Preocupação pode ajudar a viver mais? Estudo liga ansiedade moderada à longevidade
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May 16, 2026
Muitas vezes, o senso comum sugere que o segredo para uma vida longa é o relaxamento e a ausência de estresse. No entanto, uma pesquisa recente detalhada em um artigo assinado pelo especialista Bill Murray Jr. no site da revista Inc. aponta para um caminho diferente. Cientistas descobriram que o neuroticismo — traço de personalidade geralmente ligado à ansiedade e emoções negativas — possui uma faceta específica que pode ser, na verdade, um “presente da natureza” para a longevidade. Ao analisar dados do Biobanco do Reino Unido, que inclui registros de saúde, imagens cerebrais e testes comportamentais de milhares de pessoas, os pesquisadores conseguiram separar o neuroticismo em duas categorias distintas. A primeira é o sofrimento emocional generalizado, ligado à depressão e à sensação de impotência, que de fato prejudica a saúde. Já a segunda dimensão, batizada de ERIS (Reatividade Emocional e Estabilidade Interna, da sigla em inglês), traz resultados surpreendentes. O lado útil da ansiedade Indivíduos com altos níveis de ERIS são aqueles que se preocupam excessivamente, mas mantêm o foco na resolução de problemas. Segundo o estudo, esse grupo vive significativamente mais do que pessoas que não possuem esse traço. O motivo é prático: a preocupação constante funciona como um sistema de vigilância. Pessoas mais ansiosas tendem a consultar médicos com maior frequência, evitam comportamentos de risco e são mais rigorosas com a alimentação. É uma espécie de "seguro de vida" psicológico que impede que sinais de alerta sejam ignorados. Para o empreendedor, esse perfil reflete a cautela necessária na gestão de negócios, onde o excesso de otimismo pode mascarar riscos financeiros ou operacionais. "Sentir-se moderadamente preocupado, mantendo a estabilidade emocional, pode de fato ser um dom da natureza para a longevidade", afirmaram os pesquisadores ao site da revista Inc. Equilíbrio é a chave O estudo também resgata um antigo provérbio chinês que diz que a vida brota da tristeza e da dificuldade, enquanto a morte vem da facilidade e do prazer. Na prática, isso significa que uma vida excessivamente despreocupada pode levar à negligência com a própria saúde. Contudo, os autores fazem uma ressalva importante: a regra não vale para a ansiedade clínica ou o caos emocional desestabilizador, que continuam sendo prejudiciais. A diferença está entre a "preocupação produtiva", que gera ação e cuidado, e a catastrofização, que paralisa. Embora o estudo seja correlacional — ou seja, observa padrões sem necessariamente provar uma relação direta de causa e efeito —, ele oferece um novo olhar sobre o estresse cotidiano. Em um mercado onde a saúde mental vale ouro, saber que aquele receio de que algo saia errado pode estar ajudando você a viver mais é, no mínimo, um alento para quem comanda uma empresa. Leia também
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