Desafio de loja viraliza ao exigir que clientes fiquem de cabeça para baixo para ganhar moto
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June 11, 2026
Uma promoção inusitada e cheia de aventura chamou a atenção da internet nos últimos dias. A concessionária Avelloz, no Piauí, promoveu a premiação de uma moto 0 km na inauguração de sua nova loja, no município de Pedro II. Para levar o prêmio, alguém teria que conseguir se pendurar na moto de ponta cabeça por 10 minutos. O desafio atraiu mais de 20 pessoas para o local e gerou repercussão imediata nas redes. No fim, ninguém conseguiu. Com quase 1 milhão de visualizações no perfil da marca e milhares de compartilhamentos em outras páginas, a divulgação da promoção gerou curiosidade e brincadeiras entre os internautas. “Missão quase impossível”, comentou um perfil na publicação da página oficial da concessionária. “Não tem como fazer esse desafio nem se fosse 5 minutos”, comentou um usuário em um post que rendeu mais de 10 milhões de visualizações no X. Initial plugin text i O vídeo do desafio viralizou em nível internacional. Diversas contas no X de países como Argentina, Peru e Chile compartilharam o desafio em suas páginas. Dezenas de pessoas se mostraram preocupadas nos comentários e questionaram a segurança da brincadeira, o que poderia acontecer se alguém caísse e se havia algum equipamento de proteção. No vídeo, é possível ver que a moto estava amarrada a cintos em uma estrutura de ferro na concessionária, mas não tinha nada abaixo do veículo, caso algum competidor se desprendesse. Segundo o CEO do grupo de concessionárias Avelloz, Abel Maycon, realmente não havia nenhum suporte na brincadeira que assegurasse o cliente. No entanto, de acordo com ele foram feitos testes antes de a ação começar. Ele ainda afirma que não houve nenhum acidente ou imprevisto e que o grande alcance da promoção fez com que a empresa decidisse repetir, mas agora com mais estrutura e segurança. “Para a próxima edição, já estamos tomando todos os cuidados necessários. Entramos em contato com o departamento jurídico para que todos os participantes assinem termos de responsabilidade, vamos instalar colchões de proteção e reforçar ainda mais as medidas de segurança”, diz Maycon. O empresário conta que também planeja contar com o apoio do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), para possíveis imprevistos. O empresário conta ter se inspirado em outras promoções similares que viu na região, mas afirma que teve pouco tempo para se preparar. Para a próxima prova, diminuirão ainda mais a duração do desafio, pois pretendem realmente premiar alguém. “Estamos planejando oferecer uma moto avaliada em cerca de R$ 45 mil, além de outras recompensas. A ideia é criar metas progressivas: quem atingir determinado tempo poderá ganhar um celular, enquanto outros tempos de permanência darão acesso a diferentes premiações”. Quais os perigos de ficar da cabeça para baixo? A depender da idade, condições de saúde e características físicas, o tempo de permanência que um ser humano pode ficar de cabeça para baixo pode variar, segundo a médica neurologista Izadora Zaiden. Mesmo assim, essa posição não deve ser mantida por períodos prolongados sem supervisão adequada. Segundo a especialista, a posição pode causar desconforto, tontura, dor de cabeça, alterações visuais e sensação de pressão na cabeça. Em algumas situações, também podem ocorrer alterações na circulação e na respiração. A curto prazo, podem surgir sintomas como tontura, mal-estar, dificuldade respiratória e alterações na visão. Em situações mais prolongadas ou extremas, existe o risco de complicações na circulação sanguínea e o funcionamento de diferentes órgãos. Zaiden recomenda que, caso uma pessoa apresente sintomas após o episódio, o ideal é procurar atendimento médico para uma avaliação inicial. Dependendo dos sinais apresentados, pode ser necessária a avaliação de especialistas como neurologistas, cardiologistas ou oftalmologistas. Como uma empresa deve se preparar para ações promocionais que exijam alto rendimento físico dos clientes Ao promover ações que exijam esforço físico, as empresas devem tomar o cuidado com as obrigações jurídicas, segundo Caroline Dinucci, advogada e mestre em direito comercial. Segundo os artigos 30 e 48 do Código de Defesa do Consumidor, toda oferta precisa integrar o fornecedor a um contrato. Além disso, o Código Civil, a partir do artigo 854, trata a promessa pública de recompensa como fonte autônoma de obrigação. Ou seja, o vencedor ou o cliente que cumprir a condição anunciada pode exigir o prêmio, inclusive judicialmente. Com essas normas, os estabelecimentos devem se atentar aos regulamentos, pois promoções comerciais com distribuição gratuita de prêmios dependem da autorização prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. “Competições baseadas exclusivamente em habilidade ou desempenho, sem elemento de sorte, podem ficar fora dessa exigência, mas essa avaliação precisa ser feita antes da divulgação da campanha”, alerta Dinucci. Além disso, o empreendedor deve apresentar uma documentação clara, acessível e objetiva, definindo critérios de participação, forma de aferição do tempo, hipóteses de desclassificação e demais regras. “Promoções sem regulamento costumam gerar litígios justamente porque qualquer ambiguidade tende a ser interpretada contra o fornecedor, que foi quem redigiu as regras”, explica a advogada. A segurança, é, talvez, o tópico mais sensível, de acordo com Dinucci, pois a empresa assume um dever de cuidado mais amplo. Quando uma dinâmica envolve esforço físico, o estabelecimento deve fazer uma avaliação mínima das condições dos participantes, restrição etária, estrutura tecnicamente segura e equipe de primeiros socorros no local. As avaliações devem ser específicas e cuidadosas, pois, mesmo com a assinatura de termos de responsabilidade e autorização, caso haja algum acidente ou ferimento, o consumidor ainda tem o direito de ser respaldado pela Justiça. “O termo de responsabilidade não impede um possível processo, mas pode ser importante para a defesa da empresa. O que efetivamente reduz o risco jurídico não é apenas a assinatura do participante, mas a adoção concreta de medidas de segurança e prevenção”, explica a advogada. Leia também:
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