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  "textContent": "\nDurante muitos anos, a sustentabilidade foi vista por grande parte das empresas como uma obrigação associada ao cumprimento de normas ambientais ou à mitigação de impactos operacionais. Embora essas funções continuem importantes, a evolução do ambiente de negócios vem demonstrando que práticas sustentáveis podem gerar benefícios que vão muito além da conformidade regulatória. O avanço da economia circular tem contribuído para essa mudança de percepção. Ao propor modelos capazes de reduzir desperdícios, ampliar o aproveitamento de recursos e criar novos ciclos produtivos, essa abordagem vem transformando a forma como empresas enxergam custos, oportunidades e estratégias de crescimento. Em vez de representar apenas despesas operacionais, muitos resíduos passaram a ser considerados ativos com potencial econômico, abrindo espaço para o desenvolvimento de inovações e novos mercados. Por que a economia circular ganhou espaço no mundo dos negócios? O crescimento da economia circular está diretamente relacionado às mudanças que vêm ocorrendo nos padrões de consumo, nas exigências dos mercados e na gestão dos recursos naturais. Em um cenário marcado pela busca por eficiência e competitividade, empresas passaram a perceber que reduzir desperdícios pode representar ganhos financeiros relevantes. Ao mesmo tempo, os consumidores, investidores e parceiros comerciais passaram a valorizar organizações que demonstram preocupação com sustentabilidade e uso responsável dos recursos. Esse movimento criou incentivos para que empresas revisassem processos produtivos e buscassem formas mais inteligentes de administrar materiais ao longo de toda a cadeia de valor. A economia circular surge nesse contexto como uma alternativa capaz de alinhar interesses econômicos, de gestão e ambientais. Em vez de seguir uma lógica baseada exclusivamente em extrair, produzir, consumir e descartar, ela propõe sistemas em que os recursos permaneçam em circulação pelo maior tempo possível. O fim da lógica de produzir, consumir e descartar O modelo linear predominante durante grande parte da industrialização foi responsável por impulsionar o crescimento econômico em diferentes regiões do mundo. No entanto, a expansão do consumo e a crescente pressão sobre recursos naturais evidenciaram limitações importantes dessa abordagem. A dependência contínua de novas matérias-primas, associada ao aumento da geração de resíduos, passou a exigir soluções mais eficientes e sustentáveis. Nesse cenário, a economia circular propõe uma mudança estrutural na forma como produtos, materiais e recursos são utilizados. A ideia central consiste em prolongar a vida útil dos materiais, incentivar a reutilização, estimular a reciclagem e reduzir perdas ao longo dos processos produtivos. Essa lógica permite que as empresas diminuam desperdícios e identifiquem novas oportunidades de geração de valor. Felipe Schroeder dos Anjos explica que essa transformação tem impacto direto sobre a gestão ambiental e sobre a capacidade das organizações de construir modelos mais eficientes para enfrentar os desafios futuros. O reaproveitamento de recursos deixa de ser apenas uma prática ambientalmente desejável e passa a integrar estratégias de competitividade. Como pequenas empresas podem encontrar oportunidades na sustentabilidade Embora muitas vezes associada a grandes corporações, a economia circular também oferece oportunidades relevantes para pequenas e médias empresas. Em diversos setores, negócios de menor porte vêm encontrando espaço para desenvolver soluções inovadoras relacionadas ao reaproveitamento de materiais, reciclagem, logística reversa e gestão ambiental. Empresas especializadas em recuperação de resíduos, processamento de materiais recicláveis e desenvolvimento de produtos sustentáveis representam alguns exemplos desse movimento. Além disso, os negócios tradicionais podem incorporar práticas circulares para reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência no uso de recursos. A digitalização também contribui para ampliar essas possibilidades. Plataformas de compartilhamento, sistemas de rastreamento de materiais e soluções voltadas para logística inteligente criam novos modelos de atuação capazes de gerar benefícios econômicos e ambientais simultaneamente. Quando resíduos passam a gerar novos mercados Uma das transformações mais significativas promovidas pela economia circular está na criação de mercados que anteriormente não existiam ou possuíam relevância limitada. À medida que materiais descartados passam a ser valorizados como recursos, surgem oportunidades para novos serviços, produtos e modelos de negócio. Esse movimento pode ser observado em diferentes segmentos da economia. Cadeias voltadas para reciclagem, recuperação de materiais, reaproveitamento de resíduos industriais e produção de insumos secundários vêm ampliando sua participação em diversos mercados. Além dos benefícios econômicos, essas atividades contribuem para reduzir a pressão sobre recursos naturais e estimular práticas mais sustentáveis. O resultado é a criação de ecossistemas empresariais que geram valor a partir da eficiência na utilização dos recursos disponíveis. Felipe Schroeder dos Anjos destaca, a partir de sua experiência como engenheiro ambiental, que a gestão adequada dos resíduos tende a assumir papel cada vez mais estratégico dentro das organizações, pois a capacidade de identificar oportunidades relacionadas ao reaproveitamento de materiais pode representar vantagem competitiva relevante em diferentes setores. A inovação que nasce da eficiência dos recursos Muitas das inovações associadas à economia circular surgem da necessidade de utilizar recursos de forma mais inteligente. Ao buscar soluções para reduzir desperdícios e aumentar a produtividade, empresas acabam desenvolvendo novos processos, tecnologias e modelos operacionais. Essa dinâmica reforça a conexão entre sustentabilidade e inovação. Em vez de serem tratadas como agendas separadas, ambas passam a atuar de maneira complementar dentro das estratégias empresariais. A eficiência no uso dos recursos estimula a criatividade, incentiva melhorias operacionais e favorece o desenvolvimento de soluções capazes de gerar impactos positivos em múltiplas áreas. A inovação associada à sustentabilidade também responde a demandas crescentes do mercado. Com isso, as empresas de todos os portes e as grandes organizações que conseguem antecipar tendências e desenvolver práticas alinhadas às novas expectativas tendem a construir vantagens competitivas mais duradouras, perfeitas para o crescimento empresarial e desenvolvimento dos novos negócios. O que diferencia os negócios preparados para a próxima década De acordo com Felipe Schroeder dos Anjos, as empresas que se destacam em cenários de transformação costumam compartilhar uma característica importante: a capacidade de enxergar oportunidades antes que elas se tornem consenso. No caso da economia circular, essa visão envolve compreender que eficiência, sustentabilidade e competitividade estão cada vez mais conectadas. Negócios preparados para a próxima década provavelmente serão aqueles capazes de administrar recursos com inteligência, reduzir desperdícios e incorporar inovação aos seus processos. A sustentabilidade deixa de ser um tema restrito às áreas ambientais e passa a integrar decisões estratégicas relacionadas ao crescimento e à geração de valor. A economia circular representa uma das expressões mais claras dessa mudança. Ao transformar resíduos em recursos e custos em oportunidades, ela amplia as possibilidades de desenvolvimento para empresas de diferentes portes e segmentos.",
  "title": "A economia circular está criando oportunidades onde antes existiam apenas custos"
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