Brasileira construiu carreira internacional utilizando bibliotecas como ferramenta de transformação educacional
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May 22, 2026
Quando escolheu a Biblioteconomia, ainda no fim do último ano do ensino médio, Aline Carnevale não imaginava que transformaria os livros em uma ponte entre culturas, idiomas e diferentes modelos educacionais ao redor do mundo. O que começou como uma escolha universitária acabaria se tornando uma carreira internacional construída entre bibliotecas escolares, projetos de incentivo à leitura e experiências em ambientes multiculturais. Natural do Rio de Janeiro, Aline inicialmente pretendia cursar Jornalismo, motivada pelo interesse por comunicação, escrita e narrativas humanas. Mas a busca por uma universidade pública a levou a descobrir a Biblioteconomia. "Percebi que era uma profissão que reunia exatamente aquilo que eu gostava desde cedo: leitura, conhecimento e formação de pessoas", relembra. Divulgação Divulgação Fluente em inglês desde jovem, habilidade que se tornaria determinante em sua trajetória profissional, ela começou a atuar ainda durante a graduação na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), participando da criação de uma biblioteca voltada para estudantes do ensino médio em uma tradicional escola carioca. A experiência despertou sua conexão definitiva com o ambiente escolar. "A escola é um espaço muito vivo. Existe planejamento, mas também existe criatividade, adaptação e troca humana o tempo inteiro. Nenhum dia é igual ao outro", afirma. Pouco depois de formada, ingressou na The British School of Rio de Janeiro, uma das mais tradicionais escolas internacionais do país. Foi nesse período que passou a compreender de forma mais ampla o papel da biblioteca dentro do ensino internacional. Mais do que organizar livros, o bibliotecário passou a atuar como mediador de leitura, orientador de pesquisa, parceiro pedagógico e agente de desenvolvimento educacional. Ao longo dos últimos 20 anos, Aline consolidou uma carreira ligada a escolas internacionais no Brasil, Portugal, França e Malásia, atuando em instituições conectadas a currículos britânicos e programas internacionais como IB (International Baccalaureate), Cambridge e IPC. Em diferentes países, participou da implantação de bibliotecas escolares, formação de equipes, desenvolvimento de programas de alfabetização informacional e criação de projetos voltados ao incentivo à leitura. Entre as iniciativas que mais marcaram sua trajetória está a criação de uma "Book Week" temática inspirada no universo da música. Com o tema "Reading Rocks", o projeto buscou aproximar os alunos da leitura de forma mais afetiva e acessível, integrando apresentações musicais, atividades pedagógicas e referências literárias ligadas à cultura pop. "A leitura também precisa ser apresentada como experiência e pertencimento. Nem sempre o aluno vai se conectar pelo caminho mais tradicional. Às vezes, a música, o teatro e a criatividade se tornam portas de entrada para os livros", explica. Outro projeto que ganhou destaque aconteceu em 2015, durante uma semana literária realizada em uma escola no Brasil com o tema "Heróis e Vilões". A proposta buscava apresentar às crianças pessoas reais que impactavam suas comunidades por meio da educação, solidariedade e serviço público. Bombeiros, militares envolvidos em missões humanitárias e lideranças comunitárias participaram das atividades compartilhando suas experiências com os estudantes. A ação também deu origem a uma campanha de arrecadação de livros destinados a uma biblioteca comunitária criada em um subúrbio do Rio de Janeiro. A mobilização acabou superando as expectativas da equipe escolar. "As famílias começaram a enviar livros novos embrulhados para presente. Foi algo muito emocionante. Aquilo me mostrou como existe vontade de colaborar quando há propósito. Um livro também representa dignidade, oportunidade e acesso", relembra. Além da atuação em bibliotecas escolares, Aline também ampliou sua formação internacional por meio de certificações ligadas à educação e qualificação docente no exterior. Fluente em inglês, espanhol e italiano, ela acredita que a educação internacional continuará crescendo nos próximos anos, impulsionada pela mobilidade das famílias e pela busca por modelos de ensino mais conectados globalmente. Atualmente, seus planos seguem ligados à expansão de projetos educacionais internacionais, especialmente nas áreas de formação leitora, bibliotecas escolares e desenvolvimento de jovens em ambientes multiculturais. Para ela, o contato diário com crianças e adolescentes continua sendo uma das partes mais enriquecedoras da profissão. "Trabalho constantemente com criatividade, troca e construção humana. As crianças enxergam o mundo com uma curiosidade muito genuína e isso também nos faz continuar aprendendo todos os dias", conclui.
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