que há 12 anos abriu o próprio negócio na Feira de Caruaru. Neste ano, ela decidiu levar o empreendimento também para o centro da festa. Com foco na produção de itens de couro, palha e tecido cru, ela afirma que as vendas de itens típicos, como chapéus, dobram durante o evento. Nos demais meses do ano, os itens mais vendidos são redes, cestos de palha e roupas infantis. “Essa mudança dos produtos mais vendidos acontece mais por causa dos turistas, que fica interessado no artesanato, quer levar para casa ou comprar para usar aqui durante a festa”, aponta Juliana. A cultura do barro Fora da Feira de Caruaru e do centro da festa, o ritmo se mantém agitado em outro polo da cidade: o Alto do Moura. A 7 km do centro da cidade, o bairro é conhecido pelo trabalho de artesãos com o barro, produto símbolo cultura local e que também movimenta negócios na região. Uma das artesãs e empreendedoras mais conhecidas do local é Terezinha Gonzaga, que já recebeu o título de Patrimônio Vivo de Caruaru. Nascida no Alto do Moura, ela aprendeu a trabalhar com barro ainda na infância para ajudar na renda da família. Hoje, carrega o nome do falecido marido, José Gonçalves Simões, popularmente conhecido como Gonzaga, considerado na região um mestre do artesanato em barro. Fachada do Ateliê Terezinha Gonzaga, no Alto do Moura, em Caruaru (PE) PEGN/Luana de Andrade O material foi se tornando popular na região pela facilidade de aquisição do insumo, o que possibilitava maiores margens de lucro em peças feitas para vender. Além dos artesanatos, quem passeia pelo bairro encontra o barro até mesmo nas construções locais. “O barro é terra e da terra se tira tudo o que queremos”, diz Terezinha. O trabalho da artesã foi passado para as gerações seguintes e, hoje, filhos e netos do casal também atuam com a produção de peças em barro. Durante o São João, Terezinha afirma que as vendas mais que dobram. “Tem dia de fim de semana que não cabe mais gente aqui de tão cheio”, afirma a empreendedora, que já recebeu diferentes reconhecimentos, como homenagens da prefeitura de Caruaru, da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel e do Grupo Boticário, durante uma ativação no São João de 2025. Principal responsável pela produção, Terezinha afirma que faz peças pequenas em cerca de 15 minutos. Já peças grandes, como vasos de um metro, vendidos a R$ 130, têm cerca de uma unidade produzida por dia. “A gente se prepara com nossa arte, com nossas peças, e com os braços abertos para receber quem vem visitar”, diz. *A jornalista viajou a convite de O Boticário. Quer ter acesso a conteúdos exclusivos de PEGN? É só clicar aqui e assinar!

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