Daki cresce após onda de quebras das startups de mercado online e recebe aporte do iFood: 'Não tem receita mágica'
Pequenas Empresas & Grandes Negócios [Unofficial]
May 21, 2026
A digitalização impulsionada pela pandemia fez surgir startups que pretendiam atender o consumidor final com entrega de mercado. Muitas encerraram as operações, mas a Daki é uma das poucas que segue ativa. A empresa atingiu o breakeven neste ano, está chegando a uma receita anualizada de R$ 1 bilhão e acaba de atrair um investimento do iFood por uma participação minoritária (inferior a 5%) do negócio. “O futuro do supermercado vai ser definido por quem dominar a infraestrutura digital. Não tem receita mágica no fim do dia. É operar de forma consistente, com muita tecnologia e dados”, afirma Rafael Vasto, CEO e fundador da Daki. Nos últimos anos, startups como Justo, Mercado Diferente e Trela anunciaram o fim das atividades. Todas atuavam como mercados digitais para o consumidor final, com algumas diferenças entre o sortimento de produtos oferecidos. Ao encerrar as operações, elas citaram a escassez de capital e as margens apertadas como justificativas. Carrinho vazio: por que o segmento de mercado online é desafiador para startups no Brasil Vasto declara que, para criar um negócio rentável, é preciso controlar a cadeia de ponta a ponta e abusar dos dados para atacar ineficiências internas e encontrar oportunidades para melhorar a experiência do cliente. “Não tem uma bala de prata, cada micro etapa do processo importa muito. Orquestrar uma operação em larga escala é complexo”, opina. Os recentes fechamentos não indicam, porém, que o mercado está desaquecido. De acordo com o iFood, a vertical de mercado no aplicativo teve crescimento recorde de 60% no volume de vendas entre março de 2025 e março de 2026. A Daki é uma das lojas parceiras para entregas rápidas da plataforma desde 2024. “Este é um mercado de mais de R$ 1 trilhão e a penetração online está abaixo de 5%. É a última grande categoria do varejo que ainda é offline”, comenta Vasto. Atualmente presente em São Paulo (SP), Santos (SP) e Belo Horizonte (MG), a startup foi fundada em 2021. Segundo o CEO, sempre houve a clareza de que a proposta deveria ser diferenciada para convencer o público a deixar de fazer compras pessoalmente e apostar no aplicativo. A principal proposta de valor da Daki é fazer as entregas em cerca de 15 minutos. Para garantir a consistência, a startup construiu uma cadeia logística integrada, em que controla desde a compra direta no fornecedor até a entrega ao cliente final. Todas as ferramentas e dados são proprietários, o que permite analisar o abastecimento dos hubs, indicar os produtos que são mostrados aos usuários e controlar a última milha. Vasto declara que o custo de aquisição de clientes (CAC) se mantém estável desde 2021, com tendência de queda, enquanto o valor do tempo de vida do cliente (LTV) aumenta “drasticamente” ano após ano, com o crescimento das cestas e da frequência dos pedidos. O fundador não abriu os valores, nem a quantidade de clientes ativos, limitando-se a declarar que o aplicativo já foi baixado mais de 11 milhões de vezes. Ao longo da sua jornada, a Daki atraiu fundos como Tiger Global, Notable Capital, GS Squared, HV Capital, Monashees e Kaszek para o seu cap table e também recebeu um aporte estratégico da Pernod Ricard, empresa por trás de marcas como Absolut, Ballantine's, Chivas Regal, Beefeater. A startup chegou a alcançar o título de unicórnio em 2021, mas dois anos depois teve o valuation rebaixado ao captar outra rodada e deixou o seleto time. Veja também “Vivemos menos em função de um título. Tivemos validações importantes de fundos de primeira linha, de um grande player da indústria e agora do maior player de delivery do Brasil. Isso mostra que estamos no caminho certo, com bons parceiros que apoiam o nosso negócio”, afirma Vasto. Ele acrescenta que não há planos futuros para uma nova captação, mas o aporte do iFood fez sentido neste momento para reforçar uma agenda de “crescimento e expansão” para os dois lados. “Eles têm 55 milhões de usuários ativos, trazem demanda e nós executamos, trazemos dados. A nossa ambição é levar a nossa proposta para mais lugares, o que ecoou com o iFood, que também quer alavancar a vertical de mercado”. Com a rodada, a Daki quer expandir para além de São Paulo e Minas Gerais ainda em 2026 – Vasto não revela quando e para onde, pois os planos ainda estão sendo “formulados e refinados”. Vasto afirma que, apesar da integração ao ecossistema do iFood, a maior parte do faturamento vem das vendas pelo aplicativo da Daki. Ele destaca o Clube Daki, de fidelidade, e as campanhas para gerar engajamento dos clientes – no ano passado, a startup criou uma ação de selos para trocar por produtos, que esgotaram antes do programado, deixando centenas de clientes sem os itens anunciados. “Foi um sucesso maior do que imaginamos. Adquirimos clientes e eles engajaram muito. Estamos planejando a segunda edição com mais tempo, entendendo que o público gosta desse tipo de campanha”, diz. O CEO antecipa que a startup está desenvolvendo uma nova parceria com outro player, que deve ser anunciada em breve, e seguirá investindo em tecnologia para aumentar a sua fatia no mercado. “Historicamente vemos muita gente interessada na categoria, que ainda não tem um vencedor, um grande player que tenha acertado a proposta. Os próximos anos serão bastante curiosos”, finaliza. Quer ter acesso a conteúdos exclusivos de PEGN? É só clicar aqui e assinar!
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