Reforma tributária pressiona locadoras e exige revisão urgente da gestão financeira
Pequenas Empresas & Grandes Negócios [Unofficial]
May 22, 2026
A reforma tributária já começou a preocupar empresas do setor de locação no Brasil. Embora ainda existam dúvidas sobre a aplicação prática das novas regras, é apontado que o principal impacto não estará apenas no aumento da carga tributária, mas principalmente na mudança da dinâmica financeira das operações. O tema foi debatido durante o webinar "Como Organizar o Financeiro em Tempos de Reforma Tributária", promovido pela Eloca e apresentado pelo especialista financeiro Diogo Arado. Segundo Arado, o novo modelo tributário deve alterar diretamente o fluxo de caixa das empresas, especialmente com a possibilidade de implementação do chamado "split payment", sistema em que o imposto é recolhido no momento da transação financeira. "O empresário pode ter que pagar imposto antes mesmo de receber. Isso muda completamente a dinâmica de capital de giro", afirmou o especialista durante o encontro. Outro ponto de preocupação para o setor é a dificuldade de repassar os custos para o cliente final. Apesar da expectativa de aumento de despesas operacionais, especialistas alertam que o reajuste de preços nem sempre acontece na mesma velocidade. "Existe um período de transição em que o custo sobe primeiro, a margem reduz e só depois, se houver espaço no mercado, o preço é ajustado", explicou Arado. O cenário tende a ser ainda mais delicado para empresas com contratos já firmados ou que atuam em mercados altamente competitivos. As mudanças também devem impactar diretamente a estrutura tributária das locadoras. Com o novo sistema de IBS e CBS baseado em não cumulatividade ampla, empresas poderão gerar créditos tributários sobre compras e serviços. No entanto, especialistas afirmam que o setor de locação tende a ter menor volume de créditos em comparação à indústria e ao comércio. "A escolha do fornecedor passa a influenciar diretamente a carga efetiva de imposto. Isso transforma a decisão de compra em uma decisão financeira", destacou o consultor. Além das questões tributárias, o debate também chamou atenção para falhas comuns na gestão financeira das locadoras. Entre os principais problemas apontados estão o descasamento entre o prazo de pagamento dos equipamentos e o recebimento dos contratos de locação, além da mistura entre despesas operacionais e financeiras na DRE. "Se a empresa não separa o resultado operacional do impacto financeiro, ela não consegue entender se o negócio é saudável ou se está sendo sustentado por dívida", explicou Arado. Diante desse cenário, é recomendado que empresas do setor iniciem desde já uma reorganização financeira e operacional. Entre as principais medidas estão o reforço do capital de giro, a revisão da formação de preços, a análise estratégica de fornecedores e a implementação de controles mais rígidos sobre geração de caixa e indicadores financeiros. A expectativa é de que empresas mais estruturadas consigam atravessar o período de transição com menor impacto nas margens e maior capacidade de adaptação ao novo modelo tributário.
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